17h42

1033 Palavras
O relógio marcou exatamente 17h42. O corredor parecia respirar com eles. Cada luz fluorescente piscava de forma irregular, projetando sombras longas que se contorciam pelo piso polido. Para Lia, o tempo havia parado. O coração de Daniel batia acelerado, quase audível, e cada fibra do corpo dela estava em alerta máximo. — É agora — murmurou Lia, a voz quase um sussurro, mas firme. — Cada movimento conta. Sofia respirou fundo, observando o corredor. — Ele está aqui — disse, a voz tensa. — O autor dos bilhetes. Lia sentiu o peso da mochila pressionar seus ombros, como se cada bilhete dentro dela estivesse vivo, pulsando com urgência. Ela abriu rapidamente e pegou o décimo bilhete, deslizando quase sozinho entre seus dedos: O autor está mais próximo do que imaginam. Cada decisão de Daniel será observada. Se vacilar, o resultado será inevitável. O trio parou no corredor, posicionando Daniel estrategicamente entre elas e as escadas. Cada movimento do jovem era cuidadoso, os olhos fixos à frente, sem piscar. A tensão era quase tangível, uma pressão invisível que comprimida o ar ao redor. — Ele conhece cada passo nosso — murmurou Lia. — E se estivermos distraídos, não teremos segunda chance. Daniel engoliu em seco. — Então… ele não é apenas um observador. Ele planejou tudo. Cada movimento meu, cada respiração, cada decisão… — Ele parou, como se a própria ideia do controle total dele causasse pânico. — Sim — disse Sofia. — Mas agora precisamos focar na ação. Não podemos prever tudo, só podemos reagir. --- 17h43. Um minuto se passou, mas a tensão parecia se esticar, como se cada segundo durasse uma eternidade. Lia percebeu um leve movimento ao lado de uma coluna próxima à escada. Era sutil, quase imperceptível, mas suficiente para disparar sua intuição: o autor estava mais perto do que jamais haviam imaginado. — Ali — sussurrou Lia, apontando discretamente. — Ele se move. Sofia engoliu em seco, mas assentiu. — Ele nos observa, mas ainda não tentou intervir. Cada segundo conta. Daniel respirava fundo, sentindo o peso da situação, mas tentando se manter firme. — Então tudo depende de nós. — Exatamente — disse Lia. — Cada ação agora pode mudar o destino. Ela segurou novamente a mochila. O décimo primeiro bilhete deslizou para fora quase como se fosse empurrado por mãos invisíveis: Ele está entre vocês. Não olhe para trás. Cada movimento agora determinará se Daniel sobrevive. Lia mostrou rapidamente para Sofia. — Entre nós. Ele está aqui dentro. Daniel arregalou os olhos. — Entre nós? Mas… quem? Lia não respondeu. O momento não permitia distrações. Eles precisavam manter foco total para qualquer movimento crítico. --- 17h44. Dois minutos depois, o corredor parecia se comprimir, cada sombra alongada, cada luz piscando. O autor do bilhete ainda não havia revelado completamente o rosto, mas o jeito de andar, o reflexo parcial, tudo indicava uma familiaridade perturbadora. — Fiquem atentas — disse Lia. — Ele pode tentar uma distração ou interferência. Cada gesto dele tem intenção. Sofia respirou fundo, olhos fixos. — Mas se ele tentar algo agora? — Reagiremos — disse Lia. — Temos que impedir qualquer aproximação de Daniel às escadas. Enquanto avançavam lentamente, a silhueta se movia com precisão calculada, quase como se estivesse testando a reação delas. Cada passo parecia planejado para aumentar a tensão, testar limites. O relógio marcava 17h45. Apenas três minutos haviam se passado, mas a intensidade era esmagadora. O coração de Daniel batia acelerado, suor escorrendo pela testa. Cada músculo estava tenso. — Daniel, mantenha-se firme — murmurou Lia, a voz firme —. Não olhe para trás, não hesite. Cada passo é vital. O autor avançou um passo mais próximo, e Lia percebeu um detalhe que fez seu estômago gelar: um gesto, uma postura que ela já conhecia. Não era um estranho. Alguém próximo, alguém do círculo mais íntimo deles. A revelação parcial acendeu um choque interno. — Ele conhece cada detalhe — murmurou Lia —. E finalmente… podemos ver algo do rosto dele. Daniel engoliu em seco. — Não pode ser… — Precisamos agir agora — disse Sofia, firme. — O tempo está se esgotando. --- 17h46. Cada segundo parecia uma eternidade. As sombras se moviam, os corredores pareciam mais longos, cada som ecoava como um alerta. O autor dos bilhetes ainda permanecia parcialmente escondido, mas sua presença era esmagadora. Lia respirou fundo, três minutos restantes. Precisamos manter Daniel seguro e nos preparar para a intervenção. — Cada movimento agora é decisivo — disse Sofia. — Não podemos vacilar. Ela abriu a mochila mais uma vez. O décimo segundo bilhete deslizou, revelando instruções críticas: Ele tentará interferir fisicamente. Se falharem, Daniel cairá. Vocês têm apenas segundos para reagir. — Ele vai tentar algo — disse Lia. — Preparem-se. Daniel respirou fundo, cada músculo tenso. Cada segundo agora determinaria se ele sobreviveria ou se o bilhete se cumpriria. O relógio marcava 17h47. Um minuto restante até o momento crítico. --- 17h48. O autor moveu-se rapidamente, mas ainda parcialmente nas sombras. Lia sentiu o medo crescer, mas a determinação superava o pânico. Ela sabia que cada passo precisava ser calculado, cada gesto preciso. — Agora! — murmurou Lia. — Sofia, bloqueie a passagem! Sofia avançou, posicionando-se estrategicamente para impedir qualquer tentativa de aproximação. Daniel ficou entre elas, respirando fundo, concentrando-se apenas em não se distrair. O autor recuou por um instante, avaliando a reação delas, cada gesto medido com precisão. Lia percebeu que havia mais do que simples observação — havia uma manipulação psicológica, uma prova de controle total. O relógio marcava 17h49. Cada segundo contava, cada sombra parecia se mover de forma consciente. O autor finalmente revelou parcialmente o rosto: uma familiaridade perturbadora, um detalhe que Lia não podia ignorar. Ela engoliu em seco. — É alguém que conhecemos… alguém que está nos testando… Daniel respirou fundo. — Então… o bilhete estava certo desde o início… — Sim — disse Lia, firme. — Mas ainda podemos mudar o destino. Precisamos apenas agir com precisão agora. O relógio marcou 17h50, mas o momento crítico ainda estava prestes a acontecer. Cada respiração parecia lenta e pesada, cada passo carregado de intenção. O autor se aproximava, e a tensão atingia o ápice.
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