CORINGA - VISITA

1008 Palavras

Entrei por último na sala. Quinze homens algemados. Barulho alto demais pra um espaço fechado. Risadas soltas, gargalhadas forçadas, aquela euforia burra de quem acha que, por estar em grupo, pode tudo. Jogavam palavras sujas na menina como se fosse parte do cenário. Como se não tivesse nome. Como se não estivesse ali por obrigação, escoltada, exposta. Fiquei parado na porta por alguns segundos, só observando. Ela estava de pé. Pequena. Ombros tensos. Mãos fechadas na frente do corpo. O rosto não tremia. O queixo não baixava. Não chorava. Não implorava. Não fazia nada do que eles esperavam. Isso me irritou. Não gosto de gente que não reage do jeito certo. Medo fora de lugar cria problema. — Cala a boca, p***a. Não precisei repetir. O silêncio caiu pesado, quase físico. Nenhum deles

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