Acordei cedo, apertando os olhos contra a claridade que invadia o quarto pela janela. Minha cabeça estava pesada e, ainda enrolada nos lençóis, senti um corpo quente sobre o meu. Era ele. Extremamente nu, como veio ao mundo. O rosto afundado no travesseiro, dormia profundamente, alguns fios de cabelo caídos sobre os olhos. Fiquei observando por alguns instantes e tive certeza absoluta: Deus tem seus preferidos, sim. Mas então algo estalou dentro de mim. Tentei me desvencilhar com cuidado, sair da cama sem acordá-lo, sem fazer barulho algum. Porque, se Miguel despertasse, eu sabia — não teria forças para ir embora. Adiei a ducha da manhã. O som da água certamente o acordaria. Caminhei em passos leves, recolhi meu vestido do chão e me vesti longe dali. No espelho do banheiro do corre

