Estar aqui, de novo, no consultório do Dr. Rafael, era algo que eu sabia que precisava enfrentar, mas, ao mesmo tempo, me fazia sentir mais vulnerável do que nunca. Cada consulta, cada conversa sobre o meu estado, parecia me lembrar da fragilidade do que estava acontecendo comigo e com meu bebê.
Fábio estava ao meu lado, como sempre. O simples fato de ele estar ali me dava alguma força. Nós dois sentamos na sala de espera do consultório, e eu tentava focar em qualquer coisa que não fosse o que o Dr. Rafael iria dizer. Será que o tratamento seria o suficiente? Será que o bebê iria conseguir sobreviver a tudo isso? A minha mente fervilhava com perguntas, e, para ser sincera, eu não estava pronta para as respostas.
Quando o Dr. Rafael nos chamou, senti o coração disparar. Ele nos cumprimentou com aquele olhar compreensivo de sempre, o tipo de olhar que me fazia sentir que ele estava genuinamente preocupado. Mas isso não aliviava o peso do que viria a seguir.
— Marcela, é bom te ver novamente, ele disse, e logo notou Fábio ao meu lado. — E quem é esse?
— Esse é Fábio, meu amigo. Ele está comigo nessa, doutor, respondi, tentando manter a voz firme.
Fábio deu um aperto de mão no médico, e eu podia ver que ele estava tão nervoso quanto eu, apesar de tentar esconder. Ele sempre foi assim, tentando ser forte por mim, mesmo quando sei que está cheio de dúvidas.
— Marcela, como você tem se sentido? o Dr. Rafael perguntou, enquanto se acomodava em sua cadeira.
Eu respirei fundo. Era sempre difícil responder a essa pergunta. Eu me sentia cansada, preocupada, assustada... mas, ao mesmo tempo, eu queria manter um pouco de esperança.
— Estou tentando me manter forte, mas é difícil. O medo de perder o bebê... e de não conseguir lutar contra o câncer ao mesmo tempo... isso me consome.
Ele assentiu, com um olhar que indicava que entendia cada palavra. E talvez ele entendesse mesmo.
— Eu entendo, Marcela. O que você está passando é extremamente delicado, mas ainda há esperança. Vamos discutir todas as opções com cuidado, sem pressa.
A consulta continuou, e Fábio fez algumas perguntas que eu mesma não conseguia formular. Quais são as chances? Como posso proteger meu bebê? As respostas do Dr. Rafael eram claras, mas não reconfortantes. Ele explicou que o câncer era agressivo e que o tratamento teria que ser minucioso, sem colocar em risco o desenvolvimento do meu filho.
O que ele não disse diretamente, mas eu já sabia, é que o risco sempre estaria lá. A única certeza era a incerteza. Enquanto ouvia cada detalhe do plano de tratamento, senti Fábio apertar minha mão com mais força. Eu não estava sozinha. Isso, pelo menos, era uma verdade inegável.
Quando a consulta terminou, Dr. Rafael nos acompanhou até a porta, e seus olhos diziam mais do que suas palavras. A luta seria longa, mas ele estaria ali para nos guiar. E assim, saímos do consultório, em silêncio, mas sabendo que o próximo passo já estava decidido.
No carro, antes de dar partida, Fábio virou-se para mim, ainda segurando minha mão.
— Marcela, eu sei que isso é assustador. Mas eu estou aqui. Sempre estarei aqui com você, não importa o que aconteça.
Olhei para ele, e naquele momento, as lágrimas finalmente vieram. Não eram lágrimas de medo ou desespero, mas de gratidão. Porque, apesar de tudo o que estava acontecendo, eu sabia que não estava sozinha. Tinha Fábio, tinha essa força invisível que ele me transmitia.
— Obrigada, Fábio. Eu realmente não sei o que faria sem você.
E então, enquanto ele dirigia em direção à casa do meu pai, me senti mais leve. Não porque as coisas estavam resolvidas, longe disso, mas porque, pelo menos por hoje, eu tinha tomado uma decisão. Iríamos lutar. Pelo meu bebê, pela minha vida, e por tudo o que eu ainda sonhava em conquistar.
A Visita de Emergência
Era quase noite quando, de repente, uma sensação de medo tomou conta de mim. Estava sozinha em casa, tentando organizar algumas coisas quando vi a cobra. Fiquei completamente paralisada. Uma mistura de medo e pânico tomou conta de mim, e, de repente, comecei a sentir uma dor estranha na barriga. Era como se tudo estivesse desabando de novo. Eu precisava de ajuda.
Sem pensar duas vezes, liguei para Fábio. Ele sempre estava lá, e eu sabia que ele saberia o que fazer.
— Fábio, eu vi uma cobra... estou com dor... por favor, vem rápido.
Minutos depois, ele chegou, e só de vê-lo entrando pela porta, senti uma sensação de alívio. Mas a dor ainda estava lá, e Fábio, mesmo sendo a pessoa que me conhecia tão bem, sabia que isso não era normal.
— Eu vou chamar o Dr. Rafael, Marcela. É melhor garantir que está tudo bem com você e o bebê.
Quando Dr. Rafael chegou, sua expressão era tranquila, mas focada. Ele sabia que meu pânico não era apenas pelo susto, mas pelo medo do que poderia acontecer ao meu filho. Depois de me examinar, ele deu um sorriso reconfortante.
— Marcela, o bebê está bem. A dor foi causada pelo estresse do susto. Está tudo sob controle, mas você precisa relaxar.
Eu senti uma onda de alívio percorrer o meu corpo. As lágrimas começaram a cair de novo, dessa vez de puro alívio.
— Obrigada, doutor... obrigada por vir.
Rafael assentiu, mas antes de ir embora, ele pediu para falar com Fábio em particular. Eu observei enquanto eles saíam da sala, e sabia que, apesar de tudo estar aparentemente sob controle, ainda havia tanto a ser discutido.
Quando eles voltaram, Fábio estava mais calmo, mas com aquele olhar preocupado de sempre. Ele se sentou ao meu lado e segurou minha mão novamente.
— Você está bem, Marcela. Nós vamos superar tudo isso. Juntos.
Eu sabia que ele estava certo. Mesmo com todas as incertezas, mesmo com o medo constante, nós iríamos superar. Fábio, Dr. Rafael, e até mesmo meu bebê, estavam ao meu lado nessa batalha. E isso, por enquanto, era tudo o que eu precisava para continuar lutando.