A madrugada era feita de silêncios que falavam alto demais. O mundo lá fora parecia distante, pequeno, irrelevante diante do calor do corpo dele ao redor do dela. Maya despertou antes do sol nascer, seus dedos se movendo lentamente sobre o peito nu de Raul, sentindo o som ritmado da respiração dele. Pela primeira vez em dias, ela não acordou em sobressalto, com a alma ferida ou com os punhos cerrados. Estava ali, aninhada nos braços do homem que havia feito questão de destruir todas as defesas dela e que, ao mesmo tempo, agora as reconstruía com toques gentis e cuidados inesperados. — Vem comigo! Ele disse, a voz rouca, ainda carregada de sono e desejo contido. Ela não perguntou para onde. Apenas se deixou levar, o coração batendo com estranha leveza. Raul a conduziu até o banheiro, o

