Era noite… e a saudade dele me consumia. Do beijo, do toque, do calor da pele dele sobre a minha. A imagem de Miguel nu naquele motel queimava viva na minha mente. O cheiro, o gosto, o jeito como ele me olhava… Miguel era um vício. Meu vício. Eu tentava fingir controle, mas morria de ciúmes só de imaginar a possibilidade de perdê-lo. Bastava pensar nessa chance absurda — dele me deixar — e meus olhos ardiam. Eu não sabia se sobreviveria a isso. Mandei mensagem dizendo que m*l podia esperar pela sexta-feira, para ir à casa dele, sentir seu corpo, dormir ao seu lado, fazer amor… E então… silêncio. Do nada, ele parou de responder. Estranhei. Uma pontada de ansiedade subiu pelo meu peito. Liguei — e, no mesmo instante, vi o “digitando…” aparecer. “Falo com você depois… Seu pai está aqui.”

