capítulo 04: Desespero e

1069 Palavras
Mas, às vezes, nos momentos mais silenciosos, pergunto-me: será que o amor que senti por ele realmente morreu? Ou ele apenas se escondeu em algum canto do meu coração, esperando o momento certo para aparecer? Não sei. Talvez nunca saiba. Mas, por enquanto, a vida continua, e eu continuo com ela, de mãos dadas com Júlio, seguindo. Os dias continuam a passar, e eu me adaptei à nova vida. Trabalho, cuido de Júlio e me permito momentos de paz que antes eram raros. O peso do passado parece menor, quase insignificante, mas ainda há noites em que me pergunto sobre Sandro. Eu tento sufocar esses pensamentos, enterrá-los com o resto das lembranças, mas eles surgem de vez em quando, como fantasmas. Hoje, recebi uma mensagem inesperada de Fábio, o melhor amigo de Sandro. Faz anos que não nos falamos. Ele perguntou como eu estava, disse que tinha algo importante para me contar. Fiquei relutante, mas a curiosidade me venceu. Algo dentro de mim sabia que essa conversa traria de volta partes do passado que preferia manter trancadas. Marcamos um encontro, e enquanto caminhava para o restaurante onde nos encontraríamos, uma parte mim está me alertando que algo ia acontecer. Desde a última vez que ouvi a voz de Sandro têm se arrastado lentamente. Já faz mais de uma semana, e o vazio que sinto cresce a cada momento. Mesmo com as memórias doces do nosso noivado e da primeira noite juntos, algo dentro de mim começa a se partir. Sinto como se estivesse em uma bolha prestes a estourar. O silêncio é ensurdecedor. Esta manhã, depois de mais uma tentativa frustrada de ligar para ele, fui até a cozinha. As flores murchas sobre a mesa pareciam um reflexo exato do que estou sentindo. Peguei a faca para cortar alguns legumes, distraída em meus pensamentos, e, sem perceber, cortei meu dedo. O sangue começou a escorrer, e por um momento, observei o vermelho vivo. Era como se o meu corpo estivesse externando a dor interna que venho tentando esconder. Fábio, o amigo mais próximo de Sandro, tem me ligado. Ele pergunta como estou, tenta ser gentil, mas sei que, por trás das suas perguntas, há algo mais. Não posso deixar de me sentir aliviada quando ele desvia o assunto para os negócios, para a InovaTech. Parece que eles estão sempre ocupados, sempre planejando o próximo grande passo. Mas, por que Sandro não me liga? Eu tento não pensar no pior, mas a insegurança começa a me consumir. Hoje, resolvi tentar mais uma vez. Liguei para Paula, a amiga de Sandro, esperando que ela pudesse me dar alguma notícia. Para minha frustração, também não consegui falar com ela. A sensação de isolamento é esmagadora. O apartamento, que costumava ser um refúgio de paz, agora parece uma prisão silenciosa. A cada som vindo da rua, meu coração acelera na esperança de que seja Sandro voltando, mas a porta permanece fechada. À noite, deitada na cama, fico encarando o teto, revivendo os momentos que tivemos juntos. Sinto falta do toque dele, da forma como me olhava, como se eu fosse a única pessoa no mundo. Mas agora, estou sozinha com meus pensamentos e memórias. Fábio tem sido um bom amigo, mas sei que ele carrega suas próprias sombras. Há algo no seu tom de voz que revela uma dor que ele tenta esconder. Uma noite, ele mencionou uma mulher do seu passado, alguém que ele não queria discutir, mas que, aparentemente, ainda ocupa muito espaço em seu coração. Eu entendo esse sentimento. É como se estivéssemos ambos presos em nossos próprios labirintos emocionais, incapazes de encontrar uma saída. Mas, hoje, algo em mim mudou. Não posso continuar assim, esperando por respostas que talvez nunca venham. Decidi que, amanhã, vou buscar Sandro. Não sei onde ele está exatamente, mas vou encontrá-lo. Preciso de respostas, preciso saber por que ele se afastou de mim. Acordei com uma determinação nova. Depois de tanto tempo imersa em incertezas, algo dentro de mim despertou. Eu preciso encontrar Sandro. Não posso mais viver nesse limbo, onde o silêncio é minha única companhia. Hoje, vou atrás dele, mesmo que precise confrontar o que quer que esteja acontecendo. Liguei para Fábio pela manhã. Ele parecia surpreso com minha determinação, mas algo em sua voz me disse que ele sabia mais do que estava deixando transparecer. – Fábio, eu vou encontrá-lo. Preciso entender por que ele se afastou, por que ele não fala comigo há dias. Você sabe onde ele está? Fábio hesitou. Houve um silêncio no outro lado da linha antes de ele responder. – Talita, eu... Não acho que seja uma boa ideia você ir atrás dele agora. Ele está lidando com muitas coisas, e... – Ele parou novamente, como se estivesse escolhendo as palavras com cuidado. – Talvez você deva esperar um pouco mais. Mas eu não posso mais esperar. Não depois de tudo que passamos juntos. Eu sinto que há algo que ele está escondendo, algo que precisa ser resolvido. E eu estou disposta a enfrentá-lo. Fábio finalmente cedeu. Ele me deu um endereço. "Seja cuidadosa", foi tudo o que ele disse antes de desligar. Peguei minhas coisas e saí de casa, com meu coração batendo forte no peito. A cada passo que eu dava, sentia como se estivesse me aproximando da verdade, mas também de algo que eu temia profundamente. Cheguei ao endereço que Fábio havia me dado. Era um hotel, discreto, quase escondido entre os prédios do centro da cidade. Entrei, perguntando por Sandro na recepção, e a recepcionista, após alguns minutos de hesitação, me indicou o quarto dele. Quando a porta se abriu, fiquei paralisada. Sandro estava ali, sentado em uma poltrona, com uma expressão de surpresa e cansaço. Ele parecia diferente. Algo em seus olhos me dizia que o homem que eu conhecia estava lutando contra algo que eu não conseguia entender. – Talita... – ele começou, mas eu o interrompi. – Por que você se afastou? Por que não me ligou? – As palavras saíram antes que eu pudesse controlá-las. – Eu fiquei sozinha, esperando, sem saber o que pensar. O que está acontecendo, Sandro? Ele ficou em silêncio por alguns segundos, o que pareceu uma eternidade para mim. – Eu... não sei como te explicar isso, Talita. Há coisas que eu não estava pronto para te contar. Coisas do meu passado, problemas que eu estava tentando resolver sozinho. Não queria te envolver.
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