A segunda-feira amanheceu pesada para Daniela. Não porque estivesse cansada fisicamente — o fim de semana na praia tinha feito bem —, mas porque o silêncio tinha peso. Dois dias inteiros sem responder nenhuma mensagem. Dois dias sabendo, no fundo, que aquilo não ia passar em branco. Ela se arrumou com calma. Roupa simples, discreta, cabelo preso. Não por medo. Por escolha. Pegou a bolsa, respirou fundo antes de sair do apartamento e seguiu para a penitenciária com aquela sensação incomoda de quem sabe que algo a espera. O portão se fechou atrás dela com o mesmo som metálico de sempre. O guarda a reconheceu, fez o procedimento padrão, e Daniela atravessou os corredores como já tinha feito tantas vezes. Ainda assim, algo estava diferente. O ar parecia mais denso. Os olhares, mais atentos.

