Capítulo 04

1380 Palavras
A garota da balada João Carlos __________ Mais um dia de trabalho. Afinal é só isso que eu faço da minha vida. Desço a escada vestindo meu paletó. Estava todo mundo na sala de jantar, ouço a voz da Pietra rindo. — Só mais um pouco e então você vai brincar, tudo bem? — ouço a voz do JP falar. Apareço na sala de jantar. — Bom dia. — falo. Dou um beijo na testa da minha mãe e também na testa da Pietra que me olha e dá um sorriso cheio de mamão. — Bom dia filho. — minha mãe diz. Eu tenho orgulho do pai que o João Paulo tem se tornado, ele faz tudo por ela, mata e morre. Me lembro como se fosse hoje quando fomos buscá-la, o olhar de medo que ele tinha quando ele saiu daquele hospital apenas com ela no colo, ele me disse que seria e daria a ela tudo o que ela precisasse e ele vem fazendo isso tão bem. — Aquele carregamento de armas chega hoje? — Meu pai perguntou. Apenas balancei a cabeça em afirmação. — Não falem de trabalho na frente da minha filha. — JP disse e encarou o nosso pai. — Ela nem sabe o que é arma. — meu pai disse com uma leve risada. — Amor, ele está certo, falem disso no escritório. — minha mãe disse a ele, que apenas assentiu com a cabaça. Minha mãe tinha uma forma muito calma de convencer o meu pai. Me lembro do dia em que ela contou pra ele que eu estava fazendo faculdade, já que ele sempre deixou bem claro que iríamos trabalhar com ele quando fossemos maiores de idade. Eu ganhei uma bolsa de estudo, mesmo tendo condições de pagar a faculdade, sabia que o meu pai não iria concordar com a ideia então estudei muito e não tive que pagar nada durante os 4 anos de curso. No final de tudo o curso ajuda muito no meu trabalho hoje em dia. João Paulo também de formou, fez o mesmo caminho que eu, mas ele se formou em engenharia, o que não faz muito sentido no nosso trabalho. Mas eu dei que um dia ele quer ser apenas um cara com um trabalho normal e uma família, sendo ainda o melhor pai para seus filhos. Depois do café fomos para o trabalho, depois de Pietra travar uma briga com o mamão e se sujar toda minha mãe a levou pro andar de cima pra dar banho nela. — Você conseguiu tirar mais alguma coisa dela? — Moisés pergunta assim que entramos no escritório. — Não, mas hoje eu vou conseguir algo dela. — JP diz e vejo a raiva consumir o seu olhar. — Zeus disse que deixou o que você pediu em cima da sua mesa. — Luc disse assim que estava indo pra minha sala. — Ata, valeu. — disse ele apenas balançou a cabeça. Entrei na sala e fui pra minha mesa. Lá estava o relatório. Beatriz Barros, nascida no dia 21/09/2001. Ela tem apenas 20 anos. Trabalha em uma lanchonete no centro da cidade e é estudante de pedagogia e está no 4° semestre. Filha de Alexandra Barros. Não tem nome do pai na sua certidão de nascimento. Zeus também colocou algumas foros dela quando mais nova e algumas mais recentes, me fazendo inclusive lembrar de sábado. Vejo JP tirar o terno dele e então saiu da sala, ele não disse nada, mas eu sabia o que ele iria fazer. — Luc, fica de olho no meu irmão pra mim, eu vou dar uma saidinha e já volto. — falo pro Lucas que apenas assente com a cabeça. Vou até o estacionamento e entro no carro, olho mais uma vez o endereço da lanchonete que a Beatriz trabalha e então ligo o carro. Paro em uma vaga próxima e vejo ela colocando o lixo para fora. Saio do carro, tranco e atravesso a rua, ajeito a gravata e então entro na lanchonete, que ainda estava vazia. Acho que ainda está fechada. — Bom dia, no que