Capítulo 4 – Ácura.

2242 Palavras
    O clima da casa mudou em poucos segundos, o calor da tarde parecia ter sido substituído por uma noite fria, a casa estava escura, apenas algumas janelas entreabertas deixavam passar poucos raios de luz enfraquecidos pelas árvores do lado de fora, mesmo não sentindo frio Flames percebeu que tudo estava gelado e teve a impressão de ver uma fumaça passar entre suas pernas. Antes que Flames perguntasse qualquer coisa Thor tomou a voz. - Eu também. – Ele ergueu as mangas e uma fumaça gélida saiu de seu braço e sua mão se transformou em uma pedra de gelo azul, Flames pensou que era uma brincadeira e chegou ate a procurar o braço verdadeiro de Thor, mas percebeu que aquilo era real quando as pedras de gelo que eram os dedos moveram-se suavemente, Flames olhou espantado para aquilo, não acreditava nos próprios olhos, não existiam magos de gelo pensava ele enquanto observava admirado a fumaça gélida escorrendo suavemente do braço de Thor.  "Água, fogo, terra e ar." Pensou Flames revisando os quatro elementos, essa era uma regra básica da magia Elemental, só haviam quatro elementos, ele não entendia o que era aquilo.  Diana sorriu gentilmente do rosto confuso de Flames enquanto ele tentava compreender a situação. - Existe uma linhagem de magos de gelo? Por que ninguém nunca me contou isso? – Milhões de perguntas curiosas se passaram na cabeça de Flames, mas ele tentou se controlar, só o fato de um mago com uma magia tão rara se revelar para alguém que acabou de conhecer já demonstrava sua imensa coragem, confiança ou estupidez. - Não, a magia não foi presente na minha vida durante minha infância, mas quando eu estava na água acontecia coisas estranhas, eu não sabia como contar para as outras pessoas, só quando fiquei adulto eu descobri que possuía magia elemental, alguns anos depois de quando descobri minha magia e a dominei por completo eu consegui evoluí-la para a magia de gelo, eu sou naturalmente um mago de água, a magia de gelo não é herança de sangue, ela é uma evolução, se magos são raros, os que conseguem transmutar sua magia para o próximo patamar são ainda mais, isso é considerado quase impossível, vivi uma vida inteira para conseguir isso e mesmo quando consegui eu ainda não acreditava, achei que morreria sem conseguir isso mesmo essa não sendo minha ambição. – Explicou Thor, a resposta deixou Flames animado com a ideia de evoluir sua magia. - Mas isso não é algo pelo qual você deve buscar. - Falou Thor acalmando os ânimos de Flames. - Se sua magia tiver que passar por uma evolução ela fará isso naturalmente. - Queria eu poder dominar mesmo que um pouco minha magia, ela é estranha, as vezes não parece que sou eu que a controlo, alguém com uma brasa na mão possui o mesmo poder que eu. – Flames disse com um tom de desânimo em sua voz. - Com paciência e prática não há nada que não se possa dominar, esse livro vai lhe ajudar com conselhos sobre sua magia. – Afirmou Diana empurrando o livro para perto dele. – Ele não só revela magos, mas também os lê por dentro, quando ele se reescreveu ele estava preparando-se para você Flames, nele está escrito o que você precisa saber sobre você mesmo e sobre sua magia.  Nesse momento Flames ficou feliz por saber ler, Dammy praticamente obrigava-o a estudar mesmo contra a sua vontade, ele fechou os olhos e à agradeceu em voz baixa torcendo para que ela estivesse bem. - Vocês três são magos? - Questionou Flames, curioso. - Não, eu sou só uma pessoa normal. – Respondeu Diana brincando. - A magia dela é cozinhar como uma deusa. - Thor brincou. - Mas Ácura também é uma maga. - Continuou ela. - Ela demonstra muita facilidade em dominar a magia porque preparei ela para isso desde muito nova, ensinei ela a lutar e usar armas para ela se proteger e ela aprendeu tudo tão fácil que me surpreendeu. - Contou Thor orgulhoso. - Isso de aprender rápido ela puxou de mim. - Diana disse.  Foi quando o pequeno filhote entrou na casa e deitou-se ao pé da mesa grunhindo, parecia estar com fome. - Vocês têm um pedaço de carne crua? - Perguntou Flames, ele sabia que o filhote não comia nada a dias, mas mesmo assim quis tentar. - Vai ser difícil fazê-lo comer, ele está muito doente. – Afirmou Thor pegando um pedaço de carne e entregando nas mãos dele.  