196° capítulo

4671 Palavras
Henrique. Já é noite e não preciso nem falar que Maria já estava capotada. Malu deu um beijo na sua bochecha assim como seu pai quando subiram pro quarto antes de irem embora. Maria dormiu por que chorou, ela caiu brincando de correr. O joelho tá todo ralado mas não faz m*l, coloquei um curativo. Ela estava quente por ter chorado e mais ainda por que pediu pra eu ficar do seu lado até ela dormir "me sinto protegida do seu lado daddy". Não era ser criança e precisar de ajuda pra dormir, era ser carente. E quando eu saí da cama ela estava bem quente então cobri só até a cintura com o cobertor. Todo mundo foi embora e a casa tava limpa desde o café da tarde, minha mãe e todas as mulheres limparam por que ia passar o jogo e não tem nem explicação. Mas sempre ajudo a arrumar, só foi hoje mesmo. Fui tomar um banho lembrando por acaso que Letícia novamente fez eu e Maria brigar. Não me importava se iríamos brigar por causa da Letícia por que minha consciência sempre tá limpa, afinal, de Letícia quero distância e não proximidade. Porém ficava com ódio de ver Maria chorar por que Letícia deu o motivo pra isso acontecer e mais ainda odiava sentir que Maria tinha dúvidas sobre mim. E mais uma vez... Sai puto do banho, me vesti na base do ódio e fui pra sacada fumar... Era umas 20h. Em poucos minutos Maria acordou gemendo de dor e eu corri pro quarto, jogando o toquinho da maconha no vaso de planta e depois eu tiro. - que foi meu amor? - me preocupei e ela se sentou segurando a perna. - tá.. doendo. - fiz carinho nela. - eu sei... Por isso tem que ficar quietinha. - mais eu não planejei cair. - disse triste. - não meu amor, digo aqui na cama... Tem que deixar a perna paradinha. - ela pareceu entender. - e.. Malu já foi? - concordei com um sorrisinho. - uhum, todo mundo. Mas todo mundo te deu tchau e ela veio aqui se despedir. - Maria sorriu. - um dia ela pode vim dormir aqui? - concordei normal. - claro que pode minha princesa. - sorri dando carinho nela. - tá com fome? - Maria pensou até concordar. - então vamo lá comer. - ajudei ela. No caminho Maria disse sobre meu "cheirinho de maconha" e ri dizendo que fumei. A gente jantou o que sobrou do almoço mas Maria comeu pouco por não gostar de churrasco requentado e eu nem gostava muito mas comi. Depois deixei ela pegar um saquinho de bala fini e fomos pro quarto. Ficamos olhamos filme por um bom tempo e posso dizer que foi mais torturante pra mim do que pra Maria quando ela teve que ir tomar banho. Pode ser só um joelho ralado mas dói, quem já ralou sabe como dói e Maria chorou tanto dentro daquele banheiro, minha mãe veio achando que eu tava batendo nela mas quando viu ajudou Maria. Ela começou o choro por que o curativo era intuito de fazer parar de sangrar por que tinha que deixar a ferida respirar e eu tiraria depois... Porém acabou grudando no machucado e mesmo colocando água não saía e foi muito torturante pra nós dois. Por isso o choro. Mas deu tudo certo e Maria voltou a dormir depois do banho, a vesti com um pijaminha e deitamos, ela ficou tão frágil com isso, estava dormindo mas se eu tirasse a mão de dentro da dela, ela já murmurava algo. Henrique. Dois dias depois... Maria estava longe, mas por bons motivos. Como todos sabem Maria entrou para o teatro... Como todos sabem o teatro é caro. As mensalidades são caras. Mas eu pagaria sem problema algum. Como hoje era dia de testes relacionados a pegar papéis específicos para uma primeira peça, eu não precisaria ir junto e não era necessário o acompanhamento de um adulto. Além de ser inútil deixaria eles nervosos. Então voltei pra casa. Maria estava confiante dizendo que gosta de brincadeiras, depois explicou que para ela atuar é tipo uma brincadeira de faz de conta. E faz sentido, você não é o personagem mas finge que é, por tanto brinca de ser ele. Então para Maria era uma brincadeira e ela vai se sair bem. Tirei a conclusão do óbvio de que Maria entrou para o teatro por ter passado... Obviamente, mas Maria passou por que seu teste a fez passar. Ela interpretou muito bem e quando me ligaram