capítulo 09: Motivos

1231 Palavras
Mas e Sandro? Apesar da felicidade daquele dia, uma parte de mim ainda se perguntava como Sandro reagiria se soubesse a verdade. Não importava o quanto eu tentasse seguir em frente, havia um pedaço de mim que ainda se conectava ao passado, àquele amor que deixou cicatrizes profundas. Eu sabia que um dia essa verdade teria que vir à tona, mas não naquele momento. Não naquele dia. Alexandre Ao sair do cartório com Talita ao meu lado e Júlio segurando minha mão, uma sensação de completude me invadiu. Sabia que o amor de Talita por mim ainda não era o que eu esperava, mas sua sinceridade e sua vontade de tentar me davam forças. Eu havia esperado por esse momento, e agora estava determinado a conquistar o coração dela todos os dias, de forma paciente e gentil. Aquele sorriso genuíno que ela me deu depois de dizermos "sim" foi tudo o que eu precisava. Sabia que havia esperança, que juntos poderíamos construir uma vida cheia de amor, confiança e respeito. Júlio já me chamava de pai, e isso era o maior presente que eu poderia ter recebido. Estávamos prontos para enfrentar o futuro, juntos. No entanto, eu sabia que, eventualmente, teríamos que lidar com Sandro. Ele ainda era uma sombra no passado de Talita, e por mais que eu quisesse proteger nossa família dessa parte da história, sabia que um dia ele descobriria a verdade sobre Júlio. Mas não hoje. Hoje era sobre nós, sobre o recomeço. Talita Ao segurar a mão de Alexandre enquanto caminhávamos em direção ao carro, uma sensação de paz me envolveu. Eu estava disposta a enfrentar tudo o que viesse, por mim, por Júlio e por essa nova vida que estávamos construindo juntos. O passado sempre estará lá, mas o futuro... o futuro é nosso. Agora que Alexandre e eu somos oficialmente uma família, sinto uma nova responsabilidade. Júlio é a nossa maior prioridade, e o bem-estar dele é o que me impulsiona a seguir em frente. Mas, ao mesmo tempo, sei que o passado ainda precisa ser resolvido. Sandro não pode permanecer no escuro para sempre. O que acontecerá quando ele souber sobre Júlio? Como reagirá? Será que ainda há algo entre nós que precisa ser dito? Essas perguntas continuam a me assombrar, mas por enquanto, escolhi o presente. Escolhi minha nova família. Enquanto seguimos em frente, juntos, uma parte de mim sabe que a verdade sempre encontra um jeito de vir à tona. E quando esse dia chegar, estarei pronta para enfrentá-lo. Mas hoje, somos uma família, e isso é tudo o que importa. Julio Eu sempre me perguntei como seria ter um pai ao meu lado, alguém que estivesse lá para me buscar na escola, para me levar ao futebol, ou para sentar ao meu lado e contar histórias antes de dormir. Às vezes, quando eu estava doente, imaginava como seria ter alguém além da minha mãe ali, cuidando de mim. Não é que minha mãe não fosse suficiente – ela sempre foi. Mas o buraco que meu pai biológico deixou nunca parava de doer. Eu lembro de ouvir meus amigos cochicharem sobre seus pais, e isso fazia meu coração apertar. “Será que eu fiz algo errado? Será que não sou suficiente?” Eu me perguntava, olhando para as fotos antigas, onde vi um homem que eu soube ser meu pai, mas que nunca apareceu na minha vida. Ele estava com outra família, com outro filho, e parecia tão feliz. Aquilo me machucava de um jeito que eu não sabia explicar. Eu nunca disse nada para minha mãe, mas ouvia ela chorando à noite, e isso só reforçava minhas certezas: meu pai não nos queria. Ele tinha escolhido outra vida, outra família. Essa era a realidade que eu aprendi a aceitar. Ou pelo menos tentei. Mas então, Alexandre entrou em nossas vidas. No começo, eu não sabia o que esperar. Será que ele seria como o meu pai biológico, indo embora quando as coisas ficassem difíceis? Mas ele não foi. Ele ficou, me ajudou, e fez minha mãe sorrir como eu nunca tinha visto antes. Ele me tratava com tanto carinho que, aos poucos, comecei a acreditar que talvez eu merecesse ter um pai de verdade. Alexandre Quando conheci Julio, eu sabia que ele carregava uma dor silenciosa. Havia algo nos seus olhos, uma tristeza que ele não conseguia esconder, e eu entendia. Mesmo sem conhecê-lo direito, eu sabia que ele sentia falta de algo – ou melhor, de alguém. Mas com o tempo, me aproximei dele com cuidado, mostrando que eu estava ali, que ele podia confiar em mim. Ver Talita e Julio juntos sempre me fez querer estar ao lado deles. Talita tinha passado por tanta coisa, e eu admirava sua força, seu amor incondicional pelo filho. E Julio, mesmo com toda a dor que ele carregava, era uma criança doce, que só precisava de um pouco mais de segurança, de um pouco mais de amor. Eu estava determinado a ser esse apoio para ele, e não apenas porque amava Talita, mas porque amava Julio também. Quando nos casamos, eu sabia que aquele era o início de uma nova jornada. Ao ver Julio sorrindo durante a cerimônia, meu coração transbordou de felicidade. Eu não podia mudar o passado dele, mas podia garantir que, daqui em diante, ele teria a família que merecia. Julio O casamento foi mágico. Nunca vi minha mãe tão feliz. Ela não parava de sorrir, e Alexandre também. E eu? Eu finalmente senti que tinha uma família. Não uma família que foi imposta pelo sangue, mas uma que escolhemos juntos. Agora eu tinha alguém que não só me amava como um filho, mas que também estava ali, presente em todos os momentos. Após o casamento, ao chegarmos na nossa nova casa, tudo parecia perfeito. A casa estava cheia de alegria, de vida. Alexandre olhou para mim com aquele sorriso que eu já tinha aprendido a amar, e eu sabia que agora eu não estava mais sozinho. – Alexandre, você viu? Todo mundo estava sorrindo hoje. Foi o melhor dia de todos! – disse eu, m*l conseguindo conter a excitação. Ele riu, aquela risada calorosa que sempre me fazia sentir seguro. – Eu vi, Julio. E o seu sorriso foi o mais brilhante de todos. Você sabe o quanto esse dia significa para mim também, não é? Eu acenei com a cabeça, sentindo a felicidade transbordar no meu peito. – Sim! E agora você é oficialmente meu pai! Isso é tão... tão... – Incrível? Maravilhoso? Um sonho se tornando realidade? – ele completou, ainda com aquele sorriso. – Sim, sim e sim! – Eu pulei de alegria. – E sabe de uma coisa? Acho que minha mãe nunca esteve tão feliz antes. Ela não parava de sorrir. – Ela estava linda, não estava? – Alexandre disse, com olhos brilhando de felicidade. – E a felicidade dela é a minha felicidade. Agora somos uma família, Julio. Uma família de verdade. Eu não conseguia mais conter a emoção. Pulei nos braços dele e o abracei com força. – Eu te amo, pai – eu disse, sem hesitar. Pela primeira vez, senti que essas palavras eram completamente verdadeiras. Ele me abraçou de volta, tão forte quanto eu o abraçava. – Eu também te amo, filho. Vamos fazer muitas memórias juntos – ele disse, com a voz firme e cheia de emoção.
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