Capítulo narrador:
Alan nunca se importou muito com festas de final de ano. Detestava ter alunos saltitando com presentes e doces e nunca entenderá porque Socery Academy não os mandava todos para casa como fazia nas férias de verão.
Como bruxos, as tradições natalinas eram quase sempre por presentes, comida e até sexo, mais uma desculpa para bebedeiras.
Esse ano, porém ele tinha algo para celebrar, era a primeira vez em muito tempo, por isso Alan não sabia por onde começar mas queria que fosse especial.
No início de dezembro Alan Wright havia passado pela Spring´s Ville para resolver assuntos do diretor, era apenas nessas ocasiões que ele visitava outros lugares que não fossem dentro da escola, desta vez seus olhos estavam atentos a outras coisas também, o boticário, a loja de roupas finas, animais mágicos... nada parecia certo, o professor decidiu arriscar na joalheria, havia muita coisa ali, pedras que mudavam com o humor dos outros, que afastavam vampiros entre outras algumas úteis e outras nem tanto. tudo muito bonito mas nada combinava com ela.
Alan já estava de saída quando algo na vitrine o chamou a atenção, era delicado como ela, combinava com ela e ficaria lindo naquela mão pequena. Um anel talvez pudesse até ser confundido como um pedido audacioso mas talvez fosse essa a intenção, secretamente.
Alan não demorou mais do que cinco minutos para sair da loja, enfiando a pequena caixinha vermelha em seu bolso interno.
Sua esperança era que Angelique lesse nas entrelinhas, que soubesse por instinto ou conexão que as intenções do anel fossem mais profundas que apenas sexo.
Com a chegada do Natal a escola se esvaziou, eram raros os alunos que ficaram esse ano, até mesmo os mais velhos estavam com medo de serem possuídos. Alan se viu sozinho com a Srta. Lacey algumas vezes, sobretudo no banquete, mas nunca parecia a hora certa.
O único assunto à mesa era a influência demoníaca. Demônios são difíceis de expulsar, principalmente com a grande concentração de alunos, o espírito maligno ficava pulando de um corpo a outro, impossível rastrear.
Na manhã seguinte, enquanto lia seu jornal decidido a não esperar mais, Alan ouviu passos de saltos altos tão típicos, ela entrou na sala dos professores portando uma bolsa um pouco grande, Alan fingiu não perceber.
- Bom dia, Wrigth - o sorriso dela o fez balançar, louco para atravessar a sala e beijar aquela boca.
- Srta. Lacey - ele olhou diretamente para ela, vestida e maquiada como nos dias de folga - vai passear?
- Dumbledore me deu alguns dias, mas não vou longe, volto amanhã - ela pegou uma grande xícara de café a engolindo quase de uma vez e antes que Alan pudesse responder ela não estava mais ali.
O professor respirou fundo um pouco decepcionado, mas já não era mais Natal, estava atrasado então o que seria mais um dia?! Ele esperou por ela no dia seguinte e no outro e no outro, mas ela não veio até a volta às aulas.
Alan notou algo estranho nela, pela primeira vez ela não testou sua sanidade com olhares maliciosos, ao contrário, ela parecia evitar sua companhia e no banquete ele não conseguiu se sentar ao lado dela.
Fazia uma semana que ele não ouvia sua voz ou tocava nela, a pressa fez com que ele corresse para o quarto dela assim que o último aluno entrou no quarto, Alan bateu segurando a pequena caixa vermelha com tanta força que os nós de seus dedos ficaram esbranquiçados e assim que ela abriu ele soube que algo não estava bem, ela não queria deixá-lo entrar, não queria que ele estivesse ali, evitava olhar para ele. Wrigth devolveu a caixinha ao bolso.
Alan sabia que a estava perdendo, talvez já tivesse perdido, ele não era bom com palavras mas havia algo que ele podia fazer, a única coisa que ela sabia que Angelique não podia resistir.
Alan tomou a bruxa para si e como ele esperava ela cedeu, ele deu prazer a ela como sempre fazia, e depois deixou que ela deitasse em seu peito. Ele tinha esperança de que tudo ficasse bem, que ela esquecesse a chateação fosse o que fosse, mas ela tinha que fazer aquela pergunta.
Ter se envolvido com necromancia não era algo para se orgulhar mas Alan era jovem e foi atraído por esse mundo de possibilidades, de montar um exército indestrutível. Além disso, ele teve um mestre, um necromante poderoso que quase dominou a Inglaterra antes de sua queda, mas isso havia ficado no passado.
Alan entrou em seu quarto batendo a porta com um estrondo, suando e com raiva, ele sabia agora que ela nunca falou sobre esse assunto porque não sabia, não que não se importasse. Garota insolente, como ousa questionar seu passado?
Como ele próprio foi t**o achando que aquela menina não se importaria com tal coisa, ela é livre, espontânea, natural mas era boa e ele fora mais uma vez c***l com ela.
Ele a queria, não só seu corpo mas ela por inteiro e mais uma vez ele se fechou. Talvez fosse melhor assim.
Alan se sentou na cama com o coração pesado e o arrependimento, tirou a caixinha do bolso e a abriu fitando seu interior, todas as vezes que imaginou colocando esse anel no dedo de Lacey consumiram sua mente.