Flames aproximou a carne perto do focinho do filhote, mas ele não demonstrou interesse algum, apenas olhava pelo canto dos olhos, Flames apertou a carne vermelha entre os dedos e começou a aquecê-la até que subiu uma pequena fumaça, a gordura escorreu por entre seus dedos e ele aproximou a mão para perto da boca do filhote que começou a lamber, depois disso Flames soltou a carne no chão e ele começou a rasgá-la com seus pequenos dentes afiados e engolia pequenos pedaços. - Você leva jeito com animais, mais alguns dias de fome e ele morreria. – Disse Diana um pouco admirada.  Flames deu um sorriso como resposta, ele tinha afinidade com animais, na ausência de amigos ele encontrava companhia com os animais da vila. - O que posso fazer para ajudar vocês? Já que vou ficar um tempo aqui, quero ajudá-los no que eu puder. – Disse Flames querendo participar das tarefas da casa. - Você pode ajudar Ácura com os cavalos. – Sugeriu Thor. – Enquanto isso eu vou preparar o quarto para você. - Pode deixar. – Flames tentava não demonstrar que estava feliz por ir ajudá-la, ele tinha visto nela uma boa companhia desde o primeiro momento que fitou os olhos nela, queria conhecê-la melhor e ajudá-la a sós em uma tarefa era a oportunidade perfeita. ...  Ácura selava um enorme cavalo preto, tão alto que suas costas ficavam mais altas que ela, ela checava se os arreios estavam todos firmes, os cascos do cavalo eram do Tamanho da cabeça de Flames, ele era bem cuidado, com um pelo brilhante e uma longa calda.  O cheiro das plantas e dos animais era bastante agradável para Flames, estar tão próximo da natureza o fazia muito bem já que ele passava grande parte do seu tempo nas matas. - Oi. - Flames chamou atenção dela. - Oi. - Respondeu ela sorrindo depois de tomar um pequeno susto. - Seu pai pediu que eu te ajudasse com os cavalos, o que eu posso fazer? - Disse ele, sentia-se um pouco intimidado conversando com uma menina mesmo ela estando completamente a vontade na presença dele. - Não tem muita coisa pra fazer agora, mas você pode me ajuda com esse aqui, ele é alto, e me dar muito trabalho pôr a sela nele. - Contou ela enquanto puxava os arreios com toda a força que tinha. - Toma cuidado quando chegar perto, ele não é acostumado com estranhos.  Flames chegava mais perto e à medida que ele se aproximava ele percebia o cavalo olhando-o pelo canto dos olhos enquanto movia suas orelhas desconfiado, um coice certeiro daquele cavalo jogaria até um homem adulto no chão. - Então, seu pai me contou que você é uma maga d'água. - Flames tentava puxar assunto, mas ela lançou um olhar penetrante para ele, confusa por seu pai ter contado isso. - Porque ele te contou isso? - Perguntou nervosa, pois cativava o mesmo receio de que soubessem que ela era uma maga que ele. - Calma, eu também sou um mago. - Disse colocando um dos dedos em chamas. - Um mago de fogo... - Murmurou ela olhando admirada as chamas tremulantes em seu dedo. - Eu nunca tinha visto outro mago fora meu pai. - E eu nunca tinha conhecido nenhum mago fora minha mãe, um dia um mago famoso passou pela minha vila indo em direção a alguma frente de batalha, mas a multidão de soldados e curiosos que o seguia era tão extensa que não tive oportunidade nem de ver seu rosto, eu nem sei se era um mago mesmo, foi o que me disseram.  Enquanto ele falava o pequeno filhote veio correndo entre saltos e sentou-se diante dele, parecia bem mais animado, com um olhar brincalhão. - Parece que ele gostou de você, dizem que os animais sabem quando a pessoa é confiável. - Contou ela esboçando um sorriso no canto da boca, ela parecia mais confiante novamente. - Vem, vamos selar outro cavalo, eu estava indo a um lugar e acho que você pode ir junto.  Flames com a ajuda dela selou um cavalo um pouco menor e mais manso para a felicidade dele, o cavalo que ela montava parecia agressivo o que o fazia preferir não chegar muito perto, ele colocou o pequeno filhote consigo em cima do cavalo e saíram, ele estava ansioso para saber onde ela estava o levando e esforçava-se para se manter equilibrado em cima do cavalo que aumentava a velocidade de suas passadas a medida que Ácura também acelerava.  