As duas palavras na tela do celular brilhavam, pulsando no ritmo da música festiva que ainda tocava. Estou grávida. O som de "Libiamo", o brinde à felicidade, se tornou um ruído distorcido, zombeteiro. O mundo ao meu redor perdeu o foco. A sala, o sofá, a mulher sentada à minha frente... tudo desapareceu. A única coisa que existia eram aquelas duas palavras. Estou grávida. A mente minha entrou em parafuso. E a primeira emoção, por um único e selvagem instante, foi alegria. Uma onda de alegria pura, proibida. Um filho. Meu filho. Um filho com a mulher que eu amava. Mas essa alegria foi instantaneamente esmagada, sufocada por uma onda de pânico absoluto, tão fria que roubou o ar dos meus pulmões. As palavras do meu pai no estábulo voltaram como um fantasma, sussurrando a sentença.

