A noite já tinha tomado conta do Morro da Esperança quando Coringa voltou para a sala da boca. O lugar era simples, mas carregava o peso de tudo que acontecia no morro. Uma mesa grande no centro, algumas cadeiras espalhadas, rádios chiando em cima da madeira, celulares vibrando a cada poucos minutos e o cheiro constante de cigarro e dinheiro. Cinco anos fora mudam muita coisa. Mas algumas coisas não mudam nunca. Aquela sala era uma delas. Coringa entrou devagar, olhando em volta como quem confere se tudo ainda está no lugar. Os vapores que estavam ali dentro ficaram mais atentos na mesma hora. Alguns endireitaram a postura, outros pararam de falar no rádio. — Suave, chefe — um deles disse. Coringa assentiu com a cabeça. — Suave. Ele caminhou até a mesa e puxou a cadeira principal,

