Ele sentou-se e a olhou, seus olhos ansiosos deixaram-na com ainda mais receio de lhe contar a verdade, porém a essa altura ela não poderia voltar atrás.
- Bom, sei pouco sobre o seu pai, o que sei ele veio de Kings Town em uma caravana de soldados que voltavam das linhas de frente ao sul da muralha, eles pararam aqui na vila para descansar antes de pegarem a estrada novamente, seu pai era um homem alto e bem-vestido por algum motivo todas as mulheres da vila estavam afim dele mesmo com todo porte arrogante que ele exibia, mas ele recusou ficar com qualquer mulher, exceto sua mãe, ela chamou a atenção apesar de não ter tentado, ele passou apenas um dia aqui e depois partiu e nunca mais voltou, sem se importar nem um pouco com sua mãe ou com você, talvez você tenha criado uma imagem positiva de seu pai durante todos esses anos, mas ele não era nada disso, por isso sua mãe evitava falar sobre o assunto. – Contou ela. Flames a encarou confuso, parecia que aquela história não o havia caído bem, como se esperasse ouvir muito mais que isso. – Eu sinceramente não sei quem ele é, nem se está vivo ou não.
Flames olhou pra baixo tentando disfarçar sua expressão triste, definitivamente não era essa a resposta que ele queria ouvir. Evidentemente havia um conflito de pensamentos em sua cabeça, todavia ele sabia que Dammy estava contando a verdade, afinal ela era uma péssima mentirosa e ele teria percebido a mentira no primeiro instante, então ele a deu um sorriso um pouco forçado.
Ela se aproximou dele e sussurrou um sobrenome em seu ouvido, não o Hodrison que vinha de sua mãe, mas o sobrenome do seu pai e mandou que ele não contasse para ninguém, esse nome o traria má sorte. Ele não lembrava onde tinha ouvido esse nome antes, mesmo assim sentia que ele lhe parecia familiar.
Ela sentou do lado dele e passou a mão por cima do seu ombro. – Não quero que fique triste, espero que nunca tente encontrar seu pai, sua mãe fez de tudo para não despertar esse desejo em você e não quero sentir que a trai contando isso. – Exclamou ela o dando um beijo aconchegante na testa.
- Eu não estou triste, está tudo bem. – Ele falou mesmo não acreditando em suas próprias palavras.
- Flames. – Gritou uma garotinha entrando na casa e abraçando as pernas dele, era Camyli, filha de Dammy, ela tinha cinco anos, suas bochechas eram rosadas e possuía pequenos cachos dourados que quando estavam soltos pareciam um arbusto amarelo cobrindo seu rosto. - Você ouviu? tem gigantes em Obrehim. - Ela disse eufórica.
- Gigantes? do que está falando? - Perguntou Flames fazendo cócegas nela.
- Doluvor o dono da peixaria espalhou por todo vilarejo que viu um gigante dormindo a beira de uma árvore quando foi pescar, ele jura que é verdade, mas todos sabem que ele adora inventar histórias, além do mais faz tanto tempo que não existem gigantes que eu até acho que são apenas lendas. - Disse Dammy, incrédula, era típico dela, era tão sem fé que não acreditaria mesmo se um deus aparecesse em sua frente.
- Vivo dentro daquela mata e nunca vi gigante algum. - Disse Flames, de fato Doluvor era muito aluado.
- Pelo menos as crianças gostam de ouvi-lo, deve ser bom para estimular a imaginação ou algo assim, bom, vou indo, depois passo para pegar a carne. – Dammy pegou Camyli nos braços. – Trate de tomar um banho, você ainda cheira a carne.
Ele cheirou-se e viu que ela tinha razão.
- Chau, Flames. - Gritou Camyli por cima do ombro da mãe exibindo um inocente sorriso banguelo.
Ela deixou a casa, porém sabia que ele não desistiria de saber quem era seu pai assim tão fácil e esse pensamento pesava na cabeça dela.
...
