capítulo 06: Desculpas não volta atrás

1379 Palavras
E, agora, aqui estou eu. Preso entre o passado e o presente, tentando entender o que fazer. Paula precisa de mim, mas Talita... Ela ainda é o fantasma que me assombra, a mulher que nunca consegui esquecer. Fábio me sacode, quebrando meus devaneios. – Sandro, você está no mundo da lua? Só pode estar pensando nela – ele diz, com aquele jeito direto de sempre. Eu suspiro, sem negar. – Não consigo esquecê-la – respondo, quase sem pensar. – Então por que não vai atrás dela? Explica que você está com Paula apenas para ajudá-la, que o filho não é seu. Vai, fala a verdade. A verdade. Parece fácil quando Fábio fala assim, mas há mais em jogo. Paula, Júlio, Talita... Tudo está entrelaçado de forma tão complexa que não sei por Então por que não vai atrás dela? Explica que você está com Paula apenas para ajudá-la, que o filho não é seu. Vai, fala a verdade. A verdade. Parece fácil quando Fábio fala assim, mas há mais em jogo. Paula, Júlio, Talita... Tudo está entrelaçado de forma tão complexa que não sei por onde começar. – Paula é minha amiga, Fábio. Eu estou ajudando ela. Não posso simplesmente largar tudo e ir atrás de Talita. Não agora. Fábio me olha como quem não acredita. Ele sabe que estou usando Paula como desculpa. A verdade é que tenho medo. Medo de enfrentar Talita, de ouvir que é tarde demais, que ela seguiu em frente. Que Júlio talvez nem saiba quem eu sou. O sol já está se escondendo completamente, e o crepúsculo dá lugar à escuridão. E, junto com essa escuridão, vem a certeza de que eu não posso continuar assim. Preciso fazer algo. Preciso de respostas. Na casa de Talita Talita. Será que ela ainda pensa em mim? Será que ela também olha o crepúsculo e se pergunta sobre o que poderia ter sido? Eu me viro para Fábio. – Talvez seja hora de voltar – digo, sentindo um peso sair das minhas costas. – Talita merece explicações. E Júlio... Ele merece conhecer o pai. Fábio me olha com um misto de alívio e surpresa. Eu sei que ele estava esperando por isso há muito tempo. – Você está pronto para isso? – ele pergunta, sem rodeios. Respiro fundo. Não tenho certeza se estou pronto, mas já não posso mais fugir. – Não sei se estou, mas preciso tentar. Cansei de viver com essa dúvida, com esse arrependimento. Ela merece saber a verdade, e Júlio merece ter o pai por perto. Naquele momento, sinto como se estivesse tomando a decisão mais importante da minha vida. O sol desaparece completamente, e a noite toma conta do céu, trazendo consigo a promessa de mais um dia. Passei a noite em claro, pensando em como seria o reencontro. E se ela me rejeitasse? E se ela já tivesse seguido em frente, construído uma vida nova, sem espaço para mim? Essas perguntas me consumiram durante toda a noite, mas, ao amanhecer, tomei a decisão. Não posso viver no "e se" para sempre. Na manhã seguinte, preparei minhas coisas e fui atrás dela. Não sabia onde ela estava morando, mas ainda tinha algumas conexões que poderiam me ajudar. Liguei para algumas pessoas, e finalmente, consegui um endereço. Eu dirigia pelas estradas com o coração acelerado. Cada quilômetro percorrido me trazia mais perto dela, mas também mais perto do meu maior medo: descobrir que o tempo havia levado tudo embora. Quando cheguei à porta da casa onde ela vivia, minhas mãos tremiam. Toquei a campainha, e esperei. A porta se abriu, e lá estava ela. Talita. Sandro: Desde aquele dia, Tudo se acabou pra min. A noite anterior foi longa. Passei horas pensando em como seria reencontrar Talita. A ideia de que ela poderia me rejeitar me consumiu, mas, ao amanhecer, eu soube que não podia continuar vivendo com tantas dúvidas. Decidi ir atrás dela, mesmo sem saber o que encontraria. Liguei para algumas conexões antigas e, finalmente, consegui um endereço. Dirigi por estradas que pareciam se alongar infinitamente. Cada quilômetro me aproximava dela, mas também do meu maior medo: que Talita tivesse