ontem dizendo que queriam Maria, nossa... Era uma mistura de múltiplas sensações. Maria vai pro teatro... Isso significa que ela é uma boa atriz. Minha pequena artista. Então enquanto Maria estava lá, e eu torcendo para que esteja bem, eu continuei arrumado pra caso precisasse ir lá buscá-la e fumei um baseado. Nem minha mãe e nem meus irmãos estão em casa, pelo que percebi ultimamente, eles estão andando muito na casa do Caio por que vão morar lá em breve e a casa será novamente minha e da Maria... Da até um calor. O dia era meio nublado mas tava bem quente. Subi pro quarto pra mijar e ficar por lá mesmo e quando acabei o tablet da Maria ficava apitando por que chegou notificação. Fui ver oque era e era Malu mandando mensagem. Ela sabia escrever de um jeito... Não correto. "Maria vo c vá vm aqi?" Ela está tendo aulas onlines e pelo que Álvaro diz, "quando ela se concentra vira a noite estudando". Além disso a senhorita que faz a comida e limpa a casa de Álvaro, dona Melinda, está ajudando ela a ler e sei que ela vai pegar o jeito. Mas mandei um áudio dizendo sobre onde Maria estava e perguntei como Malu estava, ela aprendeu a usar o áudio e disse que era bem melhor falar do que escrever. Conversamos e tudo que vinha de Malu era a felidade de estar livre. Ela falava coisas simples "eu posso fazer oque eu quiser", "posso levantar quando eu quiser da cama". Fico imaginando se na verdade fosse Maria... Não desde pequena mas depois que foi sequestrada. Malu era muito diferente da Maria, podem ter o mesmo olhar e rostinho mas são milhões de vezes diferentes, então eu tentava fingir que estava conversando com Maria mas era impossível, mesmo a foto de perfil de Malu, sendo basicamente a Maria. Maria é única assim como Malu. Quando Malu disse que adoraria vim aqui, falei pra ela que ela podia dormir aqui após o natal e como Malu não sabia sobre "não pode dizer oque vai dar de presente pro outro", Malu disse que daria um pijama pra Maria que era igual ao dela e me fez prometer que não contaria pra ela, jurei. Quando a conversa chegou ao fim foi por que Malu foi comer e eu dei tchau. Queria ir ver como Maria tá e isso tava me corroendo. Maria Clara. ESTAVA NO TEATRO! SOBRE UM PALCO LUMINADO... PESSOAS! AAAAH! MEU SONHO! - está peça é como um intuito do público ver do que vocês são capazes, por exemplo, passando no teste, primeiro, vocês já estão no teatro. - concordamos. - mas para realmente mostrar seu talento, precisa muito mais do que "apenas impressionar os juízes". - fez aspas. - quero que tenham a consciência de que estão interpretando alguém que não é vocês. - concordamos novamente. - estão vendo essa urna? - concordamos. - dentro dela a todos os personagens de uma peça de animação, deste livro. - mostrou e meus olhos brilharam. Cinderela.. - se acham bobo fazer papel de um princesa ou príncipe, quero que lembrem de que estão interpretando alguém que não é vocês... Ou podem se retirar. - ninguém falou nada. - terá três princesas... Ou melhor, três garotas. - mostrou nos dedos. - Cinderela, suas duas irmãs e... - fez uma cara. - é, talvez eu inclua a madrasta. - concordamos. - terá um príncipe apenas e os criados deles. - eu queria muito ser a Cinderela. Queria muito! - sobre oque conversamos antes, não precisam ser alunos de ballet desde os dois anos de idade. - disse com ironia. - mas teremos aulas de ballet e quero que todos aprendam os passos para saberem andar e agir dentro do personagem. - aaah! - sim. - olhamos para um aluna. Ah... No começo de tudo sentamos, conversamos, falamos oque fazemos e quem somos e quando chegou a vez de uma menina... Ela não era nojenta ou chata, só era um Micheli da vida. Literalmente. "Por que meu pai é isso e assim e eu sou assim e assado". O professor disse "falem seus nomes, suas idades, oque fazem e oque gostam de fazer". Em nenhum momento ele falou sobre "quem são seus pais e oque eles fazem da vida para serem ricos". Ela é uma Micheli da vida, é loira e tem caixinhas nas pontas do cabelo, mais ou menos igual o cabelo de Karla. Porém o teatro não era só pra quem tem dinheiro, havia