Flames andava pela vila com uma pequena bolsa de dinheiro que ele havia conseguido vendendo a pele e os chifres do alce e também um pouco de suas economias, isso lhe rendera seis moedas de prata e dezessete de cobre o que era uma boa quantia. Vinte moedas de bronze valiam o mesmo que uma moeda de prata, e dez moedas de prata valiam o mesmo que uma de ouro, normalmente um trabalhador comum faturava por mês de trabalho cerca de duas moedas de prata. O dia estava bastante iluminado pelo sol mesmo assim não fazia calor, o clima estava perfeito para uma tarde já que o sol costumava se esconder quase sempre por aquelas regiões. O destino de Flames era uma pequena loja de armas, pois a tempos ele desejava uma espada, ela era a única espada daquele modelo que havia naquela vila, ele a empunhou uma vez, era leve e firme, parecia obedecer aos comandos mais fácil que as outras e possuía uma beleza singular, adornadas com pedras brilhantes e feita com aço nobre por isso era tão valiosa, o tipo de arma que um cavaleiro carregava, conseguir aquela espada era o sonho dele e ele ansiava por empunhá-la e testá-la em qualquer uma de suas caçadas.
A rua onde ficava a loja de armas era um ponto comercial bastante conhecido, tinha todos os tipos de mercadorias e estava sempre cheia de pessoas, ao chegar na esquina dessa rua Flames viu uma correria, maior do que a costumeiramente acontecia, as pessoas abandonavam suas mercadorias e suas lojas em desespero correndo na direção oposta à que Flames ia formando uma cortina de poeira no chão de barro batido, Ele ficou assustado ao mesmo tempo que o desespero das outras pessoas o deixava ainda mais curioso para saber do que elas fugiam, mas ninguém parecia estar disposto a parar para explicar, Flames curioso ficou e foi olhar o que acontecera, foi quando ele ouviu estrondos no portão principal da vila, as pancadas no grosso portão de madeira eram muito fortes a ponto de fazê-lo ceder aos poucos, revelando a ponta de um enorme aríete.
- São os soldados de Kandaram. - Gritou um homem passando por Flames às pressas, tropeçando em pedregulhos no caminho.
Kandaram era um reino vizinho, enorme por sinal já que havia tomado todas as terras ao redor, Obrehim foi um dos reinos próximos permaneceu firme por décadas impedindo que Kandaram se expandisse por seu território, o que fez Kandaram odiá-lo mais ainda, os dois reinos eram tão próximos que um “cessar fogo” entre os dois teve que ser feita no passado para evitar mortes sem motivos, mesmo assim conflitos entre os dois sempre existiram, pois Kandaram possuía homens de temperamento explosivo e o bom convívio em sociedade não era um assunto que os interessava muito, uma guerra era algo previsto, no entanto eles nunca tinham tomado a iniciativa até o momento, atacar uma das vilas de Obrehim seria algo que o rei nunca deixaria impune, todos sabiam o quanto ele protetor com seu reino e isso as vezes tornava-o um homem agressivo.
Flames correu na direção oposta aos soldados o mais rápido que conseguiu quando viu que alguns deles já passavam pelo portão, grandes homens com armaduras pesadas e longas espadas. No meio da correria Flames quase pisou em uma criança caída, ela estava quase inconsciente e bastante machucada, provavelmente tinha sido pisoteada no meio da correria, apesar dos gritos enfurecidos dos soldados Kandarensses em suas costas Flames abaixou-se para apanhá-la, então ouviu sua mãe gritando desesperada. Ele a tomou em seus braços e a levou nas pressas para ela, assim que a entregou a mulher sorriu e tomou fôlego para lhe falar algo, todavia logo seu sorriso foi substituído por uma cara de espanto ao olhar para trás de Flames, foi quando ele sentiu um chute pesado nas suas costas que o jogou de cara no chão empoeirado.
Ele se levantou sacudindo a poeira ainda tentava entender o que havia acontecido, logo olhou para trás e viu um soldado com quase um metro e noventa de altura se erguendo sobre ele, o soldado esfregou sua bota no chão como se tivesse a sujado ao tocar em Flames, estava usando uma grande armadura de ferro que o fazia parecer quase invencível, o homem ergueu a espada sobre Flames fazendo a luz do sol refletir em seus olhos e Flames sorrateiramente deslizou para perto do homem tentando escapar do caminho da sua lâmina, ele chegou tão perto do soldado que pode perceber uma pequena brecha entre o peitoral da sua armadura e a parte da cintura, não era muito grande, mas foi o suficiente para a mão em chamas de Flames passar, sua mão facilmente penetrou a pele do soldado tão facilmente que ele teve trabalho ao tentar retirá-la, quando conseguiu se soltar Flames olhou para o homem que o encarava e Ele sentou-se e a olhou, seus olhos ansiosos deixaram-na com ainda mais receio de lhe contar a verdade, porém a essa altura ela não poderia voltar atrás.
- Bom, sei pouco sobre o seu pai, o que sei ele veio de Kings Town em uma caravana de soldados que voltavam das linhas de frente ao sul da muralha, eles pararam aqui na vila para descansar antes de pegarem a estrada novamente, seu pai era um homem alto e bem-vestido por algum motivo todas as mulheres da vila estavam afim dele mesmo com todo porte arrogante que ele exibia, mas ele recusou ficar com qualquer mulher, exceto sua mãe, ela chamou a atenção apesar de não ter tentado, ele passou apenas um dia aqui e depois partiu e nunca mais voltou, sem se importar nem um pouco com sua mãe ou com você, talvez você tenha criado uma imagem positiva de seu pai durante todos esses anos, mas ele não era nada disso, por isso sua mãe evitava falar sobre o assunto. – Contou ela. Flames a encarou confuso, parecia que aquela história não o havia caído bem, como se esperasse ouvir muito mais que isso. – Eu sinceramente não sei quem ele é, nem se está vivo ou não.
Flames olhou pra baixo tentando disfarçar sua expressão triste, definitivamente não era essa a resposta que ele queria ouvir. Evidentemente havia um conflito de pensamentos em sua cabeça, todavia ele sabia que Dammy estava contando a verdade, afinal ela era uma péssima mentirosa e ele teria percebido a mentira no primeiro instante, então ele a deu um sorriso um pouco forçado e não quis mais falar sobre o assunto.
Ela se aproximou dele e sussurrou um sobrenome em seu ouvido, não o Hodrison que vinha de sua mãe, mas o sobrenome do seu pai e mandou que ele não contasse para ninguém, esse nome o traria má sorte. Ele não lembrava onde tinha ouvido esse nome antes, mesmo assim sentia que ele lhe parecia familiar.
Ela sentou do lado dele e passou a mão por cima do seu ombro. – Não quero que fique triste, espero que nunca tente encontrar seu pai, sua mãe fez de tudo para não despertar esse desejo em você e não quero sentir que a trai contando isso. – Exclamou ela o dando um beijo aconchegante na testa.
- Eu não estou triste, está tudo bem. – Ele falou mesmo não acreditando em suas próprias palavras.
- Flames. – Gritou uma garotinha entrando na casa e abraçando as pernas dele, era Camyli, filha de Dammy, ela tinha cinco anos, suas bochechas eram rosadas e possuía pequenos cachos dourados que quando estavam soltos pareciam um arbusto amarelo cobrindo seu rosto. - Você ouviu? tem gigantes em Obrehim. - Ela disse eufórica.
- Gigantes? do que está falando? - Perguntou Flames fazendo cócegas nela.
- Doluvor o dono da peixaria espalhou por todo vilarejo que viu um gigante dormindo a beira de uma árvore quando foi pescar, ele jura que é verdade, mas todos sabem que ele adora inventar histórias, além do mais faz tanto tempo que não existem gigantes que eu até acho que são apenas lendas. - Disse Dammy, incrédula, era típico dela, era tão sem fé que não acreditaria mesmo se um deus aparecesse em sua frente.
- Vivo dentro daquela mata e nunca vi gigante algum. - Disse Flames, de fato Doluvor adora inventar lendas.
- Pelo menos as crianças gostam de ouvi-lo, deve ser bom para estimular a imaginação ou algo assim, bom, vou indo, depois passo para pegar a carne. – Dammy pegou Camyli nos braços. – Trate de tomar um banho, você ainda cheira a carne.
Ele cheirou-se e viu que ela tinha razão.
- Chau, Flames. - Gritou Camyli por cima do ombro da mãe exibindo um inocente sorriso banguelo.
Ela deixou a casa, porém sabia que ele não desistiria de saber quem era seu pai assim tão fácil e esse pensamento pesava na cabeça dela.
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Flames andava pela vila com uma pequena bolsa de dinheiro que ele havia conseguido vendendo a pele e os chifres do alce e também um pouco de suas economias, isso lhe rendera seis moedas de prata e dezessete de cobre o que era uma boa quantia. Vinte moedas de bronze valiam o mesmo que uma moeda de prata, e dez moedas de prata valiam o mesmo que uma de ouro, normalmente um trabalhador comum faturava por mês de trabalho cerca de duas moedas de prata. O dia estava bastante iluminado pelo sol mesmo assim não fazia calor, o clima estava perfeito para uma tarde já que o sol costumava se esconder quase sempre por aquelas regiões. O destino de Flames era uma pequena loja de armas, pois a tempos ele desejava uma espada, ela era a única espada daquele modelo que havia naquela vila, ele a empunhou uma vez, era leve e firme, parecia obedecer aos comandos mais fácil que as outras e possuía uma beleza singular, adornadas com pedras brilhantes e feita com aço nobre por isso era tão valiosa, o tipo de arma que um cavaleiro carregava, conseguir aquela espada era o sonho dele e ele ansiava por empunhá-la e testá-la em qualquer uma de suas caçadas.
A rua onde ficava a loja de armas era um ponto comercial bastante conhecido, tinha todos os tipos de mercadorias e estava sempre cheia de pessoas, ao chegar na esquina dessa rua Flames viu uma correria, maior do que a costumeiramente acontecia, as pessoas abandonavam suas mercadorias e suas lojas em desespero correndo na direção oposta à que Flames ia formando uma cortina de poeira no chão de barro batido, Ele ficou assustado ao mesmo tempo que o desespero das outras pessoas o deixava ainda mais curioso para saber do que elas fugiam, mas ninguém parecia estar disposto a parar para explicar, Flames curioso ficou e foi olhar o que acontecera, foi quando ele ouviu estrondos no portão principal da vila, as pancadas no grosso portão de madeira eram muito fortes a ponto de fazê-lo ceder aos poucos, revelando a ponta de um enorme aríete.
- São os soldados de Kandaram. - Gritou um homem passando por Flames às pressas, tropeçando em pedregulhos no caminho.
Kandaram era um reino vizinho, enorme por sinal já que havia tomado todas as terras ao redor, Obrehim foi um dos reinos próximos permaneceu firme por décadas impedindo que Kandaram se expandisse por seu território, o que fez Kandaram odiá-lo mais ainda, os dois reinos eram tão próximos que um “cessar fogo” entre os dois teve que ser feita no passado para evitar mortes sem motivos, mesmo assim conflitos entre os dois sempre existiram, pois Kandaram possuía homens de temperamento explosivo e o bom convívio em sociedade não era um assunto que os interessava muito, uma guerra era algo previsto, no entanto eles nunca tinham tomado a iniciativa até o momento, atacar uma das vilas de Obrehim seria algo que o rei nunca deixaria impune, todos sabiam o quanto ele protetor com seu reino e isso as vezes tornava-o um homem agressivo.
Flames correu na direção oposta aos soldados o mais rápido que conseguiu quando viu que alguns deles já passavam pelo portão, grandes homens com armaduras pesadas e longas espadas. No meio da correria Flames quase pisou em uma criança caída, ela estava quase inconsciente e bastante machucada, provavelmente tinha sido pisoteada no meio da correria, apesar dos gritos enfurecidos dos soldados Kandarensses em suas costas Flames abaixou-se para apanhá-la, então ouviu sua mãe gritando desesperada. Ele a tomou em seus braços e a levou nas pressas para ela, assim que a entregou a mulher sorriu e tomou fôlego para lhe falar algo, todavia logo seu sorriso foi substituído por uma cara de espanto ao olhar para trás de Flames, foi quando ele sentiu um chute pesado nas suas costas que o jogou de cara no chão empoeirado.
Ele se levantou sacudindo a poeira ainda tentava entender o que havia acontecido, logo olhou para trás e viu um soldado com quase um metro e noventa de altura se erguendo sobre ele, o soldado esfregou sua bota no chão como se tivesse a sujado ao tocar em Flames, estava usando uma grande armadura de ferro que o fazia parecer quase invencível, o homem ergueu a espada sobre Flames fazendo a luz do sol refletir em seus olhos e Flames sorrateiramente deslizou para perto do homem tentando escapar do caminho da sua lâmina, ele chegou tão perto do soldado que pode perceber uma pequena brecha entre o peitoral da sua armadura e a parte da cintura, não era muito grande, mas foi o suficiente para a mão em chamas de Flames passar, sua mão facilmente penetrou a pele do soldado tão facilmente que ele teve trabalho ao tentar retirá-la, quando conseguiu se soltar Flames olhou para o homem que o encarava estagnado sem conseguir se mover, os olhos esbugalhados e o rosto roxo, todo contraído, poucos segundos depois ele dobrou uma das pernas e caiu com o joelho no chão e seu corpo desabou naquela rua de barro formando ao redor do homem uma poça de lama e sangue, Flames deu dois passos para trás enquanto observava perplexo com o que tinha acabado de fazer havia sido tão rápido que demorou para ele entender que o homem estava morto, foi quando ele tomou uma pancada na cabeça o deixando caído no chão totalmente inconsciente.
