é mais difícil do que parece

1572 Palavras
Depois de dois meses morando sozinho, Júnior estava enlouquecendo. Suas irmãs o criaram exatamente como a mãe queria, e ele fazia todas as tarefas de casa. Então achou que seria tranquilo cuidar de tudo Mas estava exausto. E amarrotado. Por mais que tentasse, não conseguia passar suas camisas. Estava considerando contratar alguém, mas não queria um estranho em sua casa. Pensando nesse dilema, com extremo m*l humor, acabou dando um encontrão em Jones — Meu Deus, Júnior. Você está péssimo — Desculpe, mano. Tá difícil — Não é vergonha voltar pra casa. — Argh. Vou contratar alguém. Só não sei por onde começar. Não quero um estranho, nem indicação do quarteto — Tenho uma solução pra você — Se me mandar voltar pra casa de novo, soco sua cara — Cala a boca. Clara e eu estamos preocupados com Samara — Oi? Por que? — Ela nos comunicou que vai parar o curso de informática e gostaria de ficar com a grana da mensalidade — Que idiotice. E a mesada? — Ela se matriculou em diversos cursos com a mesada. Sempre usa o dinheiro dela com responsabilidade — Se nunca precisou do dinheiro, por que agora? — A amiga, uma criança, está grávida. Ela está tentando ajudar — Que altruísta! A i****a estraga o futuro das duas com um único erro? — Por isso a Clara não permitiu que eu ajudasse. Ela acha que Samara não tem que tomar para si a responsabilidade de Ana engravidar — Eu também acho — Mas Samara é teimosa, e extremamente fiel a Ana. Ela comunicou à mãe que vai parar o curso de qualquer jeito. Porque vai trabalhar pra comprar o enxoval do bebê e não vai ter tempo de fazer cursos. — Meu Deus! E como vai se preparar para o futuro? Parece que ela está quem grávida! — Então. Seu problema me deu uma idéia que pode ajudar nós dois. — Não entendi… — Samara pode arrumar um emprego, mas vai ter que parar os cursos. Se ela puder trabalhar em lugar com horário flexível, ao invés de ser um emprego fixo? — Você está sugerindo contratar sua filha como minha empregada? Endoidou? — Claro que não. Embora não tenha o menor problema nisso. Todo trabalho é digno! — Concordo, mas não está criando suas filhas para serem domésticas, não é? — Não. Estou criando mulheres que me dão um baita orgulho de se sacrificar para ajudar o próximo, mesmo que o problema não seja dela. — Então como a gente resolve isso? — Envio Samara pra te ajudar, pra cuidar de você, que diga-se de passagem, você está precisando. Em troca, você compra o enxoval da menina. — Perfeito. Quando ela começa? — Depende de você — Oi? — Você acha mesmo que eu que vou propor isso pra minha mulher? Se vira, meu n**o! Jones falou e saiu, deixando Júnior pasmo, quebrando a cabeça de como faria isso… Samara olhou para Ana quando ela apertou sua mão, se contorcendo de dor na cadeira de rodas, enquanto sua mãe fazia sua ficha dando entrada no hospital. Ela não poderia acompanhar a amiga por ser menor de idade. Mas ficaria ali durante todo o tempo, dando apoio moral. Deu uma breve olhada na tia Edna na recepção. Como ela podia manter aquela expressão azeda, mesmo numa hora como aquelas? Em que sua única filha estava mais precisando de apoio e carinho? Uma enfermeira veio buscar Ana, foi bem atenciosa com ela e as duas estranharam. Todo mundo com quem lidaram nesses 7 meses, depois que confirmou a gravidez, foi bastante agressivo com Ana. Ninguém aceitava que uma menina de 13 anos estivesse passando por aquilo. Então, quando a enfermeira levou Ana, prometendo que traria notícias, deixou as duas bastante emocionadas. Quando Samara se viu sozinha, angustiada na sala de espera, pensou em tudo o que as duas passaram depois daquele jantar. As duas eram tão amigas, que tinham livre acesso na casa uma da outra, e Samara foi visitá-la no dia seguinte ao jantar pra descobrirem um jeito de fazer o aborto — Eu não concordo com isso, mas se você está disposta, vamos arrumar um jeito — Tem que ser logo, minha mãe está desconfiada — Como ela pode estar desconfiando? Nem teste você fez! — Ela me perguntou se já menstruei esse mês e se usei preservativo na hora da minha vergonha. — Por que você não conta tudo pra ela? Ela pode te ajudar. Se você explicar para ela que você foi abusada quando ele tirou o preservativo, pode ser que ela te entenda e até te ajude com o aborto. — Claro que não. Você não conhece a minha mãe? Ela vai fazer um escândalo