O relógio do laboratório marcava 13h12.
Lia sentiu o peso do bilhete na mochila como se cada palavra gravada nele pulsasse contra sua mão. O papel não era apenas uma mensagem — era uma sentença, um aviso que agora tinha um rosto: Daniel Rocha.
Ela olhou para Sofia, que cruzava os braços, tensa.
— Temos que bolar um plano — disse Lia. — Não podemos simplesmente ficar aqui esperando as 17h42.
— Eu sei — respondeu Sofia. — Mas o que você propõe? Seguir ele? Interromper todas as escadas do prédio?
Lia respirou fundo. Tentava organizar seus pensamentos. O pânico da manhã ainda estava vivo, mas havia algo novo: uma determinação fria.
— Precisamos ser estratégicas — disse finalmente. — Primeiro, vamos garantir que Daniel fique longe das escadas. Depois… descobriremos quem está escrevendo esses bilhetes.
Sofia assentiu. — E se ele não acreditar em nós?
— Então teremos que convencê-lo — disse Lia. — Não há alternativa.
O relógio parecia zombar delas. Cada segundo que passava aproximava a hora marcada.
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Eles caminharam pelo corredor em direção ao saguão principal do segundo andar. Daniel parecia calmo, mas Lia sentia que ele estava desconfiado. Não havia raiva em seu olhar, apenas curiosidade e uma estranha sensação de que ele sabia mais do que dizia.
— Você realmente acredita nesses bilhetes? — perguntou ele, com um tom casual, enquanto olhava para Lia.
— Se não acreditasse, não estaríamos aqui — respondeu Lia, firme. — E você não vai usar essas escadas até as 17h42.
Daniel ergueu uma sobrancelha. — Isso soa… ridículo. Mas se vocês estão certas… posso evitar as escadas.
— Perfeito — disse Lia. — Mas precisamos fazer isso agora, antes que aconteça qualquer coisa inesperada.
Eles caminharam juntos pelo corredor, observando cada porta, cada janela, cada movimento dos estudantes ao redor. O prédio estava cheio de vida, e cada pessoa parecia inconsciente do perigo que pairava no ar.
Enquanto isso, Sofia mantinha-se próxima de Lia, observando os arredores e calculando cada passo. Cada segundo era precioso.
— Precisamos chegar a um local seguro antes de Daniel se distrair — disse Lia baixinho. — Talvez um laboratório vazio.
— Concordo — respondeu Sofia. — E temos que garantir que ninguém mais interfira.
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O trio chegou a um laboratório deserto no segundo andar. As janelas grandes deixavam entrar a luz do sol, iluminando as prateleiras e equipamentos de mídia espalhados pelo local.
Lia respirou fundo e abriu a mochila. Pegou o quinto bilhete, que havia aparecido silenciosamente, deslizando quase como se tivesse surgido por mágica.
Ela o desdobrou com cuidado. A caligrafia era a mesma. Cada letra parecia viva, carregada de urgência.
Daniel Rocha não estará seguro se se distrair.
Evite qualquer contato que possa desviar sua atenção.
O perigo se aproxima rapidamente.
— Olhe — disse Lia, mostrando o papel. — Ele confirma que Daniel precisa ficar atento. Não apenas longe das escadas, mas também consciente.
Daniel pegou o bilhete, observando cada palavra. — Vocês estão me dizendo que devo ignorar tudo e focar apenas em não me distrair?
— Exatamente — disse Sofia. — É a única chance de evitar o que está previsto.
— E se eu não conseguir? — perguntou Daniel, com um leve toque de preocupação na voz.
— Então… — começou Lia, — teremos falhado.
O silêncio caiu no laboratório. Era o tipo de silêncio que fazia cada ruído parecer ensurdecedor: o clique de um computador distante, passos abafados do corredor, até mesmo a respiração de cada um deles parecia ocupar todo o espaço.
— Está bem — disse Daniel finalmente. — Vou confiar em vocês. Mas preciso entender melhor o que está acontecendo.
Lia respirou fundo. — Não sabemos quem escreve os bilhetes. Não sabemos por quê. Mas até agora, cada previsão se confirmou.
— Então tudo que sabemos é que alguém quer que você morra às 17h42 — resumiu Sofia.
Daniel assentiu lentamente. — Certo. Então a missão é simples: não usar as escadas e permanecer focado.
