Capítulo 5

2256 Palavras
Cristal Minha mãe viajou para outra região para resolver certos problemas relacionados a mortes estranhas, acho que ela vai demorar, mas tenho certeza que vai se esforçar para voltar antes do meu aniversário. Sei que é errado o que vou fazer, mas eu preciso de algumas respostas que minha mãe esconde de mim. Fui ensinada a não bisbilhotar, mas não é por m*l que farei isso. Apenas pego um clip de cabelo e me abaixo um pouco para abrir a porta do quarto de minha mãe, não demora muito para eu conseguir destrancar. Eu cheguei a fazer algumas amizades estranhas enquanto ia para festas e bares me divertir, acabei aprendendo a ligar carros sem a chave, desbloquear aparelhos eletrônicos e abrir portas e cofres, eu nem mais lembro o porquê de querer aprender essas coisas, talvez por que parecia divertido na época. Entro no quarto e fico reparando o quanto minha mãe é louca por organização, todos os livros dela são separados por gênero e cor, tudo está em um lugar determinado como certo e se eu tirar ela vai perceber que entrei aqui. Caminho pelo quarto com cuidado a procura de algo que minha mãe possa estar escondendo de mim, a verdade por trás desse lugar, talvez eu descubra o porquê da barreira existir. Bato de leve nas paredes a procura de alguma passagem, olho atrás dos quadros a procura de um cofre, mas não encontro nada, me sento na cama e fico pensando onde mais ela poderia esconder informações que ninguém pensaria em procurar. Talvez debaixo da cama, tiro o colchão e olho a parte de baixo, mas não tem nada além de roupas de cama. Olho mais detalhadamente para o chão a procura de alguma tábua solta, mas todas estão firmes, mas algo chama minha atenção, em frente a estante de livros o chão está arranhado como se alguém tivesse movido a estante. Tento empurrar ela, mas parece presa, talvez tenha algum mecanismo na estante que faça ela se mover. Fico olhando para os títulos dos livros procurando algum que seja uma alavanca, noto que um dos livros tem um nome é data que chama minha atenção, está escrito "Minha amada estrelinha xxxx" é o nome da música que minha mãe cantava para mim ir dormir e tem o ano do meu nascimento. Puxo o livro um pouco e escuto um som de algo destrancando, a estande parece se soltar da parede como se fosse uma porta, ela apenas se abre sozinha, vejo um cômodo pequeno do tamanho do móvel na parte de dentro, tem pratileiras com algumas coisas, caixas e um baú que me chama mais atenção. Pego o baú e coloco em cima da cama para olhar tudo com calma. Tiro um álbum de fotos e uma caixa com um colar de dentro do baú. Começo a ver as fotos, página por página. As primeiras são apenas da minha mãe e seu crescimento, ela foi preparada desde criança para ser rainha, inclusive foi tirada de sua família quando era um bebê recém nascido. A partir da quinta página começo a ver pessoas ao lado do trono onde ela está sentada, são cinco pessoas e entre elas uma mulher, provavelmente a que criou ela para a função de rainha. Reparo melhor nos homens que provavelmente tinham a função de proteger ela. Um tem cabelos cor de mel e olhos da mesma cor, está no lado esquerdo da minha mãe, no lado direito dela está um moreno de cabelo pretos com olhos violetas, parece extremamente forte e está com um sorriso de canto no rosto. Tem mais dois na foto, um loiro de olhos azuis e um de cabelos castanhos e olhos verdes. Apenas abro um sorriso, pois mesmo minha mãe estando com uma expressão de raiva na foto parecia feliz e segura. Passo para próxima página, tem uma foto parecida só que um dos homens não está mais presente, onde deveria estar o cara de cabelos loiros agora está com um ruivo de olhos azuis, ele é bem bonito e fofo inclusive, parece um príncipe encantado, certeza que minha mãe tinha uma quentinha por ele. Na foto no lado todos parecem estar jantando, minha mãe está olhando de forma irritada para o moreno que está comendo bacon sem olhar para ela. Quando viro a página novamente começo a ficar