Olivia Hayes O grito sufocado da lembrança rasgou meu sono às três da manhã. Liandra—o rosto ruivo, o sorriso triste—desfilava pelos meus sonhos como um espectro acusador, sussurrando confissões inaudíveis. A escuridão no quarto de Alessandro parecia se fechar em torno de mim, o eco dos meus próprios gemidos tornando-se uma trilha de pavor. Levantei-me num sobressalto, o coração martelando no peito. Vesti apenas o roupão de seda que sobrara no cabide, esquecido após uma tarde de descanso apressado, e saí do quarto. Cada passo em direção à porta do apartamento era uma tentativa de escapar dos fantasmas que me perseguiam. A lâmpada do corredor iluminava os quadros minimalistas, mas eu não via arte ali — apenas sombras de histórias que não eram minhas. A mão trêmula girou a maçaneta, e eu