— Exato — disse Lia. — Mas temos pouco tempo.
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O trio saiu do laboratório e começou a monitorar as escadas. Lia percebeu que, à medida que o tempo passava, cada movimento de Daniel era crítico. Ele falava com outros estudantes, sempre mantendo distância das escadas, e Lia sentia a tensão crescendo.
— Está se aproximando — murmurou Sofia, olhando para o relógio. — 15h30.
Lia olhou para Daniel. — Ele precisa se manter ocupado, sem se distrair.
— Concordo — disse Daniel. — Mas não posso simplesmente me trancar em um laboratório até as 17h42.
— Então vamos fazer o seguinte — disse Lia. — Vamos acompanhá-lo discretamente, garantindo que ele não se aproxime das escadas.
Daniel assentiu. O trio começou a se mover pelo corredor, observando cada degrau e cada corredor lateral. Cada passo parecia carregado de risco, e cada segundo era como uma eternidade.
— Ainda não entendo como os bilhetes aparecem — disse Daniel baixinho, quase para si mesmo. — É como se alguém estivesse me observando constantemente.
Lia sentiu um arrepio. O quinto bilhete confirmava exatamente isso. — Exato — disse ela. — E não sabemos quem é.
— Então estamos correndo contra o tempo — disse Sofia. — E contra alguém que nos observa.
O trio continuou monitorando as escadas, enquanto Lia mantinha a mochila perto, sentindo o peso do papel que ainda pulsava com urgência. Cada segundo que passava aproximava-os das 17h42.
— Falta pouco — murmurou Lia, olhando para o relógio. — Pouco mais de duas horas.
— Podemos fazer isso — disse Sofia, tentando manter a calma. — Mas precisamos de um plano para os últimos minutos.
— Concordo — disse Lia. — Precisamos distrair qualquer coisa que possa interferir.
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Enquanto isso, do lado de fora, alguém observava o prédio com atenção meticulosa. Um vulto escuro, imóvel, escondido atrás das árvores que margeavam o campus. Seus olhos acompanhavam cada movimento de Lia, Sofia e Daniel. Cada palavra, cada gesto, cada passo era registrado.
— Elas finalmente entenderam — murmurou o homem. — Mas ainda não estão prontas.
Ele ajustou a posição, mantendo o corpo parcialmente escondido. Havia algo quase ritualístico em seus movimentos, como se estivesse seguindo um roteiro já conhecido.
— Vamos ver se conseguem impedir — disse para si mesmo, um sorriso frio surgindo em seus lábios.
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De volta ao prédio, Lia respirou fundo. Cada movimento de Daniel parecia pequeno demais, quase insignificante, mas para ela, cada detalhe era crucial.
— Ele está prestando atenção? — perguntou Sofia, tensa.
— Sim — respondeu Lia. — Mas ainda faltam quase duas horas. Cada distração agora pode ser fatal.
Lia pegou o bilhete novamente, sentindo as palavras pulsarem na ponta dos dedos. Ela leu mais uma vez em silêncio:
"Daniel Rocha não estará seguro se se distrair.
Evite qualquer contato que possa desviar sua atenção.
O perigo se aproxima rapidamente."
— Temos que mantê-lo longe das escadas, sem que ele perceba que estamos vigiando — disse Lia.
— E se ele se distrair sozinho? — perguntou Sofia.
— Então… — começou Lia, engolindo em seco — — teremos que improvisar.
O relógio marcava agora 15h45. Faltavam menos de duas horas para a hora fatídica.
Lia sentiu o peso do momento. Cada passo que o trio dava, cada movimento de Daniel, cada estudante passando pelos corredores, tudo parecia estar conectado. O tempo estava contra eles, e a sensação de urgência crescia a cada minuto.
— Precisamos pensar em algo — disse Sofia, quase sussurrando. — Antes que seja tarde demais.
Lia olhou para o corredor, para as escadas, para Daniel. — Eu sei — disse ela. — Mas ainda há uma chance. E enquanto houver, vamos fazer tudo para salvá-lo.
O coração de Lia batia tão forte que ela sentia cada segundo ecoando dentro dela. Ela sabia que aquela luta contra o tempo ainda estava apenas começando.
E, naquele instante, um pensamento gelado atravessou sua mente: os bilhetes não vão parar, e o perigo pode estar muito mais perto do que imaginam.