um menino n***o que entrou com uma bolsa pela sua escola onde é bolsista e ele está aqui desde o ano passado, ele e mais cinco alunos, somos muitos. Também havia um menino de pele branca, por que não existe cor pra ser pobre e ele falou que era muito humilde e que seu sonho era ser ator. Quem paga seu teatro é seu pai, que ao invés de pagar a pensão ele pagará o teatro. Eles não tinham vergonha de dizer nada sobre suas vidas. E eu falei da minha... Falei que posso ser muito infantil as vezes mas não falei nada sobre meu infantilismo. Falei sobre daddy... Que tive que chamar de Henrique e falei sobre o meu amor por filmes da Disney e ganhei uma expressão de surpresa do professor e a frase "então se dará bem, por que nossas peças são feitas em cima de filmes mágicos". Aaaah magia! Então agora a gente foi pra outro andar... Ballet. Eu já fiz ballet então sei como é algumas coisas e me dei bem no começo, mesmo que a "Micheli" da vida ficasse se aparecendo tanto e ganhando parabéns de todo mundo. Depois tiramos os papéis da urna mas não seria nosso papel oficial e não tinha problema se uma menina tirasse um personagem homem por que além de ser um exercício, tínhamos que entrar no personagem. Eu peguei uma das irmãs da Cinderela e pra sorte da menina chata, um dos meninos tirou a Cinderela. Foi quando ouvi, apenas eu, mas fiquei muito magoada. "A Cinderela era branca e não n***a, muito menos um homem. Duvido que ele irá se sair bem". Ô sua burra, é um exercício! Mas fiquei na minha e colocamos vestidos e os trajes por cima da roupa. "Michel" era a madrasta malvada. Ouvi seu nome pelo professor, Paola. Então Paola era a madrasta malvada. [...] Abro a porta do carro e dou um enorme sorriso pro daddy. - pelo suador, o sorriso... Foi legal? - eu queria dar um berro. - foi muito legal daddy! - entro no carro. Daddy não precisou ir lá dentro me buscar por que saímos cinco minutos antes do previsto e daddy chegou em sete, então eu já estava ali esperando por ele. - daddy eu fui uma das irmãs da Cinderela e essa vai ver minha primeira peça! - comecei a pular no banco e daddy estava meio de lado, me olhando. - tô muito orgulhoso. - passou a não no meu cabelo úmido. - muito orgulhoso mesmo. - me deu um beijo na bochecha e sorri. - isso merece um sorvete mas tá toda suada. - ri. - ah daddy... Por favor. - daddy estava brincando, ele me levaria sim. - então que tal a gente ir tomar um banho na casa do seu pai? Aí a gente leva a Malu pra tomar sorvete, oque acha? - eu abri um sorrisão. - sim! Daddy sim! - riu. A gente foi pra casa do meu pai, demorou um pouquinho e minha barriga roncava, isso fez daddy dizer pra gente ir na lanchonete que serve tudo e me animei rápido. Na casa do meu pai quem abriu o portão foi Malu e ela tava ficando muito independente. - oiiii. - pulei em seu colo e ela me abraçou forte. - você veio. - sorri descendo do seu colo. - e vamos sair. - digo. Dei um beijo no meu pai e ele foi cumprimentar daddy. Depois fizemos o mesmo com Melinda. - Maria veio tomar um banho aqui mesmo e a gente quer ir comer uma coisa, Malu pode ir? - daddy todo educadinho. - claro, ela passou a manhã toda estudando, merece sair um pouco né minha filha? - Malu sorriu tímida. - então vou tomar banho. - digo feliz. - vai lá que o daddy leva a roupa. - concordei. Eu levei roupa pro teatro por que pediram, precisava de roupa de educação física, por que eu conhecia assim, legging, tênis de caminhada e blusa normal. Porém precisava levar outra roupa pra se trocar e lá tinha banheiro mas daddy não me deixou tomar banho lá... Também fiquei um pouco tímida de fazer isso. Malu me acompanhou e eu não tinha vergonha dela me ver. - Maria. - nosso banheiro tinha uma porta grande de correr e ela sempre estava aberta, o banheiro era muito espaçoso e o box de vidro. - oque? - lavei o rosto suado. - como você sabe que está apaixonada? - sorri, só de lembrar do daddy. - ah.. - desliguei o chuveiro, basicamente o banho foi só pra refrescar. - você sempre quer sorrir. - digo e ela parecia pensar, olhando pro chão. - você tá apaixonada? - ela deu de