Aquilo não poderia ser real. Eu repetia e implorava, mesmo sem ter uma pessoa para quem fazer aquilo. Não havia um Deus para me ajudar, e eu sequer algum dia fui digna o bastante de chamar por seu nome. Não havia amigos dotados de magia infernal para fazer o trabalho sujo por mim. E foi como se todos soubessem. Tive a impressão que, conforme eu desatava a correr por aquela areia levemente escurecida pela noite que se estendia, todos no inferno e nos céus me observavam. Eu sabia que aquele tipo de coisa era impossível. O inferno não deveria ser capaz de ter visões sobre a terra, mas talvez a minha presença ali tenha mudado tudo. Talvez o meu desespero em tentar salvar e proteger aqueles humanos, tenha feito com que, de alguma maneira deturpada e profana, os demônios pudessem contemplá-los

