Olivia Hayes Alessandro não respondeu. Começou a conferir as câmeras — as do meu corredor, as duas novas no elevador de serviço, a que agora mirava diretamente minha porta. O porteiro atendeu a ligação dele como quem recebe uma visita em casa. Palavras técnicas, instruções. “Revise o log.” “Carimbo de horário.” “Cruzamento de rostos.” Eu me senti numa série policial estrelada pela minha própria angústia. — E se for uma vizinha? — arrisquei, em voz pequena. — E se eu estiver… usando fantasmas para explicar o que não sei? Ele me olhou. Eu sempre soube quando Alessandro ia me tocar antes que ele me tocasse; o ar ficava mais pesado um centímetro à minha volta. Dessa vez, não tocou. Colocou as mãos nos bolsos, como quem aceita um limite e o contorna. — Não estou trabalhando com “se” — disse