confusa, é uma foto de casamento, um homem moreno de cabelos pretos ondulados está de terno ao lado de minha mãe que está com um vestido de noiva lindo, ele parece com o moreno das outras fotos, mas é diferente ao mesmo tempo, pois tem olhos azuis e sua expressão é séria. Será que ele é meu pai? Minha mãe nunca chegou a contar que era casada, talvez tenha alguma outra pista nas fotos. Passo para próxima página e logo vejo uma desse homem sentado no trono ao lado de minha mãe, o nome deles está escrito em um quadro feito a mão (Amon e Eliza) Termino de ver as fotos com uma da minha mãe no trono ao lado das servas, Maori e Naomi. Coloco o álbum de volta no baú e olho a caixa com a joia, parece ser um colar feito para se comunicar e ver como a outra pessoa está, normalmente são feitos dois únicos, mas dependendo do pedido pode ser feitos vários para ser usado como se fosse um celular, mas eu com certeza prefiro um celular, mesmo que aqui só sirva para ligar. Coloco ele em frente ao olho, pois se a pessoa que tem o outro estiver usando poderei ver através dele, quando ele notar poderá tentar conversar de volta. Logo vejo ele brilhar e começar a funcionar, consigo ver algo, o homem da foto, o que minha mãe se casou, está se olhando no espelho e fazendo a barba, acho que notou o colar dele mudar de cor, pois consigo ver ele a pegar e colocar em frente a boca para falar. "Amon —cabritinha é você? Pensei que nunca mais fosse querer falar comigo" Como assim cabritinha? Será que é apelido por causa dos chifres que minha mãe tem? Coloco o colar em frente a boca para falar também, pois talvez me responda, tenho dúvidas, pois se minha mãe era casada fazia sexo então é possível que tenha me concebido dessa forma. —na verdade quem está falando é a filha dela, senhor Amon, certo?— Falo mas ele fica um tempo sem responder o que me deixa apreensiva. "Amon —eu não esperava que ela tivesse tido uma filha"— a voz dele mudou, ficou mais baixa, talvez esteja decepcionado ou algo do tipo, talvez esteja pensando que minha mãe está casada. —na verdade minha mãe não está com ninguém, você é o rei do outro lado do purgatório? Vi fotos no álbum dela que vocês eram casados— pergunto, pois preciso tirar todas as dúvidas antes de fazer perguntas importantes. "Amon —não desse seu mundo, mas como assim do outro lado do purgatório? Dante e Eliza decidiram dividir em dois, eles estão brigados?"— Acho que não é a primeira vez que escuto esse nome, já ouvi ele sair da boca da Naomi uma vez, não lembro qual era o assunto, pois era bem pequena. —eu não sei quem é esse Dante, nem os motivos que fizeram a barreira ser criada, mas vi fotos de quatro homens no lado da minha mãe, cinco com o ruivo, pois o loiro sumiu das fotos— falo indo até o banheiro para lavar o rosto, pois comecei a suar frio. "Amon —é um pouco estranho sua mãe não ter contado nada dessas coisas para você, mas preciso perguntar antes de responder, sua mãe sabe que está bisbilhotando as coisas dela?"— Só respiro fundo, pois não tem como responder que sim, ele perguntou apenas para ver como vou responder. —não, minha mãe não sabe, ela tem me escondido muitas coisas, por isso estou fazendo isso— falo me abaixando e levando o rosto. "Amon —entendi... Eu não gosto de mentiras, muito menos de deixar a Eliza brava ou com ódio de mim por mais tempo, mas acho que você está desesperada por respostas não é?" —sim, eu quero respostas a anos, mas sinto que ela nunca vai me dizer e que talvez o que ela tenha criado já se tornou uma verdade para ela. "Amon —a foto que você viu dela no trono tem cinco pessoas tirando sua mãe: Arina, a mulher que a criou. Adam, o loiro que infelizmente não está mais entre os vivos. Cristian, o homem de cabelos e olhos cor de mel. Henri, o de cabelos castanhos e olhos verdes e Dante, ele parece comigo só que sua pele é mais bronzeada que morena, e tem olhos roxos. Qual detalhe exatamente quer saber?"