posso ajudar? — uma moça loira e bem sorridente apareceu. Que pena, não era quem eu queria. — Me vê um café por favor. — falo e me sento em uma das mesas. — Puro ou com leite? — a moça perguntou. — Puro. — respondo. Não demorou muito e à vejo passar por mim, ela nem me olhou, mas eu a encarei por todo o alcance dos meus olhos. — Aqui está, tem açúcar e adoçante na mesa. — a moça sorridente disse. — Vocês tem pão de queijo? — pergunto. — Temos, pequenos e grandes. — ela diz. — Me vê dois grandes então. — Tá bom. — ela diz mais uma vez sorridente. Percebo que a Beatriz fica sempre atrás do balcão, enquanto a outra sempre atendia as pessoas, estavam chegando outras pessoas e ela continuava ali. Eu nunca fui de sair muito em público, minha é bem conhecida por ter uma empresa, que é de fachada, mas as pessoas não sabem disso. Então todos sempre me perguntam sobre meus pais, ou então se ainda está tendo vaga de emprego, mas essas coisas normalmente não são comigo e sim com o meu irmão. Mas nem da pra diferenciar nós dois vestindo esse terno, o que deixa tudo bem mais complicado. Terminei de tomar o meu café e então me levantei e fui até o caixa aonde a Beatriz estava. — Quanto que ficou? — pergunto olhando fixo para ela. Ela sobe o seu olhar e seus olhos encontram com os meus e então surge um semblante de espanto, acho que ela não esperava me ver por aqui. — Carlos? — ela pergunta meio tímida. — Eu. — falo sorrindo. — Ficou R$09,00 reais. — ela disse ainda olhando nos meus olhos. Pego a carteira e tiro uma nota de 20 da carteira e entrego pra ela. — Pode ficar com o troco. — falo e ela n**a com a cabeça. — De jeito nenhum 11 reais é muito troco. —ela fala. — Eu insisto. — falo. — E eu continuo dizendo que não — ela diz. — Tudo bem, posso pelo menos deixar o 1 real? — falo enquanto pego a nota de 10 reais que ela me entregou. — Tudo bem. — ela diz. — Foi bom te rever Beatriz. — falo e ela dá um leve sorriso também. — Foi bom te ver Carlos. — ela diz e dou um sorriso. Saio da lanchonete e atravesso a rua, olho para trás na esperança de ainda vê-la, mas as portas escuras impediam. Dirigi de volta para o escritório antes que meu pai percebesse a minha ausência, cheguei já mesma hora em que um carro preto encostou lá. Sai pelo outro lado da porta e liguei pro Luc. — Lucas deu merda — O que deu m***a? — diz sem entender — Vieram buscar a garota, um carro preto com 5 caras armados e eu duvido que seja só esse carro. — m***a, m***a e aonde você tá agora? — Eu tô do lado do meu carro abaixado, tô armado, mas sozinho eu não dou conta. — falo. — Tem quatro aqui comigo, seu irmão ainda tá na sala com aquela v***a. — Avisa meu pai e o Moisés, abre a porta da o armazém que eu vou entrar e já prepara pra começar a trocar tiro. — Já é. — ele diz. Coloquei o celular no bolso, destravei a pistola e então fui andando bem de vagar, até vi o Lucas na porta do armazém que tinha uma entrada lateral, me levantei de vagar e então corri. Quando eles notaram a minha presença eu já estava lá dentro. — Que m***a que tá acontecendo? — meu irmão aparece com a mão toda ensanguentada. — Tudo por causa dessa v***a ai. — Moisés disse. — Arrumaram briga com a família errada. — meu pai diz e tirou o palito e a gravata. Percebemos que eles não avançaram, até que vi uma luz vermelha no peito do meu pai. — p**a que pariu, pai abaixa. — grito. Meu pai abaixou então atiraram. O tiroteio começou, era bala pra todo lado.
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