ombros. - Mariana dizia que via filmes de romance e como não podíamos ver, ela repassava o filme todinho pra gente. - fiquei triste. - e se apaixonar... Parece surreal pra mim. - peguei a toalha pendurada. - posso usar? - ela concordou na hora. - pode. - peguei. - mais oque você quer dizer com isso?... Você conheceu alguém? - negou. - não, mais parece que nunca vou conhecer alguém... Você conheceu Henrique e parece tão... Impossível. - Malu tinha os olhos arregalados. - olha Malu.. - penso como dizer. - quando conheci o daddy, ele me fazia rir e me levava pra tomar sorvete... Foi assim que ganhou meu coração. - ri. - mas ele me fazia feliz quando nos conhecemos... Ele me protegia, me dava presentes significativos... Me dava amor. - a olhei. - você vai saber que é real quando conhecer alguém assim. - ela sorriu. - é que agora que sou livre.. - sorriu e fiz o mesmo. - quero casar e ter minha própria casa. Estou me puxando nas aulas online e estou indo bem... Quero fazer faculdade por que nosso pai disse que com diploma a gente se dá bem na vida. - concordei. - então eu quero fazer tudo direitinho mas quero ter alguém ali comigo... Igual na série que achei ontem naquela.. Net... Flix? - concordei com um sorriso. - isso... Mas relaxa Malu, daddy diz que ainda somos novas pra pensar em coisas do futuro e o tempo vem no momento certo. - ela sorriu fraquinho e carinhosa pra mim. - Mariana podia tá aqui com a gente, ela era mandona mas protetora. - fiquei triste. - oque foi? - a olhei. - ela morreu... - Malu ficou com a expressão normal, parecia pensar em milhões de coisas. - por que choram por isso? - não soube oque dizer mas tentei. - por que essa pessoa nunca voltará... Você não ouvirá sua voz e nem sentir o toque dela.. - Malu pareceu entender e eu não gostei do seu olhar... Ela entendeu de verdade. - ela nunca.. voltará.. - Malu. - me olhou rápido. - mas ela pensa na gente com certeza. - mais ela... Morreu. - mas está cuidando de nós seja lá onde ela tá. - concordou fraquinho. Alguém bateu na porta do quarto e logo depois ela foi aberta, era daddy, com uma roupa limpinha pra mim. - já tomou o bainho? - concordei olhando pra ele e logo depois olhei pra Malu, com um sorriso triste. - eu vou esperar vocês lá em baixo. - ela sorriu meigo pra mim e saiu. Não a culpo e nem a julgo por se sentir assim mas Malu não entende muitas coisas. - que foi? - perguntou daddy quando Malu saiu do quarto de fato. - nada... - digo normal e logo depois sorri. - então vamos por a roupa e ir comer, tá com fome? - concordei. Daddy me vestiu e penteou meu cabelo, dizendo que poderíamos dar um passeio depois de comer e concordei. Lá em baixo Malu pediu desculpas e eu falei que não tinha necessidade pra isso, aí ela falou "assistindo a filmes e séries e conversando com nosso pai, aprendi que palavras machucam uma pessoa e talvez eu tenha te machucado". Queria chorar e abraça-la dizendo que não aconteceu nada por que não aconteceu! Mas sorri e falei que Mariana está presente em nossos corações, Malu disse que seu coração sempre se aquece quando pensa nela e falou que fazia sentido minha frase. Quando saímos da casa do meu pai, ele não quis ir e disse pra gente se divertir. Daddy falou pra ele ligar qualquer coisa mas provavelmente quem vai ligar é o próprio daddy. Fomos pra lanchonete. Como Malu não entendia muitas coisas do cardápio, daddy a ajudou e eu pedi um crepe de dois sabores, doce de leite de um lado e queijo e presunto do outro, pedi dois... Quatro sabores! Está sendo meu lanche favorito ultimamente. Daddy me xingou por que eu não ia comer tudo mas aí eu levo pra casa. Malu gostou do que pedi e quis igual e daddy mostrou as opções de recheio e ela quis de queijo e presunto também mas o outro lado com pasta de amendoim, que ela nunca provou e ela amou! Daddy pediu comida de daddy, café preto e sanduíche de peito de peru. Por que não um x-burguer? Ou um sorvetinho? Eu consegui comer tudo! Daddy ficou de cara comigo. Depois eu e Malu pedimos uma taça de sorvete pra três pessoas e a gente ficou comendo tudo junto. Daddy puxava assunto da Malu que