As três primeiras aulas pareciam uma eternidade. Eu copiava mecanicamente o que estava no quadro, mas minha mente estava longe dali. Cada vez que lembrava do que a Rebecca disse, um frio subia pela minha espinha. “Você… e o tio Miguel, se beijando.” A frase se repetia na minha cabeça como um eco que eu não conseguia silenciar. Tentei manter a postura, respirar fundo, olhar pra professora, fingir normalidade. Mas a verdade é que eu tremia por dentro. Bernardo me mandou duas mensagens perguntando se eu estava bem, e eu simplesmente deixei no “visualizado”. Não tinha espaço pra mais nada na minha cabeça além de preocupação. E Rebecca… Rebecca nunca sonhava à toa. Por mais que eu quisesse me agarrar a uma esperança mínima de coincidência, algo me dizia que não seria tão simples assim.