seguido em frente e construído uma vida nova, sem espaço para mim. O arrependimento pesava em meu peito, como se os anos de distância fossem insuportáveis de carregar. Quando finalmente estacionei em frente à casa, minhas mãos tremiam. Eu sabia que essa poderia ser minha última chance de corrigir tudo. Toquei a campainha e esperei. A porta se abriu, e lá estava ela. Talita, com o mesmo olhar intenso que sempre me cativou. Por um segundo, fui levado de volta no tempo, quando tudo entre nós era mais simples, quando eu acreditava que o amor que compartilhávamos seria suficiente para superar qualquer obstáculo. Mas o que eu vi em seus olhos agora era diferente. Havia uma calma resoluta, uma força que eu não reconhecia. Ela parecia... distante, como se o tempo tivesse colocado um abismo entre nós que eu não sabia como cruzar. Talita Quando abri a porta e vi Sandro ali, parado diante de mim, meu coração deu um salto. Por tanto tempo, imaginei esse momento. O reencontro. As palavras que ele diria, as explicações que eu merecia. Mas, agora que ele estava aqui, tudo parecia diferente. O passado que tanto me atormentava estava atrás de mim, e o futuro... bom, o futuro que eu planejava já não o incluía mais. – Sandro – eu disse, tentando manter a voz firme. – O que você está fazendo aqui? Ele hesitou, e eu vi a luta interna refletida em seus olhos. – Precisamos conversar – ele finalmente respondeu. – Eu cometi muitos erros, Talita, e não posso seguir em frente sem te dizer a verdade. A verdade. Ah, como eu esperei por isso. Mas, agora, será que eu ainda queria ouvir? Havia tanto tempo passado, tantas feridas já cicatrizadas, que eu não sabia se abrir espaço para mais dor era o certo a fazer. – Acho que é tarde demais para isso, Sandro. Muita coisa mudou. Eu mudei – minha voz soou mais fria do que eu pretendia, mas talvez fosse necessário. Ele parecia querer insistir, mas então algo em sua expressão mudou. Era como se, pela primeira vez, ele percebesse que eu realmente não era mais a mesma mulher que ele deixou para trás. Sandro Ela tinha razão. Era tarde demais. Eu sabia disso. Mas ainda assim, a esperança teimosa dentro de mim não queria aceitar. Queria acreditar que, de alguma forma, poderia haver um caminho de volta, uma maneira de recuperar o tempo perdido. – E Júlio? – perguntei, desesperado por uma conexão, por algo que ainda me ligasse a ela. Talita suspirou, e por um momento, vi a dor em seus olhos. – Júlio está bem. Ele cresceu sem você, Sandro. Eu fiz o que pude, e ele é uma criança feliz. Ele não sabe quem você é. Aquelas palavras foram como uma punhalada. Meu filho. O filho que eu nunca conheci, que cresceu sem saber da minha existência. Parte de mim queria gritar, queria exigir um espaço na vida dele, mas outra parte sabia que não tinha esse direito. Eu o perdi, assim como perdi Talita. – Eu gostaria de conhecê-lo – murmurei, sabendo que era um pedido egoísta. Talita balançou a cabeça, e percebi que havia mais para aquela história. – Não é tão simples assim, Sandro. Eu estou noiva de outro homem. Ele ama Júlio, e Júlio o ama. Essa é a vida dele agora. E eu... eu aceitei isso. Naquela noite, o jantar que poderia mudar tudo... Talita Horas antes de Sandro aparecer, eu estava me preparando para algo completamente diferente. Ajustei o vestido vermelho, tentando acalmar os nervos. Naquela noite, eu jantaria com Alexandre, o homem com quem eu estava construindo um futuro. Ele havia entrado na minha vida de forma inesperada, em um dia que mudou tudo para nós. Naquele dia no parque de diversões, quando Júlio desapareceu, foi Alexandre quem me ajudou a encontrá-lo. Eu nunca vou esquecer o pânico que senti, o medo de perder meu filho. Alexandre estava lá, calmo, confiante, e quando ele encontrou Júlio chorando, algo mudou dentro de mim. A gratidão que senti se transformou em amizade, e, com o tempo, amizade em algo mais.
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