Capítulo 7

890 Palavras
— Antes que pense errado, gostaria de esclarecer que nada aconteceu do jeito que você pensa — falei às pressas. — Liz era você mesmo? — William estava atordoado, mas aberto a me ouvir, o que é algo bom vindo dele. — Então esclareça, por favor! — Sobre as bruxas, elas são muito mais humanas do que você pensa. Sei disso porque estive em Aradia esse tempo todo. Fui bem acolhida naquele lugar, e a rainha das bruxas foi quem me salvou das crises que eu estava tendo. Precisei de um tempo porque precisava aprender a controlar meus novos poderes com elas, e bem, a história é longa... Quanto àquela casa noturna, me apresentei poucas vezes e sempre me retirava silenciosamente depois, mas naquela noite fui envenenada por um grupo de vampiros. — Ok... — William arregalou os olhos, completamente perdido. Acho que passei informações demais e tudo muito superficialmente. Considerando quem ele é, até me admirei que tivesse captado a informação mais essencial. — Está me dizendo que você é uma bruxa? É isso? — Não diga isso em voz alta! — repreendi-o, mas depois de pensar em como isso podia soar para os lobos, acabei rindo. — Bem, ninguém vai acreditar em você de qualquer forma. — Mas então, o que aconteceu com você depois que foi envenenada pelos vampiros? — Consegui derrubar dois deles, mas no fim, quem me salvou de ser sugada pelos cretinos foi o rei dos elfos. Ele me deixou ficar na sala privada dele até que eu me sentisse melhor, mas foi só isso. Não aconteceu mais nada! “Sei...”, Lisa implicou, trazendo lembranças que me deixaram sem jeito. “Galadriel foi só um bloco de gelo! Só isso!”, respondi mentalmente à ironia dela. — Nossa, me parece que a sua aventura foi bem mais interessante que a minha. Agora que já se revelou, por que não me conta tudo? — Em outro momento, amigo! — Sorri e bati no ombro dele. — Quando? — Ele já estava um pouco mais solto novamente só por eu tê-lo chamado de amigo. Às vezes era até difícil acreditar que ele é o herdeiro e******o que vivia me fazendo passar raiva. — Quando você acreditar em mim. Vou indo agora, tenho uma coisa importante para fazer — falei, me afastando a passos moderados. Embora ele tivesse acreditado na maioria das coisas que falei, ainda nutria dúvidas em relação a algumas coisas. Era melhor dar-lhe um tempo para processar tudo. — Antes de ir, pelo menos me conta uma coisa. Como fez para desaparecer daquele jeito no jantar? Todo mundo ficou perplexo, sem entender. Ei! Eliza! — Vendo que eu não pretendia parar nem quando era chamada, ele resolveu correr atrás de mim, mas acabei desaparecendo. — Buh! — falei atrás dele, próximo ao seu ouvido, o que o fez saltar assustado. Por pouco não caiu no chão. — Mas que p***a! — A respiração dele estava rápida, mas assim que me viu rindo, começou a rir também. — Sério, isso aí é incrível demais! Como você faz? Quero saber antes dos outros. — Acho que você já tem a resposta para isso — respondi suavemente, desaparecendo novamente, mas dessa vez acelerando para o escritório de Lohan. — Não deveria usar seus poderes aqui de forma tão imprudente — disse ele, detectando minha presença, possivelmente por causa da marca, mas sem desviar os olhos e a atenção da sua tarefa. Desfiz minha invisibilidade enquanto me aproximava dele. Ele estava quase terminando a cópia do diário de Lydia. — É bom te ver mais animada! — Você se controlou bem — disse-lhe, sentando-me de frente para a sua mesa. — Do que está falando exatamente? — perguntou, parando um pouco e olhando para mim. — Soube que você e o William quase me encontraram na Cidade Neutra. Você descobrir que Liz era mesmo eu deve tê-lo deixado bem bravo, não é? Se eu estivesse tão confiante pensando que fui traída, não lhe daria nem conversa. Na verdade, até acho que iria esmurrar sua cara. Você foi bem tolerante, eu diria. Lohan parecia meio sem graça, mas eu não conseguia deixar de sorrir. — Mesmo que tivesse havido algo, por você... — Ele travou, mas eu sabia exatamente o que ele queria dizer. Sabendo que sou uma bruxa e que eu precisava daquilo, ele iria me perdoar. Sem disfarçar o que sente, toda a adoração que ele tem por mim estava nítida em seu olhar. Meu companheiro é mesmo um fofo! — Mas eu não me perdoaria — falei-lhe, colocando minhas mãos sobre as dele. — Porque quero que seja o meu primeiro e último, você e mais ninguém. Se não fosse para amar plenamente, eu preferia não amar ninguém. É assim que sou! Nos lábios dele, um sorriso estonteante fez meu coração acelerar. Eu finalmente poderia reagir, e sabia exatamente o que fazer agora. Como se estivesse lendo minha mente, ele acompanhou meu olhar até o diário e se pronunciou primeiro. — Então, vamos terminar de decifrar tudo isso juntos — disse ele, com um brilho determinado nos olhos. — Até à noite eu termino. Pretende procurar respostas logo? — Sim — respondi convicta. — Amanhã cedo irei até ela. — Certo, mas volte para o jantar! — respondeu-me com tranquilidade. — Eu prometo!
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