Catherine
Estou parada comendo batata frita enquanto minha mãe separa não sei o que, do casamento dela com o papai.
- Você está comendo dentro do meu closet Catherine? - sim o lugar que escolhemos foi o closet dela, que parece uma casa, e não estou exagerando, realmente é bem grande.
- Não vou sujar o chão, o que é isso na sua
mão? - pergunto mudando de assunto.
- A lista do meu casamento com seu pai - me entrega.
- Senta aí mãe vai - estou sentada no chão e ela como sempre uma lady não sentou - se sujar seu vestido alguém lava, você tem milhares pra trocar - ela resiste no início mais senta.
- Não é sobre o vestido - responde.
- E é sobre o que? - a questiono.
- Abre a lista - muda de assunto.
Olho a lista e tem muitas coisas e muitos coisas mesmo.
- Você pediu um carro? - falo rindo.
- Sim
- E ganhou?
- Claro - vejo minha mãe sorrindo, não sei quando foi a última vez que vi ela fazendo isso por livre e espontânea vontade.
- Tem muitas joias aqui né?
- Filha não esquece que é um casamento na máfia, todos querem impressionar.
- Mãe tem tem joias aqui que são de pedras
raras - falo rindo - o que você justificava para receber tanta joia?
- Pra estar sempre disnubrante pro meu marido
- Meu Deus - falo rindo, esse povo é
maluco - então eu posso pedir o que eu quiser?
- Usando seu casamento, sua casa, sua família como um motivo sim.
- Eu amei, eu posso pedir um quadro que está em uma exposição que tipo é caro, é lindo, é arte pura sabe mãe, eu não sei se a senhora vai entender a dimensão de como aquele quadro é artístico e raro, mas eu não ia conseguir comprar, não sozinha... ia ter que pedir ao papai.
- Não precisa mais, coloque como sua prioridade manter seu lar harmonioso e bem arrumado pra sua família.
- Mãe - falo rindo e ela rir também.
- Filha nesse mundo em que a gente vive não temos tantas oportunidades ou voz, temos que nos satisfazer e usar nosso poder de outras
formas - estou amando essa nova versão dela.
- Onde você estava escondida em? - falo encarando ela.
- Eu sempre estive aqui
- Não tava não, se tivesse meu aniversário de 11 anos tinha sido da moranguinho
- Ainda nisso Catherine, vamos fazer logo essa lista... seu quadro, o que mais ??
- Um conjunto de facas importadas, a da mais
cara - falo enquanto levanto e fico passeando pelo closet da minha mãe e ela está anotando no
papel - Uma joia, mas não essas chamativas de vocês, uma joia discreta.
- Uma só não, no máximo 5
- Tudo isso? - questiono.
- Você sabe a quantidade de pessoas que vem pro seu casamento né.
- Então tá bom
(...)
Depois de quase 1 hora fazendo lista de casamento, eu já não estou aguentando mais.
- Mãe qual sua história com o papai? a senhora nunca contou.
- Filha você já sabe, nos casamos quando eu tinha 20 e com 21 eu tive você - ela nunca fala nada.
- Estou falando da história de verdade mãe, eu não sei nada de vocês, eu não sei nada de você mãe, nada dos meus avós nada.
- Filha algumas coisas a gente não precisa ficar remoendo.
- Eu queria saber sua história, antes de ser esposa do meu pai, você era alguém, tinha amores, vocações, paixões, sua vida não começou aos 20 - vejo ela respirar fundo - eu vou me casar daqui a um mês e não nunca mais vamos ter a oportunidade de ter essa conversa.
- Seus avós não são da máfia - ela solta e já fico chocada aí.
- Não? achei que todos éramos.
- Seu avô trabalhava de caseiro em uma fazenda grande no interior, e lá que eu cresci... minha mãe morreu quando eu tinha 10 anos, então eu fui criada somente pelo meu pai.
Eu nem me mexo direito pra ela não parar de falar e fico somente prestando atenção.
- Eu cresci rodada de bicho e era apaixonada por eles, com 17 anos tive a oportunidade de ir pros Estados Unidos fazer parte de um time de hipismo, fui a ganhadora de uma bolsa, lá eu ganhei algumas medalhas, alguns prêmios, porém quando fiz 20 descobri que seu avô estava com câncer, e voltei pro Brasil pra ajudar meu pai, e aí que seu pai aparece, o Luís era meu melhor amigo da infância e também filho do dono da fazenda, e seu pai era amigo do Luís.
Nos conhecemos, viramos colegas também e até que a situação do meu pai se agravou, e mesmo com o salário que meu pai recebia não dava pra pagar o tratamento, recebemos algumas ajudas, mas mesmo assim não era o suficiente. Foi aí que recebi a proposta do seu pai, ele precisava de uma esposa perfeita já que estava com 34 anos e sem nenhuma pretendente a casamento, e eu precisava do dinheiro pro tratamento do meu pai, e no mesmo ano nos casamos, seu pai bancou todo o tratamento do seu avô e adiou muito a morte dele, e um ano depois você nasceu, e no dia do seu nascimento o meu pai faleceu, eu não pude ver ele porque estava no hospital, mas seu pai deu um jeito de 2 dias depois eu ir onde o corpo dele estava enterrado - vejo como o semblante dela ficou triste.
- Desculpa - ele rir sem mostrar os dentes.
- Você não precisa me pedir desculpas de nada filha, você não tem culpa de nada.
- Desculpa por te julgar tanto.
- Você não sabia de nada, mas agora vamos levantar desse chão que aqui não é lugar pra
mim - dou risada.
- Você ama meu pai, mãe? - pergunto.
- É claro que eu amo seu pai.
- Desde do início, antes do casamento, vocês tinham interesse um pelo outro?
- A gente aprende a amar Catherine, eu só tinha 20 anos... a história minha e do seu pai é bem diferente, mas hoje eu falo que seu pai é o amor da minha vida, sem dúvida nenhuma.
- Será que vou aprender a amar também?
- Se seu marido fizer por onde com certeza
- E se não fizer? - falo e ela rir.
- Vamos ir comer filha