O bar era escuro, com luzes vermelhas piscando e cheiro de álcool misturado a perfume barato. Daniel escolheu aquele lugar propositalmente. Afastado do centro, discreto. Ele estava com o olhar perdido, bebendo uísque com os olhos fixos em nada, mas a mente cheia demais. Cheia dela. Maya. O nome doía como faca entrando devagar na pele. A lembrança queimava. O toque que não era mais seu, a voz que não o chamava, os olhos que agora olhavam outro homem. Raul. Ele pediu mais uma dose. O garçom o olhou de soslaio, reconhecendo o tipo: perturbado, instável, talvez até perigoso. Quando Amanda entrou no salão, dançando com naturalidade, o mundo pareceu parar por um instante. Ela era parecida. Os cabelos longos, escuros. O corpo curvilíneo. Os olhos amendoados, embora mais frios que os de Maya.

