Lorenzo Narrando... O silêncio da cobertura é ensurdecedor. Eu caminho até a janela de vidro, encaro a cidade lá embaixo. Milhões de pessoas correndo como formigas, cada uma lutando pelo próprio espaço, pelo próprio pão. E aqui em cima, eu, Lorenzo Vasconcellos, sendo tratado como se fosse um moleque desocupado. Um casamento. Um herdeiro. Heitor acha que pode me encurralar. Não percebe que foi ele mesmo quem me ensinou a nunca aceitar coleira. Ainda sinto o cheiro da presença dele no ar. Perfume amadeirado, caro, velho como a arrogância que carrega. Minhas mãos ainda tremem de raiva, mas minha mente já trabalha. Raiva é combustível, mas o plano é arma. — “Encontre uma mulher digna.” — repito, em voz baixa, saboreando a ironia. Mulher digna. Aos olhos de quem? Do conselho? Da imprensa

