Inquilina - Anna Lara

1902 Palavras
Ter André em minha cama não foi apenas um capricho! Eu queria mesmo t*****r com ele! Sei que de início ele estava tímido, inseguro... É compreensível! Ele passou a vida toda casado com a mesma mulher. Não sei dizer se a prima que ele mencionou aquele dia foi apenas um caso, ou se houve paixão. Não sou a mulher ideal pra alguém como ele, eu sei!Mas aqui no meu quarto ele teve tudo o que lhe foi negado há anos! Eu ainda consigo sentir a forma como ele me apertou contra o azulejo do banheiro, enquanto tomávamos banho. Eu sentia o frio da cerâmica contra o meu rosto, enquanto ele me estocava com o seu corpo quente sobre às minhas costas. Foi tudo tão intenso! Ouvi-lo gemer frases safadas ao pé do ouvido me fez conhecer um homem diferente de quando chegou aqui. Esse André estava mais solto. A culpa já não o predominava mais! Ele estava exatamente onde queria estar; e quando finalmente conseguiu gozar André apertou seus olhos, segurando o meu pescoço. Colou sua testa sobre a minha, e com um grunhido embargou seu corpo sobre mim. Com seu braço esquerdo sobre mim ele acabou dormindo de bruços. Fiquei totalmente sem reação! Eu não queria acorda-lo, mas às regras da casa são bem claras! Saí de seu abraço cuidadosamente e fui até o banheiro tomar uma ducha. Fiquei pensando nele ali deitado em minha cama... Sei que não é o primeiro homem casado que vêm até aqui a mim. Mas havia algo diferente em André... Algo que não sei explicar! Quando voltei do banho fiquei o olhando por alguns instantes. Seus cabelos lisos e castanhos caíam sobre a testa; pele branca aveludada, ombros largos e maxilar completamente desenhado. Eu não queria trata-lo como um simples cliente, mas precisava! Aos poucos seus olhos foram piscando e ele apertou um pouco antes de abri-los. - Há quanto tempo está aí? Perguntou-me. Dei de ombros e ele esboçou um sorriso estonteante. Meu Deus que homem charmoso! Ele olhou em seu relógio de pulso e sua expressão passou de satisfação para assustado. - Nossa a hora voou! Reclamou esfregando os olhos. - Já são três horas da manhã! - Tudo bem pra sua esposa chegar a essa hora em casa? Indaguei. - Ela não se importa! Ele disse procurando sua cueca sobre a cama. - Como sabe? Digo porque é a primeira vez que chega tão tarde! Comentei. - Tentei uma aproximação com ela ontem... André admitiu fazendo meu queixo cair. O olhei nos olhos vendo-o se vestir. - Ela disse que não consegue esquecer o que eu fiz no passado! E mesmo mandando entregar flores em seu trabalho, me ignorou completamente! Explicou. - Poxa André... Falei vendo-o abotoar a sua camisa social. - Eu sinto muito... - Não sinta! O desprezo dela acabou me levando até aqui. Não vou mais me culpar por um erro antigo! Ele parou diante de mim tocando meu rosto com seus dedos. - Pra mim foi muito bom tudo o que fizemos... Disse me acariciando. - Pra mim também. Respondi. Sei que André não acreditou em mim, mas eu realmente estava sendo sincera. Foi bem mais do que atender um cliente! Ele abriu a sua carteira tirando algumas notas, depois pegou a minha mão colocando-as. Suspirei fundo, e olhei pra elas. - Aqui têm mais do que uma noite inteira! Corrigi. - Você me devolveu de volta Cinderela, acho que estamos acertados! - Obrigada! Falei sentindo um nó na garganta se formar. - Bom... Ele pegou seu casaco.- Acho que já vou também. Minha filha tem aula pela manhã e eu costumo fazer o seu café. - Sua filha tem muita sorte de ter você como pai! Falei, pois eu sabia perfeitamente a ausência de um. - Ela só tem a mim... Deu-me um leve sorriso. E caminhou até a porta, abrindo-a. - Bom Cinderela, eu já vou... Disse se virando. - E a magia acabou... Tentei esconder a desilusão. - Eu voltarei! Prometeu, e depois pegou a minha mão que estava solta ao lado do meu corpo e a beijou. - Até logo! Ele se virou e eu acenei, com a minha cabeça ao lado da porta fiquei o olhando sair. Depois voltei ao quarto e troquei os lençóis, precisava deixar tudo preparado para o próximo cliente. Não vou negar que dessa vez o meu disfarce estava um pouco pesado. Mas eu precisava continuar, a noite ainda não havia acabado! (...) Tirei toda aquela fantasia e a maquiagem pesada. Aos poucos fui me desmontando para outra vez ser a Anna Lara de sempre. Desci às escadas bocejando puxando o meu sobretudo contra o corpo. - Dessa vez a Cindy se deu bem! Quase a noite toda com o mesmo cliente! Jasmine