Alessandro Volkov Silêncio. O orgulho e a fome se atracaram dentro dela. Eu esperei — paciência é o aço do controle. — Beija-me — veio, enfim, baixo, apimentado de pudor e fogo. Obedeci como quem manda. O beijo foi lento, firme, uma tomada de terreno feita com bandeira branca, mas com a convicção de quem não recua. Ela respondeu com uma sede ardente, um desejo incontrolável que se espelhava em seus olhos. Eu, por outro lado, contive-me, impondo uma pausa estratégica. Não se tratava de um "poder sobre" – de dominar ou subjugar – mas sim de um "poder para". O poder de moldar a experiência, de controlar o ritmo, de construir a tensão. Quando afastei meus lábios, mesmo que por um instante, ela o seguiu no ar, como uma planta que, em busca de luz, se inclina desesperadamente para o sol, reve

