Carlos Eduardo não aguentava mais ter que fingir estar tudo bem na presença de sua sócia.
Maria Clara estava a exagerar e ele por pouco não perdia a sua pouca paciência.
Após retornar para o funeral de sua Avó, ele permaneceu para abrir a sua firma de arquitetura ao lado de Gustavo.
A amizade deles manteve - se ainda mais forte com o passar dos anos.
Gustavo mantinha - se leal ao amigo e sabia o quanto ele tinha sofrido com a viagem de Linda.
Na pausa para o café, Gustavo decidiu contar ao amigo a verdade sobre o retorno de Linda, mas não mencionou o filho dela.
- Cadú! Eu tenho que te contar uma coisa.
- Claro. O que é?
- A Linda vai voltar. A Vanessa me contou que o pai delas está doente e ela o vem visitar.
- Lamento pelo pai delas. Espero que se recupere.
- Obrigado amigo. Já pensaste na possibilidade de a reencontrar?
- Sim. Imensas vezes e passaram 8 anos. Não vou mais me sujeitar a tal sofrimento. Está na hora de seguir com a minha vida. A Linda faz parte do meu passado.
- Tudo bem. Eu entendo que queiras seguir com a tua vida. Mas não escolhas a Maria Clara por favor.
Temos que encontrar um jeito de nos livrarmos dela.
- Já pensei nisso. Primeiro vamos conseguir o contrato para a Vila Resort do Dominic Valêncio, e depois disso eu a vou demitir.
- Demitir? Ela vai exigir que paguemos a rescisão do contrato. Vais fazer isso?
- Se for necessário sim. Não a quero mais aqui. E estou pensando em termos novos sócios, mas desta vez seremos mais exigentes na escolha.
- Tudo bem. E quando terás a última reunião com o Valêncio?
- Em dois dias. Ele vai ficar no Hotel do Mac. Combinamos um almoço para acertarmos se vamos ou não fechar este contrato. Caso ele aceite, o nosso prestígio só vai aumentar e poderemos dar a todos os nossos funcionários um excelente bônus e aumento salarial.
- Olá Senhores! Eu procurava por vocês...- Maria Clara estava ao lado deles que já tinham parado de falar.
- Bem Cadú! Eu vou tratar daquele assunto está bem? Falamos mais tarde.
- Obrigado amigo. Até logo.
O que você quer Maria Clara?
- Saber porque você ainda não confia em mim. Carlos Eduardo nós somos sócios.
- Mas não por muito tempo. Sei que só estás aqui por causa da minha mãe. Pois vai ter com ela e diz que não conseguiste nada. Eu não vou ficar com você.
Carlos Eduardo levantou e a deixou sozinha. Ele estava certo. Maria Clara conhecia a mãe dele e usou a sua boa capacidade de persuasão para a convencer de que ela era a mulher ideal para fazer Cadú feliz.
Mas nada aconteceu. Carlos Eduardo a aceitou como sócia por meio de um contrato cujo o prazo estava prestes a terminar. Apesar disso, Maria Clara não estava disposta a desistir.
Ela só não contava que teria de enfrentar a fúria de Linda, e ainda a presença de um filho que a ligaria á Carlos Eduardo para sempre.
DE VOLTA Á CASA
Linda desceu do carro e olhou para o imponente hotel. Há 8 anos a estrutura não existia, e agora era a mais bonita e conhecida da Cidade.
Ela ficaria no hotel até que fosse terminada a decoração da casa e assim faria a sua mudança.
- A Mamãe não vai gostar de saber que vocês ficarão num hotel.
- Eu sei Bia! Mas, é a minha vontade.
Já somos adultas e independentes.
- Tudo bem. Eu estou falando, mas nós também vivemos sozinhas.
Vais ao jantar que ela marcou?
- Claro que sim. Eu e o Miguel lá estaremos. Só não estraguem a surpresa por favor.
Vanessa e Bianca foram para as suas casas. Após fazer o check-in, Linda e o filho foram ao quarto.
Eram já meio-dia quando decidiram descer para almoçar. Foram ao restaurante e logo que entrou ela teve a maior surpresa e choque da sua vida.
