Pensamentos de Arthur

653 Palavras
Arthur, com a testa franzida, observava os documentos espalhados sobre a mesa, o peso das decisões que estavam tomando se tornando cada vez mais claro para ele. O que antes parecia um desejo de vingança agora era uma realidade. Ele pensava em Elaine, como a viu partir. Ela, com sua presença imponente, seu jeito de mulher forte e independente, mas também vulnerável. Ele sentia uma mistura de emoções: o desejo de tê-la de volta, mas ao mesmo tempo a certeza de que nada mais seria como antes. Sua vida estava, de alguma forma, ligada ao império, e isso significava que o poder, em última instância, era o que o sustentava. “Ela sempre foi minha fraqueza. Mas agora, com o poder nas mãos, quem sou eu sem ela?”, pensou, enquanto seus olhos percorriam os papéis. Rafael, por outro lado, parecia impassível. Ele sempre soubera o que queria, e agora, com a queda de Victor, seu domínio sobre o império estava consolidado. Não havia espaço para dúvidas, nem para arrepender-se. Rafael se aproximou da mesa, observando os documentos com uma precisão meticulosa. — Tudo está nos conformes. Temos a sociedade em nosso nome agora. Victor está fora do jogo. Só nos resta agir — disse, com uma voz baixa e decidida. Arthur apenas assentiu, mas seu olhar permanecia fixo, como se estivesse distante, perdido em seus próprios pensamentos. — Nunca pensei que chegaria a esse ponto — disse Arthur, quebrando o silêncio. — Acho que a gente sempre pensa que as coisas vão seguir de uma certa forma, até que a realidade nos atinge. Rafael lançou um olhar atento para ele, notando a hesitação nas palavras de Arthur. Rafael não tinha espaço para fraquezas, nem para sentimentos. A prioridade era o império, e apenas isso. Mas ele sabia que, dentro de Arthur, havia algo que o impedia de totalmente se entregar ao poder. — A gente nunca sabe o que esperar, Arthur. O império é feito de decisões difíceis. Não temos mais tempo para hesitar. Ou tomamos o controle agora, ou perdemos tudo. Arthur respirou fundo e olhou para o horizonte, com a luz do dia se infiltrando pelas janelas quebradas do galpão onde estavam. A vida como ele conhecia estava mudando, e ele estava se afastando do que sempre o fazia se sentir humano. — E o que faremos com eles? — perguntou, mencionando o trio que agora estava em fuga. — Já disse a você antes: não vou permitir que as coisas sigam assim para sempre. Rafael olhou para Arthur com um sorriso cortante, sem um pingo de piedade nos olhos. — Eles tomaram o caminho deles, e nós tomamos o nosso. Não se esqueça, Arthur. Estamos controlando tudo. O que aconteceu entre nós e eles não importa mais. Eles têm seu destino. E nós temos o nosso. Enquanto isso, a estrada à frente do trio seguia, marcada pela esperança de liberdade, mas também com os fantasmas das decisões passadas. O jogo de poder que começara com Victor, agora estava nas mãos de Rafael e Arthur, mas nem um nem outro poderiam escapar das sombras que esse império lançava sobre suas vidas. Rafael virou-se para a mesa, pegando um copo de whisky. Ele não tinha arrependimentos, mas sabia que, de alguma forma, tudo o que estavam construindo viria com um preço. — A vingança foi concluída, agora o que vem a seguir? — perguntou Arthur, sentindo a pressão de carregar o peso de tudo o que estavam prestes a conquistar. Rafael sorriu, mas dessa vez o sorriso parecia vazio, como se fosse apenas um reflexo de algo que ele já soubera no fundo. — O que vem a seguir? — ele repetiu, como se ponderasse por um momento. — O que vem a seguir é o que sempre quisemos, Arthur. O controle total. O império de Victor é agora nosso. Vamos escrever as regras do jogo a partir de agora.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR