Capítulo 26

774 Palavras
Lucas narrando O momento em que Isabela se virou de costas e começou a desabotoar a blusa pareceu durar uma eternidade. O som dos botões se abrindo era amplificado pelo silêncio opressor daquela sala. Eu estava ali, fardado, a personificação da lei, e ela, do outro lado da linha amarela, prestes a se despir completamente na minha frente. A ironia da situação me atingiu com força. Quando a blusa finalmente caiu no chão, revelando a sua pele clara sob a luz fria do presídio, meu coração deu um salto. Ela estava de costas para mim, os ombros tensos, a nuca delicada adornada por alguns fios soltos de cabelo escuro. Uma onda de calor percorreu meu corpo. Por um instante, esqueci onde estava, quem eu era. Vi apenas a mulher. A mulher que eu conheci na praça, na academia, a mulher que me ajudou a trocar o pneu. A mulher que despertava em mim algo que eu não sentia há muito tempo. Ela hesitou por um segundo antes de levar as mãos à fivela do jeans. O barulho do zíper descendo pareceu ensurdecedor. Quando a calça escorregou pelas suas pernas, revelando a curva suave de seus quadris e a delicadeza de suas coxas, meu olhar a percorreu involuntariamente. A lingerie de renda preta contrastava com a sua pele clara, acendendo em mim um desejo incontrolável. Naquele instante, o policial frio e profissional que eu tentava ser ruiu. Eu era apenas um homem, fascinado pela beleza daquela mulher vulnerável à minha frente. Me peguei observando a linha graciosa de suas costas, a forma como seus músculos se contraíam levemente sob a pele. Um ardor percorreu meu baixo ventre, e a excitação começou a nublar meu julgamento. Um pigarro hesitante da parte dela me trouxe de volta à dura realidade. Eu estava ali para fazer uma revista, um procedimento de segurança. Ela era a irmã de um detento, e eu era o policial encarregado da vistoria. O profissionalismo tinha que prevalecer. — Me desculpe, Isabela — eu disse, a voz um pouco rouca, desviando o olhar para os papéis na mesa. — É o procedimento padrão. Ela não respondeu, e eu a ouvi abaixar a calcinha. O silêncio na sala era palpável, carregado de tensão e um constrangimento mútuo. Eu sabia que ela estava nervosa, sentindo-se exposta e vulnerável. E eu, por minha vez, lutava contra a excitação que tomava conta de mim. Quando ela perguntou sobre o procedimento, minha voz saiu um pouco mais firme, tentando retomar o controle da situação. — Isabela, o procedimento consiste em… em um toque superficial para garantir que nada de ilícito está sendo escondido. Senti o tremor em sua voz quando ela respondeu: — Eu… eu nunca fiz isso antes. Estou muito nervosa. Aquela confissão me atingiu como um soco. A fragilidade em sua voz, a vulnerabilidade em sua postura… tudo isso mexeu comigo de uma forma intensa. O desejo que eu sentia se misturou a uma necessidade avassaladora de protegê-la, de afastá-la daquela situação humilhante. Naquele momento, o que eu realmente queria era poder abraçá-la, cobri-la, tirá-la dali. O que eu queria não podia acontecer naquela sala fria e impessoal, sob o peso da minha farda e do meu dever. O que eu queria era muito mais do que um toque superficial, era a i********e, a entrega, o calor dos seus braços. Mas ali, naquele instante, o desejo falou mais alto. A proximidade, a tensão, a visão do seu corpo nu na minha frente… era demais para suportar. Me levantei da cadeira, ignorando completamente o protocolo, e me aproximei dela. Ela estava de costas, a pele arrepiada. Hesitei por um momento, lutando contra a razão e o desejo. Mas a necessidade de tocá-la era avassaladora. Levei minhas mãos aos seus ombros, sentindo a sua pele macia e quente sob meus dedos. Ela estremeceu. Ela se virou lentamente, os olhos marejados, a nudez expondo não apenas o seu corpo, mas também a sua vulnerabilidade. Nossos olhares se encontraram, e naquele instante, o tempo parou. Não havia presídio, não havia farda, não havia lei. Havia apenas um homem e uma mulher, conectados por uma atração poderosa e proibida. Eu sabia que não podia fazer aquilo. Sabia que estava cruzando uma linha perigosa. Mas naquele momento, nada mais importava. Aproximei meu rosto do dela, sentindo sua respiração quente em minha pele. E então, nossos lábios se encontraram em um beijo desesperado e urgente. Um beijo que misturava desejo, tensão, medo e uma intensidade avassaladora. Ela estava nua, vulnerável em meus braços, e eu, fardado, quebrando todas as regras por ela. Aquele beijo era a nossa transgressão, o nosso segredo naquele lugar inóspito.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR