Lily Evans já estava bêbada o suficiente. Sua voz sobressaltava sobre todas as outras enquanto ela falava alegremente para Marlene e Dorcas sobre as suas aventuras no continente europeu, especialmente na França.
James, Peter e Regulus mantinham uma frequência de conversa bastante empolgada e muito interessante para os três sobre futebol, já que Peter também jogava futebol com Sirius na faculdade nos Estados Unidos.
Remus e Sirius estavam um pouco mais afastados, sentados de baixo de uma árvore, ambos com um cigarro aceso nos lábios.
– Você vai dormir aqui comigo, não vai? - Remus questionou após tirar o cigarro da boca.
Sirius também puxou o seu, e após assoprar a fumaça, puxou Remus para mais perto de si e beijou os seus lábios com muita delicadeza.
– Eu preciso levar o Reg para casa. - Sirius informou, ainda dando beijos contínuos nos lábios rosados do seu namorado. – Ele não dorme fora de casa, você sabe. - Remus fez um bico triste, uma expressão muito mimada e que pouco era vista naquele rosto.
– Mas...
– Mas... Eu não disse que não iria dormir aqui. - Sirius se adiantou, o brilho cintilou nos olhos âmbares de Remus.
Black levou o seu cigarro novamente aos lábios e deu uma longa tragada, antes de novamente soltar a fumaça.
Estava sendo uma noite muito agradável do começo do ano, o clima estava muito aconchegante, e Remus sentia-se ainda mais aconchegante e agradável com Sirius ao seu lado.
– Você é tão bonito que eu tenho vontade de socar a sua cara, sabia? - Remus indagou, tragando o seu cigarro.
Sirius soltou uma risada gostosa.
– Tudo bem. Você pode socar a minha cara. - Sirius tomou um gole da sua cerveja e piscou para Remus.
Remus riu também, deu uma última tragada antes de atirar o filtro do cigarro no meio do gramado e levou sua mão para acariciar os traços delicados do rosto do seu namorado. Sirius tirou a garrafa dos seus lábios e virou o seu rosto exatamente na direção da mão de Remus.
Ele poderia morrer com os carinhos de Remus que ele morreria feliz.
– Eu não quero socar a sua cara. - Remus declarou, e aproximou o seu rosto para beijar a pele clara.
– Você pode socar outra coisa em outra coisa então. - Sirius sussurrou, fechando suas mãos na cintura de Remus e puxando-o para mais perto.
Remus revirou os olhos e sentiu suas bochechas esquentarem, passou os seus braços ao redor dos ombros de Sirius e voltou a beijar os seus lábios.
– Se comporte Sirius Black, ainda temos visitas.
Sirius revirou os olhos e bufou para olhar para os amigos deles. Agora todos estavam juntos e riam de algo que era contado no meio da roda, não havia mais uma divisão de garotos e garotas.
– O James tem algo com a Lily? - Sirius questionou de repente, observando a maneira com que o braço de James estava passado pelos ombros da ruiva.
Remus enrugou o nariz e se moveu no chão, de modo a ficar de frente para o pessoal que conversava há poucos metros dali.
– Não, é lógico que não. - Remus respondeu com segurança. – James é gay!
– James é o que? - a voz de Sirius saiu mais fina e espantosa do que ele próprio gostaria. – Você está de brincadeira!?
Remus riu, mas riu muito mesmo, uma gargalhada estridente e muito divertida. Não conseguia acreditar no quão inocente e de vagar o seu namorado poderia ser às vezes.
– Sirius Orion Black, você acaba comigo. - Lupin lambeu os seus lábios e puxou a cerveja das mãos do seu namorado que tinha um enorme ponto de interrogação em seu rosto. – Sirius, pelo amor de Deus... Você realmente nunca notou a forma que o James fala quando está perto do Regulus?
Sirius engoliu a seco antes de abrir os seus lábios, agora ainda mais surpreso.
– Bem, não? Eu só vi ele perto do Regulus. E... Espera aí, o Regulus?
– É, mas eu já conversei com ele sobre isso. Eu entendo caso você não se sinta confortável e...
– Não, não é isso. O James é um cara bacana, mas o Regulus não é gay. - disse Sirius, aparentemente querendo soar convivente.
Remus olhou para Sirius e ergueu a sua sobrancelha. Ele olhou para Regulus, que sorria de um modo bastante curioso para James que falava sobre algo muito empolgado.
– Errrr... Você tem certeza? - Remus indagou, voltando a olhar pro seu namorado.
Sirius olhou para Regulus, para James e depois voltou a olhar para Remus. Na realidade, ele nunca havia pensado sobre aquilo e nem tinha conversado sobre isso com Regulus, pelo menos não sobre o próprio Regulus.
– Não. - sua voz saiu quase num sussurro. – Não realmente.
– E te incomoda a possibilidade dele ser? - Remus perguntou.
– Não. - Sirius se apressou a dizer. – É claro que não. Ele é meu irmão e me apoiou quando ninguém mais apoiou. Eu irei apoiar ele também! - sibilou, atirando o cigarro que estava em sua mão para o gramado. – Eu só não sabia.
Remus levou sua mão a nuca de Sirius, seus dedos afundaram nos fios negros dele e iniciaram um carinho ali. Sirius suspirou e virou seu rosto o suficiente para beijar o braço de Remus.
– Tudo bem, querido. - Remus beijou a mandíbula de Sirius e se virou, puxando-o para se deitar no seu colo. – Não estou dizendo que ele é. Não aconteceu nada realmente, James apenas não consegue evitar não flertar com caras bonitos.
Sirius, que agora encontrava-se deitado no gramado, com a cabeça apoiada nas pernas de Remus sorriu.
– É, esse é o charme dos Blacks. - disse, muito orgulhoso.
Remus revirou seus olhos âmbares, mas não discordou. Ele tinha um ponto e um ponto muito real.
– Sim, é o chame dos Blacks. - Remus continuou acariciando os cabelos de Sirius, os seus fios espalhavam um cheiro muito bom, indícios de ter sido recém lavados. – Mas de verdade, não aconteceu nada entre eles. E isso não quer dizer nada sobre o Regulus, eu só pensei que... Você sabe. Mas eventualmente o James esquece isso, não é como se fosse a primeira vez que ele se interessasse por um cara hétero.
Sirius sorriu e assentiu, dando de ombros.
– Está tudo bem, Moony. Eu estou bem com isso.
Remus anuiu em um balanço de cabeça, se curvou em direção à Sirius, e pressionou os seus lábios, iniciando um beijo calmo e muito deliciado. Sirius sorriu entre o beijo e ergueu sua mão para acariciar o rosto de Remus.
Os rapazes interromperam o beijo quando o barulho de alguém limpando a garganta na intenção de chamar-lhes a atenção, conseguiu a sua eficácia.
– Desculpas ao jovem casal. - Regulus sibilou, aproximando-se muito sorrateiramente. – Mas Sirius, eu realmente preciso ir. Eu tenho um jogo amanhã de manhã. - o irmão mais novo de Sirius o lembrou.
Sirius levou a mão a sua testa e bateu ali. Ele havia se esquecido completamente.
O Black mais velho ergueu o seu tronco e apoiou suas mãos no gramado para levantar, sendo seguido por Remus.
– É claro, eu vou te deixar em casa.
– Não, não precisa. Eu sei que você vai querer dormir aqui.
– Sim, eu vou te deixar em casa e volto para cá.
Regulus riu sarcástico e negou.
– Não, relaxa. Eu só vim me despedir, James vai me levar.
– James? - Sirius questionou incisivo.
Regulus enrugou o seu nariz e assentiu, passando a mão nos seus cabelos tão parecidos com os de Sirius.
– É, James Potter, sabe? O melhor amigo do seu namorado, não é Remus? - o garoto brincou, piscando para Remus atrás de Sirius.
Remus riu, enfiou as mãos nos bolsos do seus jeans e assentiu.
– Sim, é claro. - Sirius limpou a garganta, emitindo um som muito parecido com o que seu irmão havia feito anteriormente. – Eu não vejo razões para não. Certo? - ele se virou minimamente para Remus, em busca de afirmações. Remus assentiu, segurando uma risada muito mais calorosa. – Tudo bem então, você vai para casa com James Potter.
Regulus encarou o irmão com desconfiança. Embora Sirius tentasse se manter o mais impassível possível, o seu irmão lhe conhecia como ninguém e sabia muito bem quando as coisas estavam um tanto quanto esquisitas. Mas agora, e ali na frente de Remus, não era um bom momento para questionamentos.
– Tá legal... - murmurou, trocando olhares entre Sirius e Remus. – Eu vou indo então.
– Tudo bem, eu acompanho vocês. - Remus anunciou, indicando o pessoal que se recolhia muito minimamente.
Já era passada às duas da manhã. Ninguém havia notado o tempo voar com tanta conversa para colocar em dia ou para se tomar nota. Remus se juntou à Dorcas, Marlene, James e Peter acompanhado de Regulus.
Sirius permaneceu onde estava e acendeu um novo cigarro, sem falar mais nada. Mas ele não estava zangado e nem nada, ele estava apenas intrigado e fumar o ajudava a colocar as ideias no lugar.
– Todo mundo já vai embora? - Remus perguntou, entortando a linha dos seus lábios em um semblante triste.
Marlene passou o braço protetoramente pelos ombros de Peter e assentiu, ela estava levemente embriagada.
– Sim. Eu prometi ao Peter que ia levar ele amanhã para ver o Big Bang. - disse muito empolgada, beijando animadoramente a bochecha do Peter.
Peter, que embora tivesse passado a maior parte da sua vida nos Estados Unidos, também era americano e estava de volta à Inglaterra depois de mais de doze anos para passar um tempo com os seus avós com quem estava hospedado. Ele já havia deixado claro que o Big Bang estava longe das suas considerações de saudades dos passeios Londrinos, mas Marlene estava determinada a ignorar isso para satisfazer suas próprias vontades.
Pettigrew sorriu e passou o braço na cintura da loira, de modo a mantê-la de pé. Dorcas já tinha em suas mãos todos os seus pertences e os pertences da sua namorada.
– Tem certeza que ela está legal? - Remus murmurou baixinho para Dorcas, enquanto Marlene tentava cantar e pular, mas era contida pelo Peter.
– Não. - Dorcas respondeu com humor. – Mas ela vai ficar bem, eu estou dirigindo essa noite. - informou, erguendo as chaves do carro de Marlene.
– Excelente!
– Lene, se você não se comportar, amanhã não vai ter Big Bang pra você. - Peter repreendeu quando a loira insinuou que se jogaria na piscina.
Marlene estendeu seus lábios em um bico e retirou seu braço do ombro de Peter, cruzando-os de uma forma muito engraçada que vem Dorcas e Remus rirem.
– Mas eu adoro o Big Bang. - murmurou a garota, muito desgostosa.
– Eu sei amor, por isso nós vamos embora, sim? Amanhã podemos ir até lá. - Dorcas incentivou, indicando a saída para ela.
Marlene começou a andar na frente do grupo, enquanto Peter e Dorcas se despediam de Remus.
– Podemos ir ao palácio de Buckingham também, não podemos? - Marlene questionou, muito alto, arrancando risadas da namorada e de Peter.
– Sim, podemos. - foi a última coisa que Remus ouviu do grupo.
Ele se virou para dar assistência aos outros três que estavam no seu jardim. James estava ajoelhado de frente para uma Lily muito bêbada que murmurava palavras inaudíveis para Remus, enquanto Regulus tinha um copo de água em suas mãos afim de entregar para a garota.
– Ela está legal? - Remus questionou, preocupado e se ajoelhando ao lado de James. – Lily?
A ruiva ergueu seus olhos e enviou seus olhares entre James e Remus, assentindo. Regulus estendeu o copo de água para ela e ela não tardou em pega-lo e tomar uma quantidade excessiva de água.
– Você acha que está bem para ir para casa? - James indagou, sua voz muito suave, enquanto passava gentilmente a mão na perna na garota.
Lily, mais uma vez, apenas assentiu.
– Tem certeza? Você pode dormir aqui se quiser. - Remus ofereceu, ela negou.
– Eu vou abrir a floricultura amanhã. - a voz da ruiva soou muito baixa, mas o suficiente para que todos pudessem ouvir. – Preciso ir para casa.
Remus se ergueu o suficiente para retirar alguns fios dos cabelos do rosto de Lily e beijou sua testa muito delicadamente.
– Tudo bem, querida. James vai levar você, sim? Ele vai colocar você na cama e te dar um remédio para que você acorde bem. Tudo bem? - Remus proferiu as palavras muito calmamente, como costumava fazer sempre que um dos seus amigos exagerava no álcool.
– Tudo bem. - ela concordou.
Remus e James ajudaram Lily a se levantar. Regulus ficou responsável de pegar as coisas de Lily e James, o que não era muito.
Sirius, que percebeu que Lily não estava muito bem, também se juntou ao grupo para ajudar. Remus apenas lhe deu a tarefa de buscar uma cartela de remédios e uma garrafa de água na cozinha, que, com a suas instruções precisas, não houve nenhuma demora para o retorno dele quando Remus e James já haviam colocado a garota no banco de trás do carro de James.
Lily apoiou sua cabeça no encosto do banco e fechou seus olhos. Ela respirou forte algumas vezes, mas logo isso normalizou.
– Ela não vai vomitar? - Sirius questionou, entregando a garrafa e a cartela de remédios cor de rosa para James.
– Não, ela vai dormir durante todo o caminho apenas. Ela não é muito de vomitar. - James assegurou, olhando para Remus que passava o cinto pelo corpo de Lily.
– Vocês tem toda uma dinâmica de cuidado uns com os outros, não é? - Regulus falava, ao lado do seu irmão, olhando minuciosamente para Remus e James.
Os amigos se entreolharam e sorriram, Remus se afastou do carro e fechou a porta de Lily, concordando com a afirmação do irmão do seu namorado.
– Sim. Somos melhores amigos desde os 11 anos, a gente aprendeu a cuidar uns dos outros. - Remus bateu no ombro de James e piscou para o moreno.
– Sim, é verdade. Principalmente eu, não é Moony? - Remus revirou os olhos e mostrou os dedos do meio para James.
– Vá embora, Prongs.
– Que coisa feia, expulsando seu melhor amigo da sua casa. - James brincou, mas caminhando para o lado do motorista.
Remus não lhe respondeu, voltou sua atenção para Regulus, se despedindo do garoto. James entrou no carro e colocou a garrafa no porta copos e os comprimidos no pequeno compartimento entre o banco do motorista e do carona.
Regulus se despediu do seu irmão, mas James só ouviu quando Sirius lhe disse:
– Me avise quando chegar em casa.
E então o garoto entrou no carro ao lado de James.
Metade do caminho para a casa de Lily Evans foi completamente silencioso entre os dois garotos, mas não era um silêncio desconfortável.
– Você poderia ter me respondido. - Regulus murmurou, quebrando o silêncio quando o carro de James parou no primeiro sinal vermelho.
James virou o rosto para encarar o rosto de Regulus, ele parecia estar há um bom tempo olhando pra James, mas ele não havia percebido devido a sua concentração.
– Ter te respondido? - James franziu a sua testa confuso. Regulus continuou olhando-o impassível com seus olhos azuis acizentados sem qualquer vacilo. James se lembrou. – Oh, caramba! No Instagram... - Regulus riu minimamente, assentindo. – Nossa, mil perdoes. Realmente, mil perdões. Eu ia responder, mas achei que fosse soar muito desesperador responder sua mensagem de madrugada e o dia seguinte foi uma loucura. Eu me esqueci completamente.
Regulus deu de ombro, um sorriso ladino sucumbindo no canto dos seus lábios.
– Soaria desesperador?
James abriu os seus lábios para responder, mas a buzina de um único carro que parou atrás do seu tomou a sua atenção e então ele voltou a dirigir, sem conseguir responder Regulus de imediato.
Sua mente se tornou um grande vao branco, agora ele imagina palavrões para deferir ao cara que estava atormentando o seu juízo em um trânsito inexistente de quase três horas da manhã em Londres.
– Por que você estaria preocupado em parecer desesperador em me responder? - Regulus insistiu, muito perspicaz.
James engoliu a seco, olhou pelo retrovisor do carro uma Lily apagada, com o rosto virado no banco de trás.
– Eu não sei. - respondeu, se segurando para não olhar para Regulus, pois sentia os olhos do outro pregado em cima dele. – Me dê um minuto. - James se apressou, antes que Regulus pudesse lhe contrapor.
Seu carro virou na próxima esquina à direita e apenas uma quadra depois ele parou de frente para a residência dos Evans. James tirou o seu próprio cinto e deu a Regulus um pequeno sorriso antes de sair do carro e dar a volta para ajudar a Lily.
Lily acordou no instante que James abriu a porta, mas não o suficiente para que lhe recobrasse toda a consciência. James acariciou o rosto de Lily e sussurrou algumas palavras que Regulus não conseguia ouvir, mas ele assistia tudo atentamente pelo reflexo do espelho retrovisor.
James se inclinou por cima de Lily e pegou a garrafa e o remédio, ele abriu ambas as embalagens e entregou para a garota um comprimido da qual ela colocou na boca sem questionar e pegou a garrafa de água para beber até bem mais do que era necessário.
– Você pode esperar aqui, Regulus?
– Sim, sim, é claro. Mas você não precisa de ajuda?
James balançou a cabeça negativamente e abriu o cinto de Lily, ajudando a garota a sair lentamente do carro.
– Não, não. Tudo sob controle, eu só vou colocar ela na cama e já volto.
James puxou a mochila de Lily do banco de trás e apoiou a garota em seu braço, enquanto fechava a porta do carro.
Regulus ainda ouviu o momento em que James perguntou se Lily conseguia andar ou se preferia que ele a levasse, mas diante da afirmação positiva da garota, os dois apenas caminharam juntos um pouco de vagar para a entrada da casa dela.
Regulus ficou um tempo sozinho no carro silencioso. Ele chegou a abrir o porta luvas do carro e mexer em algumas fitinhas vermelhas presas ao retrovisor.
Esse tempo foi o suficiente para que ele repensasse os questionamentos que ele estava fazendo à James antes de chegarem na casa de Lily e se tudo não era apenas fruto da sua cabeça.
É óbvio que quando Regulus conheceu James, ele sentiu uma certa incisão do garoto mais velho para cima dele, mas inicialmente, em King's Cross, ele interpretou aquilo como uma forma de ignorar Sirius e o seu descontentamento com a rapidez do relacionamento do seu irmão com Remus, tal como Sirius havia lhe dito um pouco mais cedo naquele dia.
Mas não foi o que continuou parecendo durante o jantar, algum tempo depois. Os olhares e sorrisos que James lhe lançava pareciam muito sugestivos, e na real, ele queria realmente que fossem.
Passaram-se mais de dez minutos e Regulus já nem mais divagava em seus próprios pensamentos ou se ocupava em vasculhar as coisas de James. Eles m*l se conheciam, talvez James não fosse gostar de um estranho estar olhando as coisas no seu carro, mas, de qualquer forma, não havia nada fora do comum, tudo dentro da sua normalidade.
Regulus encostou a cabeça no encosto do carro e fechou os seus olhos e respirou fundo. Ele estava quase pegando no sono quando a porta do carro foi aberta e ele despertou em um sobressalto. James riu, tomando o seu lugar no banco do motorista.
– Assustado, Black? - James brincou, fechando a sua porta e inclinando-se para ficar de frente para Regulus.
– Não mesmo. - resmungou o mais novo, umedecendo os seus lábios e se ajeitando no banco.
– Eu vejo. - Potter mordeu os seus lábios e avaliou Regulus por alguns instantes antes de retomar. – Ouça, eu não quis dizer que...
– Está tudo bem, Potter. Eu só perguntei porque se você estava tentando flertar comigo, eu gostaria de ter a oportunidade de flertar de volta com você. - Regulus disse, sem demonstrar qualquer resquício de timidez.
James entreabriu os seus lábios chocado. Dele ou para ele? Ele não soube dizer.
– Eu não fiquei até duas da manhã procurando o seu perfil à toa, James. - Regulus afirmou, movendo-se no banco para ficar de frente para James, da mesma forma que o outro estava. – Aliás, você precisa me dizer qualquer dia qual é a do Prongs e Moony. É quase tão bizarro quanto Padfoot e Wormtail do Sirius e do Peter. - ele dizia risonho, passando a mão nos seus cabelos.
James piscou algumas vezes, ele estava se sentindo um pouco atordoado. Ele não estava mais prestando atenção em nada do que Regulus falava; pelo menos, não depois da sua revelação de interesse mútuo.
O cabelo dele deve ser tão macio. — James pensou, nas profundezas do seu interior, enquanto olhava atento os dedos de Regulus se enfiarem com tanta facilidade entre os seus fios negros.
– Você não vai dizer nada? - Regulus voltou a dizer, erguendo a sua sobrancelha e um pouco constrangido pelo silêncio incomum que se instalou em um James sempre tão falante.
Se você perguntasse à James Potter qual era a sua maior qualidade, ele responderia coragem e determinação. James Potter era para além de corajoso e determinado, ele não tinha a menor dúvida disso. Mas esse, especificamente esse momento, fora um dos raros momentos em que James tomou uma dose muito grande da sua própria coragem e fez o que ele não esperava que fosse fazer, embora fosse o que ele desejava.
Suas mãos envolveram a nuca de Regulus e puxaram o seu rosto para o seu, seus lábios tocaram os lábios macios de Regulus Black e deram início à um beijo um tanto quanto cauteloso demais.
Ele havia ouvido as palavras de Regulus, ele sabia que o Black, tanto quanto ele mesmo, queria aquilo, mas James estava vivendo um daqueles raros momentos em que sua coragem o guiava, mas o medo no fundo do seu estômago prevalecia, ele ainda esperava que Regulus o afastasse, mas ele não o fez.
Regulus foi pego de surpresa, é verdade, mas ele foi tão rápido quanto James em se acomodar naquela situação. Suas mãos foram de encontro aos ombros de James e seus lábios se moveram conforme o ritmo estabelecido pelo outro. Um frio atingiu a espinha de Regulus quando as mãos de James se fecharam firme nos seus cabelos, ele poderia se acostumar com isso.
James se inclinou ainda mais para cima de Regulus, o mais novo apenas se afastou o suficiente para dar espaço para James se aproximar ainda mais. O beijo dos dois se tornou mais intenso, Black desceu suas mãos no peito coberto pela camisa de tecido muito fino de James e sorriu, satisfeito com o que sentia por baixo das suas mãos.
Potter deslizou as suas mãos dos cabelos de Regulus e segurou o seu rosto, interrompendo o beijo apenas alguns segundos depois para respirar, porém retomar a distância entre os dois. As mãos de Regulus permaneceram em seu peito e as mãos de James no rosto do outro. Os lábios estavam afastados, mas agora suas testas estavam encostadas. James parecia ter adentrado em um transe, completamente parado e inclinado por cima de Regulus.
O outro riu, pelo que pareceu a milésima vez aquela noite, James despertou do seu transe e abriu seus olhos para encarar, pela primeira vez, muito de perto os olhos de Regulus. Eram os olhos mais bonitos que James se lembrava ter visto, de um azul muito intenso com as bordas acizentadas.
– É muito cedo para eu te convidar pra assistir o jogo de amanhã? Ou melhor dizendo... De hoje mais tarde? - Regulus questionou, James riu, lambendo os seus próprios lábios e se afastando do garoto para voltar a se sentar no seu banco.
– Depende, eu vou ganhar outros beijos como esse depois do jogo, mesmo se eu torcer contra o seu time? - a risada de Regulus inundou todo o carro, James de repente se sentiu muito mais confortável.
– Eu não acho que você conseguiria torcer contra mim, Potter. - Regulus devolveu, muito convencido e seguro de sua fala.
James espremeu seus olhos e enrugou seu nariz.
– Você joga em que time mesmo? Sonserina, sim? Hum, deixa eu pensar... - e então apoiou a sua mão no banco, adotando um ar pensativo.
Regulus abriu seus lábios muito ofendido, ele deferiu um tapa nos ombros de James que apenas fez com que ele se acabasse de tanto rir.
– Qual é, Potter? O jogo é contra a Corvinal, não acredito que você vai...
Regulus fora interrompido pelos lábios de James pressionamos nos seus. Foi impossível para Regulus não sorrir com um ato tão inusitado e curiosamente carinhoso.
– Eu vou pensar com carinho, Black. Mas eu vou ao seu jogo. - informou James, afastando-se novamente e passando o cinto pelo seu corpo. – E você pensa com carinho sobre os meus beijos. - propôs, piscando para Regulus.
Black sorriu, balançando a cabeça como quem chama James de inacreditável. Ele também passou o cinto pelo seu corpo e se ajustou no banco.
– Então agora você pode me dizer aonde você mora, pequeno Black.