...
Flames acordou com uma forte cabeçada no piso de madeira ao passar em um buraco na rua m*l feita, ele parecia estar em um tipo de cela de transporte em uma carroça velha. Sua visão ainda estava embaçada, aos poucos ele tentava recordar o que o tinha lhe acontecido, logo ele percebeu que havia sido capturado.
De dentro da carroça ele via os soldados de Kandaram saqueando tudo o que podiam levar dos aldeões, dinheiro, ferramentas, armas, tudo o que tinha algum valor e que eles podiam carregar, outros soldados ameaçavam e batiam em algumas pessoas pedindo que lhes entregassem até o que não tinham, no entanto não haviam feito nenhum prisioneiro, exceto Flames, aquelas pessoas não tinham valor algum para eles, mas um mago de fogo era algo raro e com certeza eles não deixariam um passar por entre seus dedos.
Flames olhou atento para todos os lados procurando por Dammy, felizmente ele não a viu, desejou que ela estivesse bem longe da vila e que só voltasse quando tudo tivesse terminado, ele também não queria vê-la o observar preso naquela carroça velha como um bicho, então ele fechou os olhos e desejou no seu coração que tudo ficasse bem com ela enquanto cruzava o portão destruído vila afora.
Eles seguiam por uma estrada de barro em direção a cordilheira das facas, conhecida assim pois as pedras que a formavam eram pontiagudas, altas e finas lembrando facas feitas de rocha, ela dividia os dois reinos. Todos em Obrehim sempre pensaram que não havia passagem por aquele lugar pois o terreno íngreme era praticamente armadilhas naturais para qualquer um que decidisse se aventurar por ali, mas de alguma forma Kandaram havia conseguido achar uma maneira de cruzá-la pois se tivessem entrado no reino pela estrada principal teriam acabado na capital onde se encontra a maior parte do exército, horas depois ele finalmente tomou coragem para romper o silêncio que os cobria.
- Para onde estou sendo levado? – Perguntou ele para o carroceiro que o conduzia, mas qualquer que fosse a resposta ele sabia que não seria positiva.
- Você é um prisioneiro de guerra, um mago e ainda por cima matou um soldado famoso em Kandaram, a família dele vai te devorar vivo, seu destino será o pior possível, se tiver sorte vai virar um e*****o! – Afirmou o carroceiro com uma voz ranheta com um tom de zombaria, parecia um homem perturbado, com os olhos arregalados e as mãos agitadas.
Flames pensou em fugir, mas ele não poderia queimar a madeira pois demoraria muito até fazer um buraco grande o suficiente para escapar e o cheio o denunciaria no primeiro instante, mais ou menos sessenta homens acompanhavam as carruagens, todos guerreiros treinados que não hesitariam um segundo antes de m***r um prisioneiro fugitivo, então ele apenas olhou para baixo e resmungou amaldiçoando a própria sorte.
Um soldado se aproximou da sela de Flames montado em seu cavalo, era um homem magro e alto, com uma postura totalmente ereta ao ponto de ficar estranho. - O demônio finalmente acordou. - Disse ele olhando nos olhos de Flames. - Não ouse usar suas chamas agora se não quiser ficar cheio de furos. - Ele sacou sua espada e a passou pela grade deixando a ponta a poucos centímetros da testa de Flames e a balançando ameaçadoramente. - Obrehim é mesmo um reino seboso, se nascesse um amaldiçoado como você em Kandaram a gente mataria na mesma hora, não se pode dar chances a demônios. - Flames sentiu raiva daquele homem, mas não conseguia olhar nem nos seus olhos pois estava prestando atenção na ponta da sua espada a todo instante e a carroça velha balançava tanto que ele sentia que a qualquer momento poderia bater o olho na ponta daquela espada e ninguém ali iria se importar.
Era noite, apenas a luz da lua nova e algumas tochas iluminavam a estrada escura por onde caminhavam, Flames reparou na floresta que ficava a beira da estrada até que percebeu que alguma coisa os acompanhavam de dentro dela, como se alguém espreitasse por entre o breu da mata.
