Capítulo 22. Nëgão

800 Palavras

Se você olhar para mim hoje, de terno e gravata, não imagina que meu nome é Rafael e que eu já estive do outro lado das grades. Mas essa não é uma história de crime; é uma história de sobrevivência e do calor que a gente encontra onde menos espera. Eu era o "novato" na ala C. Jovem, pele clara e com um jeito que não combinava com o concreto cinza da prisão. O clima lá dentro é uma panela de pressão constante. O silêncio nunca é total; é sempre acompanhado pelo som metálico de portas batendo ou gritos distantes. Mas no Pavilhão 4, quem mandava no meu corredor era o "n***o", um homem que parecia ter sido talhado em ébano. Ele era imenso, com braços que pareciam troncos e um olhar que impunha respeito sem precisar levantar a voz. A tensão começou na hora do banho coletivo. O vapor subia, e

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