Isabela narrando
A quietude da casa na manhã seguinte era um alívio. O silêncio era a única coisa que me fazia esquecer, por um instante, do caos que minha vida havia se tornado. A conversa com Eduardo na delegacia na noite anterior ainda ecoava na minha mente, e o peso da situação de Rafael me deixava sem ar. A única coisa que eu podia fazer, para esvaziar a minha mente, era correr.
Eu me vesti rapidamente. Um top preto, que se ajustava perfeitamente ao meu corpo, e um short curto do mesmo conjunto. A minha roupa de corrida era uma armadura, um uniforme para a minha batalha contra a tristeza. Eu prendi meus cabelos longos em um r**o de cavalo e calcei meus tênis de corrida.
Eu saí de casa, o ar fresco da manhã de Foz do Iguaçu me dando uma sensação de liberdade. Eu fui para a praça que tinha uma pista de corrida, meu lugar de refúgio. O sol da manhã m*l havia nascido, e a praça estava quase vazia.
Eu comecei a correr, e o ritmo da minha corrida era a única coisa que eu conseguia controlar. O som dos meus pés no asfalto, a minha respiração ofegante, o suor escorrendo pelo meu corpo. Era uma forma de me livrar da angústia, de me cansar a ponto de não ter forças para chorar.
Eu estava no meio da minha corrida, quando o meu celular começou a tocar a música. Eu peguei o celular e comecei a mexer, procurando a próxima música. A minha atenção estava toda no celular, e eu não vi o homem que estava na minha frente.
Nós nos trombamos. Eu caí no chão, e o celular voou das minhas mãos. Eu levantei a cabeça, e vi um homem de farda. Ele era alto, forte, com um corpo de atleta, e um olhar que me fez prender a respiração. Era um olhar perdido, distante, como se a sua mente estivesse a milhas de distância.
Eu me levantei rapidamente, e o meu corpo estava em chamas.
— Me desculpa. Eu não te vi — eu disse, com a voz trêmula.
— A culpa foi minha. Eu que estava distraído — ele respondeu, a voz rouca.
Ele se abaixou para pegar o meu celular. Eu vi que a sua farda era da PRF, e o meu coração se apertou. Um policial. O mesmo tipo de pessoa que havia desestruturado a minha família. Mas o olhar dele era diferente. Havia uma tristeza, uma angústia, que eu entendia.
Ele me entregou o celular, e eu o peguei. Nossas mãos se tocaram por um instante, e uma faísca de eletricidade me percorreu. Ele me olhou e, por um instante, o seu olhar se fixou em mim. Eu senti a minha pele queimar sob o seu olhar. Ele olhou para o meu top preto, para a minha cintura, para a minha perna. Eu senti os seus olhos em mim, me analisando, me avaliando. E eu me senti... nua.
Eu me senti vulnerável, mas também me senti intrigada. Ele era um homem atraente, e eu, por um instante, me esqueci do meu problema. Eu me esqueci de tudo.
— Eu… eu sou Isabela — eu disse, a voz ainda trêmula.
— Lucas — ele respondeu, com um sorriso triste.
Nós nos olhamos por um instante, e o silêncio entre nós era pesado, mas não era desconfortável. Era um silêncio de quem se conhece há anos, um silêncio de quem se entende.
— Bem, eu… eu tenho que ir — ele disse, com a voz ainda rouca.
— Sim. Eu também — eu respondi.
Ele se virou e foi embora, e eu o observei, com o coração acelerado. Ele era um homem misterioso, um homem que parecia ter o mundo nas costas.
Eu voltei para a minha corrida, mas a minha mente não estava mais vazia. A imagem de Lucas, do seu olhar triste, e da sua farda da PRF, me veio à mente. O destino, que antes me parecia tão c***l, agora me parecia irônico. Eu havia me encontrado com o inimigo, e eu me sentia intrigada. E, para o meu desespero, eu sentia uma curiosidade perigosa. A mesma curiosidade que, em breve, me levaria a um caminho que eu jamais imaginei que seguiria.