estava ao meu lado e ele na minha frente e Malu respondia tímida. Malu disse que queria experimentar todas as comidas do mundo e ficava perguntando "desde quando isso existe?". Malu nunca provou quase nada... Ela basicamente comia arroz apenas... Comida básica. Mas daddy bonzinho como é, falou que o dia que for e Malu quiser sair pra fazer um lanche, eu e ele iríamos lá buscá-la pra ir em algum restaurante ou na nossa casa mesmo. Malu ficou muito feliz e grata. Ah, ela dizia em tom normal sobre suas notas que estava tirando em trabalhos que ela fazia online. Disse que nosso pai contratou um brasileiro que mora nos Estados Unidos para ensina-la inglês a distância, pelo celular. Ela tá aprendendo tudo! Também falei sobre mim claro, sobre o teatro, muito sobre o natal e Malu ficava feliz e ria toda hora do meu entusiasmo. Agora andávamos no parquinho que tinha um lago. Comendo sorvete no potinho. A gente alimentou os patinhos com pão de forma que daddy comprou de um mini barzinho, ele só comprou o pão meu deus hihi. Mas demos para os patinhos e daddy disse que podíamos ir no parquinho brincar, onde permanecemos por muito tempo e Malu amava por que nunca teve contato com um antes de conhecer a gente. Ebaaa, irmãs de parquinho! [...] Henrique. Já estava bem tarde e Maria foi dormir sem jantar, chamei ela e ela estava muito concentrada no seu w*****d que não quis jantar e acabou dormindo com o celular na mão. Também antes disso comeu muita besteira após chegarmos da rua. Malu ia dormir aqui hoje mas Álvaro disse na ligação que queria ir no shopping com ela pra ela escolher suas roupas pro natal e algumas decorações pro seu quarto. Também não impedi e achei muito bom da parte dele. Estava vendo Deadpool na tv por estar passando em um dos Telecine quando Maria se mexeu e se virou pro outro lado, jogando a b***a em mim mas não olhei ou toquei por que ela dormia. Mas não demorou nem dez segundos e Maria se mexeu e se virou pra mim. - aaaiiiii. - me assustei. - que foi meu amor? Que isso? - a toquei e ela apertava os olhos de dor, foi quando levou a mão até o ouvido. - dor de ouvido? - concordou. - sim... Tá doendo muito. - tirei sua mão dali. - não.. tá vindo ventinho. - colocou de volta. Não sabia qual era o remédio pra dor de ouvido e se tinha não sei. - e tô com fome. - ri. - claro que tá. - me levantei. - vamo lá comer e já vejo se tem remedinho. - ela me deu a mão e esperei a mesma calçar o chinelo. - mais é remedinho de tomar? - penso mas logo n**o. - acho que não... Qualquer coisa tu toma bem rápido e toma água depois. - Maria concordou com medo mas não questionou. Descemos devagar por que parecia que a dor era forte e ela ficava com a mão no ouvido esquerdo. - senta que eu vou esquentar a comida. - mais é o que? - macarrão... Só não tem mais salada. - Maria fez uma cara. - pode comer a torrada do daddy? Mas sem ovinho e só queijo e presunto? - sorri e quis aperta-la mas ela tava dodói. - pode minha coisa mais linda. Quer um nescauzinho também? - concordou. Fiz a torrada e enquanto ela estava na torradeira fui procurar por um remédio na caixa de remédios. Nada, não tinha nada pra dor de ouvido além de paracetamol, que Maria odeia tomar mesmo se for a metade. E são remédios que normalmente não passam as dores da Maria. Maria começou a chorar. - daddy.. tá doendo muito. - meu deus que pena que eu tava dela! - tá, espera aí. - desliguei a torradeira por já estar pronto seu pão e coloquei no prato, indo pro quarto da minha mãe. Abri a porta e fez um barulhão mas entrei. - mãe.. - balancei ela e a mesma se assustou mas se virou pra mim. - que foi meu filho? - colocou a mão no peito. - Maria tá com dor de ouvido e eu não sei oque fazer. - ela pensou. - não tem mais remédio, eu tinha tirado alguns que tavam vencido mas no quarto dos teus irmãos tem lá nas coisas do Pedro eu acho, é de gotinha e tem que colocar cinco, ele é bem forte. - concordei. - vai no ouvido, não na boca. - fiz uma cara e concordei. - tá bom. - preciso me levantar? Quer que eu ajude? - neguei vendo ela já fazer isso. - não precisa mãe, ela vai comer agora