Ele a admirava montada naquele enorme cavalo, em cima dele ela parecia ainda menor, o pelo n***o bem escovado brilhava ao refletir o amarelo opaco da luz do sol, sua extensa pele curvava-se sobre os músculos saltados, Majestoso. Pensar que aquele animal obedeceria a alguém tão menor que ele não parecia possível, mas Ácura fazia aquilo com maestria.  Seus cabelos ondulavam a medida que vento chocava-se contra eles atraindo a atenção de Flames, a calça de couro justa realçava seus quadris que ele tentava disfarçar que não estava olhando todas as vezes que ela virava-se para ver se ele a acompanhava, o filhote entre suas pernas parecia sorrir ao vento com sua língua de fora, ele tinha mesmo mudado seu humor.  Enfim ela parou o cavalo embaixo de uma grande árvore e desceu dele com um pulo dobrando o joelho para amortecer a queda, ele parou logo ao lado dela, estavam em um enorme campo aberto, que estendia-se por dezenas de metros até alcançar a linha da floresta novamente, o extenso tapete de grama era enfeitado com pequenas flores brancas que refletiam a luz alaranjada do sol poente quase como um espelho, as pétalas caídas vagueavam pelo ar levadas pelo vento que as jogavam para cima em pequenos redemoinhos, o relevo do lugar era bem plano com apenas algumas rochas, o ar puro inundava seus pulmões os dando uma enorme sensação de liberdade.  Ácura amarrou os cavalos em uma das árvores e os deixou pastando, o verde da grama indicava que para eles era uma ótima refeição. - Vem, tenta me acompanhar. - Disse ela correndo em direção a um lago que se encontrava um pouco mais à frente.  Flames entrou no jogo e correu atrás dela tentando acompanhá-la, logo atrás vinha o filhote saltando alegre.  Eles chegaram ofegantes nas margens do lago, ela sorriu e falou. - Cheguei primeiro. - Disse ela tentando recuperar o ar. - Eu nem sabia que era uma corrida, e você saiu na frente não é justo. - Defendeu-se ele sorrindo. - Deixa de ser chorão, aceita que você perdeu. - Zombou ela brincando.  Os dois sentaram-se a beira do lago e descansaram, observar a água ir e vir ouvindo o som do vento era aconchegante, o filhote tocava sua pata dianteira na água e a puxava rapidamente tentando pegar os pequenos peixes que ficavam na beirada. - Não vai dar um nome a ele? - Perguntou ela. - Ele é de vocês, acho que você quem deveria dar um nome a ele. - Respondeu Flames. - Mas foi você quem o fez voltar a comer, se não fosse isso ele morreria, então você o salvou e agora ele é sua responsabilidade. - Ela falou. - Vai, você pode escolher algo simples. - Que tal... - Ele deu uma pausa para pensar. - Juba! - Juba? Que nome é esse? - Ela deu uma enorme risada. - Talvez ele seja um leão e leões tem jubas, então o nome dele vai ser juba. - disse ele a acompanhando na risada.  O filhote viu algo longe, era um pequeno roedor, ele começou a se arrastar por entre a grama enquanto se aproximava cada vez mais, o jeito que ele se esgueirava lembrava a Flames um gato selvagem, quando ele chegou a uma distância considerável, ele correu em disparada e atacou o roedor em um salto prendendo seus dentes finos no pescoço do bicho que não notou nem o que o atacou antes de morrer. - Ele é um ótimo caçador. - Afirmou ela enquanto uma mecha de cabelo caiu sobre seus olhos. - Ele é sim. - Concordou Flames admirado com os extintos de Juba que já de desenvolviam desde cedo.  Uma mecha o cabelo de Ácura novamente escorreu cobrindo um de seus olhos. - Seu cabelo é lindo. - Comentou Flames com um singelo elogio.  Ela ficou corada com o elogio, parecia estar tão tímida quanto ele.  Quando Flames notou o nervosismo dela ele se acalmou um pouco, talvez aquilo não fosse coisa apenas dele, ele pensou. - Obrigada, o seu também é bem bonito. - Sussurrou ela de volta com um sorriso sem jeito. Ele não conseguia para de notar o quanto ela ficava bela quando ficava corada. - Vou te mostrar porque eu venho sempre aqui. - Falou ela se levantando e estendendo as mãos para a água. Continua...
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