O Filho do Silêncio

1433 Palavras

O inverno chegou cedo naquele ano. O vento trazia o cheiro de madeira queimada e de chuva, e a velha casa entre os vinhedos parecia resistir mais por teimosia do que por força. Já fazia três semanas desde a noite da emboscada, e Lorenzo ainda não havia saído dali. Amira acordou com o som do fogo estalando na lareira. As manhãs eram frias, e ele sempre acordava antes dela — uma mania de quem nunca aprendeu a confiar nem no amanhecer. Quando abriu os olhos, o encontrou sentado na poltrona, a camisa aberta e o olhar distante. — Você não dorme mais? — perguntou, a voz rouca de sono. Lorenzo desviou o olhar do fogo. — Dormir é luxo pra quem não tem inimigos. — Então aprende a ser humano. Ele esboçou um sorriso cansado. — Já tentei. Não deu certo. Amira se levantou, caminhando até ele.

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