P.O.V - DANTE
Ela finalmente ligou.
A voz de Giulia do outro lado da linha estava firme, eu não a conhecia muito bem, mas mesmo assim eu consegui identificar na hora. Ela falou como quem não quer se afogar, como quem ainda tenta manter a dignidade enquanto engole água.
- Dante, eu estava pensando na sua proposta... - O silêncio do outro lado da linha era perturbador, por um momento eu me senti a pior pessoa do mundo. Explorar as necessidades de Giulia parecia um crime terrível, mas considerando o meu modo de viver, eu não poderia simplesmente desistir de uma vez por todas - Eu aceito me casar com você.
Aceitou. Disse que aceitava se casar comigo.
Eu estava com um leve sorriso no canto da boca. Não por vitória — embora sim, havia algo de conquista nisso —, mas porque, por fim, o que eu planejei começava a tomar forma. Com ela ao meu lado, mesmo que por contrato, as aparências estariam intactas.
Minha família pararia de me cobrar estabilidade, e eu... bom, eu teria Giulia. A ideia estava ficando deformada na minha cabeça, só de ouvir a voz dela o meu coração disparou, aquele sentimento de não ter controle sobre as minhas próprias ações era terrível.
- Tudo bem, qual o próximo passo? - Ela disse parecendo irritada
- Podemos...Podemos nos ver, conversar sobre os detalhes.
- Regras, vamos conversar sobre as regras! - Disse de uma maneira ainda mais hostil.
Marquei o encontro no meu restaurante favorito, um lugar discreto e elegante, à altura da ocasião. Queria vê-la, olhar nos olhos dela enquanto combinávamos os termos do nosso acordo. Queria que poder dizer a ela que eu não era um monstro, embora ficasse difícil explicar se eu estava obrigando a mulher a se casar comigo para obter um cargo. Giulia tinha fragilidade que me deixava desconcertado — e irritado por me deixar assim.
Eu era conhecido por ser implacável, então, o jeito como ela me fazia sentir pequeno me causava ódio.
Ela chegou no horário, vestida com simplicidade, mas havia algo nela que sempre ultrapassava qualquer tecido. Os olhos. Aqueles olhos verdes que pareciam saber demais sobre tudo. Sobre mim. Sobre ela. Sobre o que esse casamento significava.
Enquanto ela falava sobre prazos, limites, independência e o dinheiro que seria destinado aos cuidados da mãe, eu tentava manter o foco. Mas havia uma parte de mim — uma parte que odeio admitir que existe — que só pensava em como ela mexia comigo.
Seria melhor desistir? Aquela mulher não parecia se encaixar nas peças do meu jogo, e eu ia acabar magoando ela de forma irreversível para sempre.
Ridículo. Eu não sou esse tipo de homem. Não me permito esse tipo de fraqueza.
Mas quando ela me encarou, olhos fixos nos meus, eu tinha que dizer algo, o meu estômago estava embrulhado.
- Giulia... - Eu comecei a falar com os olhos fixados nela - Acho melhor desistirmos disso, você está abalada, eu... preciso admitir que minha mãe, irmão... tem razão! Eu sou um monstro, eu te ofereci a p***a de um casamento só para poder conseguir um objetivo.
A minha cabeça estava doendo e o meu corpo estava em chamas, eu não conseguia acreditar que eu estava considerando agir daquela forma, era uma merda que eu me sentisse assim! Que p***a! O que tinha aquela maldita noviça para eu de repente me sentir um lixo ao fazer algo que iria me favorecer para sempre?
Mas, eu poderia privar uma mulher inocente de viver um amor que valesse a pena pelo resto da vida? Enquanto eu a abandonaria em casa para f***r prostitutas e beber uísque? Eu poderia dar a ela apenas dinheiro e nada mais? Era isso o que eu era?
Ela começou a gargalhar, a gargalhada era uma mistura de ironia com profunda melancolia.
- Não Dante, você não vai dar para trás no nosso acordo! Eu preciso do seu dinheiro, eu preciso salvar a minha mãe e preciso me salvar no meio disso! Preciso que ela me veja vestida de noiva e precisa me ver sorrir até que o câncer acabe com ela de uma vez se a cura realmente não for possível, então... Você não vai me deixar na mão!
Ela era uma leoa, me deixou completamente sem palavras. Não estava disposta a desistir, mesmo que aquilo custasse tudo.
- Um casamento sem amor? Você é fria! Vai abrir mão de ter um marido que se importa com você, uma porção de filhos e uma casinha? - Eu disse quase que desafiando ela, mas só porque ela me fascinava. Eu não conseguia tirar os meus olhos dos olhos dela nem por um segundo e ela me encarava com uma coragem que se intensificava a cada vez que ela respirava fundo.
- Eu não ligo para o amor, eu ligo para salvar a minha mãe e sair daquele maldito convento! E se eu bem me lembro, você também tem os seus interesses certo? Não precisa alcançar não sei o que? - ela olhou para baixo pela primeira vez e sussurrou - Como se você não fosse rico ou poderoso o suficiente...
- Você está julgando os meus motivos? - Eu disse chocado.
- Eu quero salvar a minha mãe, você quer poder e mais poder... Então, é isso. Você consegue o brinquedo novo de menino mimado e eu consigo salvar a única família que eu tenho! Me parece justo!
- Eu vou ignorar o fato de que você é uma tremenda filha da p**a e vou te perguntar pela última vez Giulia, você tem certeza? Quer continuar com isso? - Eu disse, assim que ela desviou o olhar eu segurei as mãos dela com firmeza - Olhe nos meus olhos Giulia, você tem certeza disso?
- Eu tenho certeza Dante Salvatore, A vida dela vale mais para mim do que os meus objetivos pessoais.
- Tudo bem, vamos decidir a p***a das regras! Eu não aguento essa sua expressão
- Expressão de quem não vai aceitar calada tudo o que você disser? Pode ter certeza!
- VEREMOS GIULIA, VEREMOS!