Diante dela estava ninguém mais do que o homem que no passado tomou posse do seu coração.
Carlos Eduardo Palhares agora um homem estava lá em pé e caminhando para a saída também parou quando a viu e ao seu lado estava um menino.
Nenhum dos dois dizia nada pois ambos estavam chocados demais para dizer alguma coisa. Foi o menino quem quebrou o silêncio.
- Mamãe! Mamãe o que houve?
Carlos Eduardo então voltou á realidade e olhou novamente para o menino, reconhecendo a si mesmo nas feições dele.
- Olá Cadú!... - Linda finalmente falou, mas foi literalmente ignorada, pois ele saiu do restaurante a deixando no lugar com o filho.
Ele voltou seguido por um homem elegante, e voltou a passar como se não a tivesse visto antes.
Mesmo com o orgulho ferido, Linda pegou na mão do filho e foram sentar - se para almoçar.
Ele não entendia nada, mas prestou atenção ao mome dito por sua mãe, não fazendo comentários sobre o ocorrido.
Na outra mesa, Carlos Eduardo fazia o máximo para prestar atenção às palavras de seu convidado.
Finalmente fecharam um acordo e pediram o almoço.
Ele comeu e por alguns instantes esqueceu que tinha visto Linda diante de si com um menino que a chamava de mãe.
- Eu agradeço muito por confiares na minha firma Valêncio. Garanto que não vais te arrepender.
- Não tenho dúvidas disso. Aliás, antes do meu retorno eu gostaria muito que fosses jantar lá em casa.
A Marina sente a tua falta.
- Claro que vou. Será muito bom voltar a ver uma grande amiga.
Pode ser sexta - feira?
- Claro. Falarei com ela hoje mesmo.
Até á próxima Cadú.
O homem foi embora. Carlos Eduardo pagou a conta e saiu sem olhar para a mesa de Linda. Ela levantou pedindo ao filho que não saísse do lugar e foi atrás dele.
- Carlos Eduardo por favor espera.
- Eu esperei por 8 anos Linda. Acho que passei do meu limite.
- Não foste o único. Nós temos que conversar. Por favor.
- É sério Linda? As tuas palavras não te fazem lembrar de nada?
Eu fiz o mesmo pedido várias vezes há 8 anos, mas você simplesmente me ignorou e foste embora. O que temos para falar agora?
- Muitas coisas. Tenho uma revelação para fazer.
- Fale! Estou ouvindo. Você está casada e agora estás aqui para esfregar isso na minha cara?
- Claro que não. O menino que você viu ao meu lado. Ele é nosso filho.
- O Quê? O que disseste?
- Podemos falar lá dentro por favor?
- Não. Apenas repita o que disseste.
- Ele é nosso filho Cadú. Chama - se Miguel Eduardo Palhares.
Por favor! Vamos conversar. Eu tenho que contar porque...
- Porque escondeste isso de mim por 8 anos Linda? Foi para te vingares?
- Não. Eu jamais pensei em me vingar de você. Cadú eu...
- Agora não Linda. Por favor vai embora. Entre no restaurante e me deixe sozinho. Não quero ouvir mais nada agora.
- Cadú!
- Por favor Linda. Não me obrigues a te magoar. Amanhã eu venho e prometo que falaremos com mais calma. Hoje não estou em condições.
- Tudo bem. Eu lamento Cadú.
Não queria contar desta forma. Não aqui na rua e...
- Até amanhã Linda.
Carlos Eduardo foi embora. Subiu no carro sem olhar para trás e nem percebeu que Linda estava com os olhos húmidos.
Ela controlou - se para não chorar e foi buscar o filho. Subiram á suíte e depois de deixar o menino brincando, ela foi ao seu quarto e deixou as lágrimas caírem.
Viu nos olhos de Carlos Eduardo mágoa e decepção. Ele a olhou do mesmo jeito que ela tinha feito há 8 anos quando ouviu as palavras de Rebecca.
Sabendo que não seria fácil uma reaproximação, ela decidiu esperar até ao dia seguinte.
Carlos Eduardo sempre cumpria as suas promessas.