para me obrigar a casar com aquele pateta! Não posso, Samara. Não posso! — Fique calma. E como você vai acabar com a desconfiança dela com relação a sua menstruação? — Já bolei um plano. Vou fingir que estou menstruada. Vou até utilizar absorvente enrolado no papel higiênico para convencer ela que eu menstruei e ela não saber que tá atrasada. — Ainda acho que você deveria conversar com ela. Melhor do que inventar história, planos. Se ela descobrir ela vai te matar! — Nem todo mundo tem uma boa relação com a mãe como você tem! E eu não tenho uma mãe com a mente aberta como a sua. Se eu contar para minha mãe que estou grávida, ela vai me obrigar a casar com o Carlos. Esteja certa disso. Voltei para casa preocupada. Eu sabia que isso não ia dar certo. Algo estava me dizendo que Ana não conseguiria enrolar sua mãe por muito tempo. Eu precisava agir, precisava conseguir o dinheiro para o aborto e principalmente, descobrir como íamos fazer isso sem colocar a vida de Ana em risco. E eu estava certa! No dia seguinte o caos começou: a tia Edna descobriu que Ana estava grávida simplesmente porque desconfiou dos absorventes enrolados no papel. Depois de confrontar Ana, tudo piorou consideravelmente, quando Ana confirmou que realmente estava grávida. Enquanto isso, fui tentar salvar a situação porque o Wesley me procurou: queria que eu ajudasse a voltar com a Ana. E então, mesmo sem autorização dela, eu lhe contei sobre a gravidez e a pretensão do aborto, e também sobre como aconteceu. Ele ficou perdido e pediu para eu conversar com a Ana se ele poderia assumir o bebê dela. Como eles passaram bastante tempo juntos ninguém acreditaria que não era dele. Quando eu fui procurar a Ana e contei tudo ela ficou desesperada porque a mãe já sabia da sua gravidez. Eu simplesmente disse para ela contar para a mãe que o bebê era do Wesley, que mesmo que a mãe obrigasse a se casar, seria com o amor dela e não com o Carlos, aquele nojento. E mais uma vez o caos se estabeleceu quando a tia Edna foi conversar com a mãe do Wesley, explicando que a Ana estava grávida dele. Foi extremamente humilhada. A mãe do Wesley expôs a vergonha que a tia Edna fez Ana passar quando disse para toda a escola que Ana tinha se deitado com o Carlos, como ela poderia ter certeza que o bebê era de Wesley? E no dia seguinte, sabendo que o bebê não era do seu filho, a mãe de Wesley saiu da cidade com toda a família. Mais uma vez Ana ficou desamparada. Depois disso, a tia Edna disse que Ana se casaria com Carlos, ao que ela se recusou. Tia Edna não permitiu ela fazer um aborto e disse que ela ia se casar. Depois de toda a briga, a tia Edna aceitou que ela não se casasse. Mas também disse que ela criaria a criança sozinha e que não teria ajuda dela para nada. Ana ficou desesperada! Mesmo que largasse a escola e conseguisse arrumar um emprego grávida e com a idade inferior a permitida para se trabalhar, como criaria a criança? E isso pensando se tudo der certo e ela conseguisse arrumar um emprego? Foi quando Samara disse que ajudaria: ela não iria largar a escola, iriam fazer tudo juntas e íam ser duas pães para aquele bebê. Ela largaria os cursos e usaria o dinheiro para providenciarem o enxoval e se precisasse, ela iria trabalhar. E foi onde tudo começou a dar errado na casa de Samara também! A mãe não aceitava que ela assumisse a responsabilidade junto com Ana. Ela não entendia a amizade, não entendia que Samara não abandonaria Ana. E Samara não compreendia como a mãe não pensava do mesmo jeito que ela! Não foi fácil nem para Ana nem para Samara: as birras começaram em casa, nenhuma das duas queria ceder. Então um dia, em meio a toda tensão, Jones resolveu intervir. Jones e Júnior acham que ela pensou que era tudo uma coincidência, mas enganaram a mãe para ajudar Samara e ajudar Ana. Samara sabe que, no fundo, foi tudo uma armação deles. Pediram para ela cuidar do Júnior porque ele tinha se separado, estava morando sozinho e não sabia passar uma camisa. Não ofereceram nenhuma remuneração por isso e ela nem aceitaria. Claro, depois que aceitou ir cuidar dele de boa vontade, ele disse que faria uma remuneração. Óbvio que a mãe disse que não precisava e ela também. Embora na hora estivesse desesperada: como ela faria para trabalhar, os cursos, a escola e ainda ajudar o Júnior?
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