Repentinamente uma saraivada de lanças longas foram atiradas sobre eles, eram enormes, pesadas e foram lançadas com tanta força que matou vários soldados no mesmo instante, o soldado que ameaçava Flames foi um deles, ficou preso por uma enorme lança no meio das rodas da carroça, a impedindo de andar.
Uma gritaria tomou conta dos soldados que caminhavam em silêncio, o som das ordens e dos gemidos dos feridos tomaram a vez. Flames observava toda a correria tentando entender o que estava acontecendo, uma das lanças acertou um dos cavalos que puxavam a carruagem que ele estava, a força foi tanta que rompeu as cordas e o animal voou quase três metros de distância e morreu antes de perceber o que havia acontecido. Flames observava atônito aquela enorme lança clavada na barriga do animal quando uma das lanças acertou em cheio a cela que ele estava, fazendo-a quase tombar com o impacto. Por sorte, Flames estava encolhido no canto e foi forçado a fechar os olhos para protegê-los dos estilhaços de madeira que voaram sobre ele. O teto de madeira ficou em pedaços e as grades de ferro se dobraram como papel, Flames ficou imaginando que se estivesse alguns centímetros pro lado ele estaria do mesmo jeito.
Flames aguardou na cela pois pensou que se tratava do exército de Obrehim que foram enviados para detê-los, mas o tamanho das lanças e força que foram lançadas era desproporcional a força humana, o que fazia ele indagar-se sobre quem estava os atacando e por alguns momentos pensou que existia mesmo gigantes vivendo em Obrehim.
Tomados pelo desespero os que restaram do exército Kandaram agarraram-se com suas espadas e ficaram de prontidão, procurando quem tinha as lançado, olhando de um lado pro outro, confusos e desorientados. Foi quando grandes pedras foram lançadas derrubando vários deles. Em seguida enormes sombras saíram de dentro das florestas e começaram a atacar os soldados, Flames tentava ver quem era, mas haviam muitas árvores e ele via apenas vultos passando de um lado para o outro.
Foi quando uma enorme criatura passou correndo do lado da cela de Flames, Havia uma tocha presa na lateral da carroça então Flames viu bem seu rosto, era horrendo, enormes caninos saltavam da parte inferior da sua boca, a pele do seu rosto era cinza e com várias cicatrizes, ele tinha quase o dobro da altura de Flames, ele estava coberto por algo que Flames não conseguia definir se eram pelos verdes ou lodo e tinha braços tão forte que ele levantou o carroceiro só com uma mão e o jogou por cima do cavalo morto, Flames ficou paralisado, por sorte ele não havia o visto, mas ele não sabia o que faria, logo todos os soldados estariam mortos e então seria a vez dele, ele tinha que ser rápido.
Flames olhou e viu uma das criaturas virar uma das carruagens como se vira um caixote de madeira, então ele percebeu, aquelas criaturas eram orc's, Flames já ouvira falar deles quando o velho bardo contava histórias para as crianças, bestas amaldiçoadas que escaparam do abismo. Ele sempre pensou que eram lendas, histórias que os adultos contavam para fazer as crianças se comportarem.
Flames ficou paralisado, suas pernas m*l podiam obedecer a suas ordens, um suor frio escorria em seu peito e a imagem do desespero estava exposta em sua face. Ele pensou em fugir para a floresta na direção oposta, no entanto ele não sabia se haviam mais orc's lá dentro ou não, a luta estava intensa, então ele teve que tomar uma decisão, saltou da cela e correu o mais rápido que podia mata adentro, sem olhar para trás ele continuou correndo e correndo, ele tentava passar rapidamente pela floresta sem fazer barulho e sem deixar muitos rastros, mas era quase impossível, a vegetação era muito densa lá dentro deixando-o todo arranhado, ele não podia fazer uma tocha, pois entregaria sua localização no meio da mata escura, então ele fugiu sem direção a noite toda.
Horas Depois Flames ainda não havia se acalmado, olhava cada movimento dentro da floresta e prestava atenção em cada som que ouvia para ter certeza que não havia sido seguido por aquelas bestas, seu coração quase saltava pela boca a cada grito que as corujas davam e ele sentia uma insegurança e um m*l estar enorme, como se alguém o observasse, como se ele fosse uma ovelha perdida em uma floresta de lobos.
Continua...