e eu vou colocar o remédio. - concordou. - faz assim, quando tu era pequeno eu esquentava algodão na colher junto com um pouco de azeite, esquenta e coloca as gotinhas antes no algodão. - nossa, lembrei disso agora. - e o azeite também? - concordou. - é, pra ajudar mais. Só não me vai queimar a menina, é bem pouquinho que deixa no fogo. - concordei meio óbvio. - tá, boa noite. - boa noite meu filho, qualquer coisa me chama. - concordei e sai do quarto fechando a porta. Maria estava na mesa toda vermelha de chorar e com os pés sobre a cadeira enquanto uma de suas mãos segurava seus joelhos e a outra estava no ouvido. Fiz o Nescau pra ela e levei pra mesa junto com as duas torradas que fiz. - o daddy vai fazer passar tá bom? - dei carinho nela e ela estava tristinha pela dor. Fui pro quarto da Beatriz e do Pedro e a tv tava ligada, não precisei acender a luz pra procurar oque eu queria. Ao lado da porta havia uma enorme parede, até por que a sala de tv era atrás da cozinha e a cozinha é grande. Então nesse espaço tinha uma enorme estante com alguns livros, decorações e muita bagunça que eles colocaram aqui. Mas achei a vasilha de plástico com remédios do Pedro e por sorte tinha algodão ali, peguei um rosinha por que eram bolinhas de algodão colorido. Procurei pelo remédio e consegui ler a palavra "ouvido", então era esse. De volta a cozinha eu fechei a porta e olhei pra Maria. Caidinha e comendo com calma. - daddy dói quando eu mastigo. - seu olhar pedia ajuda. - calma meu amor, vou dar um jeito. - digo com pena indo até o balcão. Peguei uma colher grande e coloquei um pedaço do algodão na colher, pinguei um pouco do azeite e as cinco gotinhas do remédio, levei pro fogo e Maria ficou falando que eu a queimaria mas não cometeria esse erro nunca. Deixei só um pouquinho e já estava bem quente mas eu encostei o pulso por ser mais sensível e não estava pegando fogo. - vira a cabecinha pro daddy colocar meu amor. - ela pareceu com medo mas obedeceu. - mais tá quente? - não tá, tá bem morninho. - peguei e espremi um pouco por ter muito azeite. Coloquei no ouvido dela com cuidado e Maria foi um pouco pra baixo por ter doido mas quando estava lá dentro ela não reclamou. - pronto. - ela se indireitou. - tá bem quentinho. - sorriu e fiz o mesmo. - agora é só esperar um pouquinho. - fui lavar as mãos e guardar oque peguei. - daddy você come comigo? - concordei. - mas come essa torrada? - sequei as mãos olhando pra ela. - mas só um pão não alimenta, por isso fiz dois. - fui pra mesa onde me sentei. - hum? - dei carinho nela. - é que tia Cris e você sempre falam que não pode dormir com a barriga cheia e eu não quero esperar muito pra dormir. - sorri. - não, mas isso vale quando a gente come arroz, feijão... Prato pesado e não um sanduíche ou uma torrada. - ela pareceu pensar. - mas claro, é bom esperar por que pode dar dor de barriga. - ela concordou. - mas você pode comer? - sorri e dei carinho nela. - tá bom. - peguei o outro pão. O bom desse queijo era que dava pra sentir bem o gosto dele, minha mãe sempre compra aquele que é branco e que some no pão e eu comprei o bem amarelo. Muito melhor. Até Maria gostou. Fiz um Nescau pra mim também e lembrei muito da adolescência e infância e Maria começou a dizer que não doía mais quando ela sacudia a cabeça. Funciona mesmo. Aí ela falou "não vejo a hora dos nossos filhos ficarem dodói pra gente cuidar deles". Depois ela falou que não quer que eles fiquem doentes mas entendi o conceito, ela quer cuidar igual eu cuido dela. Quando ela terminou de comer a gente foi pro quarto, nos deitando e Deadpool ainda estava dando e Maria ria com as piadas e palavrões dele. Ela estava com frio e pedia pra eu ficar bem pertinho e obedeci. Em poucos minutos ela dormiu e sinceramente.. fui no mesmo momento, só estava esperando por ela pra desligar a tv. Ajeitei a mesma já que ela estava no meu peito e Maria foi pro seu lado da cama ainda dormindo. Abracei ela por trás e não me lembro quantos segundos demorei pra dormir, por que estava caindo de sono ja.
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