A oferta de Magnus

1116 Palavras
"Eu sou Magnus," disse ele, a voz grave. "E vocês... vocês não parecem ser daqui." Isadora avaliou-o por um momento, e seus olhos estreitaram ligeiramente. "Nós não somos daqui. Mas estamos apenas de passagem." Magnus observou-os atentamente, então fez um movimento suave com a mão, indicando que se aproximassem. "Não muitos de vocês passam por aqui. A cidade está em ruínas, mas ainda há lugares que merecem ser protegidos." Dante sentiu a tensão no ar e se aproximou, olhando para Magnus com cautela. "O que você quer dizer com 'protegidos'?" Magnus sorriu, mas era um sorriso sombrio. "Eu lidero um pequeno grupo de sobreviventes. Nós... fazemos o que é necessário para continuar. Esse mercado, por exemplo, é nosso refúgio. E quem entra aqui tem que seguir as nossas regras." Isadora não baixou a guarda. "E o que são essas regras?" "A regra mais importante," respondeu Magnus, "é que ninguém entra sem ser bem-vindo. E ninguém sai sem permissão." --- **Tensão e Desconfiança** A tensão no ar entre os três era palpável. Isadora e Dante se entreolharam brevemente, antes de Isadora, com uma voz calma e controlada, falar: "Não estamos aqui para causar problemas. Só queremos seguir em frente." Magnus avaliou-os, o olhar endurecido por um momento. "Claro que não. Mas em um mundo como o nosso, quem diz que não está causando problemas, muitas vezes está mentindo." Ele deu um passo à frente, mais próximo, sem parecer ameaçador, mas com a firmeza de quem sabia o que estava fazendo. "Então, o que traz dois estranhos até aqui? O que estão procurando?" Isadora hesitou, olhando para Dante antes de responder. "Estamos buscando um lugar seguro. Um abrigo. Algo que nos ajude a sobreviver um dia a mais." Magnus a estudou por um tempo, como se estivesse avaliando a sinceridade de suas palavras. Ele então olhou para Dante, que estava quieto ao seu lado, com uma postura rígida e desconfiada. Finalmente, ele deu um pequeno aceno com a cabeça. "Pode ser que o que procuram, encontrem. Mas não sem um preço." Magnus disse, sem nenhum indicativo de brincadeira. "Nada vem de graça nesse mundo." Dante e Isadora se entreolharam, a desconfiança ainda evidente entre eles. Mas, antes que pudessem responder, o som de mais passos interrompeu o momento. Várias outras figuras apareceram das sombras da praça, cada uma delas com uma expressão calculista e cuidadosa. Eles eram, sem dúvida, mais pessoas que pertenciam ao grupo de Magnus. "Eu não confio nisso," sussurrou Dante para Isadora, baixinho. "Isso tem cara de cilada." Isadora não respondeu imediatamente, mas seus olhos estavam fixos nas novas figuras que surgiam. Algo em seu instinto dizia para ela que havia mais do que eles estavam vendo. A última coisa que ela queria era ficar presa em um lugar onde as intenções dos outros eram incertas. --- **Uma Proposta Arriscada** Magnus observou as reações deles, notando a desconfiança em seus olhos. Ele não parecia irritado, mas suas palavras eram claras. "Eu vejo que vocês são espertos. Não querem ficar aqui, não querem confiar em ninguém. Eu entendo. Mas o que querem em troca de sua liberdade?" Ele fez uma pausa, deixando a pergunta pairar no ar. "Há uma coisa que eu posso oferecer: um contrato. Ajudem-nos a recuperar o que é nosso, e talvez possamos deixar vocês seguir em frente. Mas se escolherem se afastar agora, com certeza perderão mais do que podem imaginar." Dante e Isadora estavam em uma encruzilhada. Não era só sobre sobreviver agora. Era sobre confiar ou não, escolher lutar ou ceder. E, mais do que tudo, era sobre decidir se estavam dispostos a colocar mais uma parte de si mesmos em risco. O silêncio pairou na praça destruída enquanto Dante e Isadora ponderavam as palavras de Magnus. Ele, com seus olhos penetrantes, observava cada movimento deles, como se já soubesse que estavam em dúvida. A atmosfera estava carregada, e o vento que soprava entre os escombros da cidade parecia ter ficado ainda mais gélido, como se o próprio ar refletisse o peso das escolhas que estavam prestes a fazer. Isadora não falou imediatamente. Ela olhou para Dante, cujos olhos estavam fixos em Magnus, a desconfiança claramente estampada em seu rosto. Ela podia sentir a hesitação dele, e sabia que ele não confiava naquele homem e em seu grupo, mas também sabia que as opções estavam se esgotando rapidamente. A vida no exterior, longe de qualquer refúgio seguro, já havia mostrado o quanto o mundo estava hostil e implacável. "Por que deveríamos confiar em você?" Isadora finalmente quebrou o silêncio, sua voz firme, mas cautelosa. Ela ainda não estava disposta a se entregar à ideia de fazer parte de um grupo que parecia ter mais segredos do que soluções. Magnus sorriu suavemente, como se já esperasse essa pergunta. Ele deu um passo à frente, os outros membros de seu grupo ainda observando de longe, com expressões impassíveis. "Você não precisa confiar em mim. Só precisa confiar na oferta. Sobreviver aqui não é sobre confiança, é sobre necessidade. Se quiser continuar vivendo, precisará aprender a fazer acordos, a tomar decisões que vão além da moralidade de antes." Ele fez uma pausa, deixando as palavras pairarem no ar. "Eu e meu grupo não somos anjos, mas temos algo que vocês não têm: recursos, informações e p******o. Nós podemos ajudá-los a se manter vivos, mas precisam contribuir. Nada vem de graça, como já disse." Dante olhou para Isadora, sentindo a tensão entre eles. "E o que você quer em troca, Magnus?" perguntou ele, a voz tensa. Ele não gostava da ideia de depender de outros, mas a realidade do mundo ao redor deles começava a se mostrar implacável. Magnus olhou para ele, os olhos estreitados. "Recuperar algo que é nosso. Um pouco de comida, algumas armas. Não muito, mas o suficiente para continuar nossa jornada. Vocês estão em boa forma, e eu sei que não querem voltar para o desespero das ruas. Todos nós temos algo a oferecer." Isadora sentiu o peso das palavras de Magnus. Não era uma proposta ideal, mas também não parecia ser uma escolha r**m. Eles estavam perdidos, e a luta pela sobrevivência se tornava cada vez mais difícil sem recursos, sem abrigo. Ela olhou para Dante, seus olhos suavizando ligeiramente. "Podemos tentar," ela disse, quase como uma declaração para si mesma mais do que para ele. Dante parecia relutante, mas não havia muito mais a fazer. A vida fora do abrigo das cidades estava se tornando uma guerra constante. Eles precisavam de aliados, e, por mais que não gostassem da ideia de se unir a um grupo desconhecido, talvez fosse a única maneira de continuar a lutar por uma vida. "Está bem," Dante finalmente disse, o tom mais frio
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