— ele parece disposto a dar respostas o que ninguém aqui está. —esse Dante e o rei do outro lado então? Não deveria ser você por ter sido casado com a minha mãe? Ele era apenas o guardião não é?— muitas dúvidas e tenho medo que não as responda ou canse de responder. "Amon —qual seu nome menina?" —Cristal, em homenagem a jóia que me salvou— digo me sentando na tampa do vaso. "Amon —é um belo nome. Fui casado com a sua mãe por dois anos, quase três para dizer a verdade, mas nosso casamento acabou, eu fui para outra dimensão ficar com o grande amor da minha vida e desde então nunca mais voltei para meu mundo de origem, nunca mais vi sua mãe, mas eu a amava muito. Antes de ir embora dividi a jóia da criação em duas, deixei metade com sua mãe e metade para Dante, meu odiado irmão"— isso não faz sentido, como pode dizer que a amava sendo que decidiu ficar com outra mulher? —se odiava seu irmão não deveria ter dado a jóia então. "Amon —é que eu tenho um bom coração, sabe, sou uma pessoa muito boa, sei perdoar"— o tom de voz dele saiu estranho, irônico talvez. —eu tenho uma pergunta muito séria, poderia me responder com sinceridade? "Amon —claro, não tenho nada a esconder criança"— só fico mais tranquila quando responde isso. —minha mãe disse que eu sou criação da jóia, que ela desejou uma criança e magicamente engravidou— só escuto ele começar a rir —qual a graça? "Amon —só não pensei que a minha cabritinha fosse tão baixa ao mentir desse jeito na cara dura, a jóia pode sim criar filhos ou cópias, mas apenas adultos. Não odeie sua mãe por causa disso, talvez seu pai seja um babaca" —é que eu estava pensando que por um acaso você seria o meu pai— digo pausando um pouco. "Amon —olha Cristal, sinto muito não poder ajudar, mas essa possibilidade é impossível, sou infértil"— só abaixo a cabeça e respiro fundo, pois tudo isso não deu em nada. —mas infértil não quer dizer estéril, tem possibilidade não é? Faz quanto tempo que saiu daqui?— ele tem que ser meu pai, qual mais séria? "Amon —faz 20 anos, mas mesmo que bata com a sua idade não tem como mesmo, 6% de chance é muita pouca coisa, estou tentando a anos com minha esposa e nada até agora— ele tem razão, não bate e 6% de chance é quase impossível" —me desculpa, eu realmente pensei que....— agora estou com vergonha. "Amon —não precisa se desculpar, deveria perguntar isso as servas de sua mãe, elas com certeza sabem, pois são amigas dela a muito tempo, se olhe no espelho, quero ver como você é, posso ter uma ideia." —elas nunca me contariam, são leais a minha mãe— digo enquanto fico de frente para o espelho enorme que minha mãe tem, coloco o colar no pescoço para ele poder me ver. "Amon —você é a primeira pessoa com essa aparência que eu cheguei a ver na vida, imagino que seu cabelo seja pintado, qual a cor natural?" —meu cabelo não é pintado, quando minha mãe usou a jóia para me salvar meus cabelos mudaram de cor, mas ela disse que eram pretos, são ondulados também. "Amon —se sua mãe não mentiu você deve ser filha do Dante, suas asas são pretas? Tem super força ou consegue bloquear poderes?" —sou forte, mas não acho que seja um poder, não sei se consigo bloquear poderes, nunca cheguei a testar. "Amon —quer mesmo descobrir isso, Cristal? Tem tanta necessidade de saber a verdade? Quer se afastar da sua mãe?" —eu amo minha mãe de verdade, mas preciso da verdade, não quero viver na mentira, se eu tenho pai quero conhecê-lo. "Amon —talvez a verdade não seja o que você espera, talvez sua mãe tenha feito inseminação ou adotado você, pois sinceramente você não tem nada dela, mas se realmente quer a verdade a confronte, ela vai ter que te dizer— ele tem razão. —obrigada, tirou algumas das minhas dúvidas. "Amon —só peque leve com a sua mãe, ela não teve ter visto outra opção nas escolhas dela, muito menos querer abrir mão de você provavelmente" —depentendo de qual verdade for posso perdoa-la, foi bom falar contigo, mas tenho que arrumar minha bagunça antes que as servas da mamãe me procurem— digo tirando o colar.
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