Devagar, Mas Com Verdade Letícia Os dias tinham mudado. O morro ainda era o mesmo — barulhento, vivo, perigoso. Mas dentro de mim, as coisas já não estavam tão cinzentas. Era como se eu tivesse saído de um túnel escuro e estivesse reaprendendo a viver. A respirar. A confiar. E muito disso era por causa dele. Jonas não forçava nada. Não cobrava nada. Ele só estava. Com café na mão, com silêncio paciente, com aquele olhar de quem vê o que ninguém mais vê em mim. Um pedaço de mim que até eu tinha esquecido que existia. Naquela tarde, ele apareceu mais cedo. Tava diferente. Limpinho demais, sem a jaqueta rasgada de sempre, e com um corte novo no cabelo. — Tá arrumado, hein — brinquei, encostada no batente da porta. Ele sorriu, sem muita graça. — É que... eu queria te chamar pra sair