disse sentada em uma das banquetas tirando o seu sapato salto quinze que lhe apertavam os pés. Eu não sabia o que dizer, por isso deixei transparecer um sorriso sem mostrar os dentes. Vi Aurora perto do Pub com Ariel ao seu lado. Ela segurava um pacote de gelo próximo ao rosto. - O que aconteceu? Perguntei me aproximando. - Cliente agressivo de novo! Ariel respondeu revirando os olhos. - Meu Deus Aurora você precisa prestar queixa! Falei voltando-se para Aurora. - E ver o delegado gargalhar da minha cara? Disse desapontada. - Somos prostitutas Cindy! Ninguém se importa! Nesse momento senti como se meus olhos juntassem areia. - E a Mamãe Gothel? Perguntei. - Aquela velha asquerosa só pensa na grana que está entrando! Ela desferiu irritada. - Eu sinto muito... Falei tocando seu ombro. - Vá pra casa, eu estou bem! Disse como se quisesse me convencer. - Você vai acabar perdendo o metrô! Assenti concordando e fiz um carinho discreto em seu cabelo. Engoli em seco pois Aurora infelizmente morava no bordel, e ela era obrigada a ficar alí. Me despedi das meninas e passei pela porta olhando o sol que já brilhava no céu. Voltei pra casa aínda pensando em Aurora, e naqueles clientes sádicos e malucos que apareciam de vez em quando. Eu nunca deixei que tocassem em mim, dentro do criado-mudo eu guardo um spray de pimenta para momentos como esse. Mas na verdade eu espero nunca precisar usar isso em alguém! Dormi como nunca havia dormido antes. Acordei com Christopher ronronando sobre a cama. Calcei as pantufas e ele foi direto no pote de ração. O esfomeado parecia estar sem comer há dias! Só quem é mãe de gato sabe o sistema! Sentei-me próximo ao balcão e paguei todas as contas do apartamento via-online. Tomei uma xícara de café enquanto assistia algumas palestras de psicologia. Eu estava ansiosa para o início do curso! Depois de encerrar fiquei pensando em qual roupa iria me vestir pra hoje a noite. Nunca tive esses ímpetos de pensamentos, sempre deixei para resolver tudo no Castelo Club. Más é como se eu estivesse anelante para me tornar Cinderela de novo! Uma personagem que foi criada por uma c******a vulgar! Quando eu me torno Cindy eu sou destemida, poderosa, ousada! Não tenho medo de dizer o que penso! Pois sei que tudo faz parte do personagem! Cinderela é atraente, sedutora, com um sorriso envolvente. Ela consegue qualquer coisa usando aquele disfarce, inclusive dos homens! Mas quando sou Anna não me vejo assim! Sinto que sou apenas a moradora do trinta e oito. Magra, com um gato comilão, que sonha um dia em ser psicóloga. Eu fui trabalhar cantarolando, estava animada. O anseio em rever André era gritante dentro de mim; mas ele não apareceu! André não voltou ao Castelo Club, fiquei no bar o esperando mas nem sinal dele. Fiquei imaginando que talvez tenha acontecido alguma coisa. Mas daí então a ficha caiu! Por quê André voltaria a um bordel? Ele definitivamente conseguiu o que queria! Descontou a sua raiva, o abandono de sua esposa em algumas horas de prazer! Baixei a minha cabeça tomando a minha bebida, e entendi que já era hora de parar a estúpida fantasia de príncipe encantado. - Cindy chegou cliente pra você! De neve me avisou. Assenti terminando a minha bebida. - E lá vamos nós! Falei me levantando da banqueta. O cliente que me esperava era o famoso homem "macarrão instantâneo". Segundo Jasmine é aquele cara que apenas três minutos no fogo e já é o suficiente. Às meninas costumavam usar algumas expressões informais para a maioria dos homens. Alguns termos eram até divertidos! Mas nós todas sabemos que era uma forma de maquiar a nossa angústia, deixando o trabalho um pouco mais leve! Depois que atendi o terceiro homem na noite, me sentei no sofá em meu quarto. Peguei o meu celular apenas para me distrair, e me surpreendi com a mensagem de uma interessada em alugar o apartamento. Carol era o seu nome. Marquei com ela pela manhã em minha casa, e assim deixamos tudo combinado. Bloquiei a tela de meu celular e fiquei o batendo no queixo um pouco ansiosa. Ainda eram três horas da manhã e não parava de chegar clientes. Ariel me chamou para irmos a área VIP e eu recusei de imediato. Sei que lá dentro rola muito dinheiro, às vezes ganhamos em horas o que poderíamos ganhar em semanas. Mas sei também que preciso estar com o psicólogo bom para suportar todos os fetiches daqueles homens depravados. Então desci para o Pub, beber com alguns homens mais velhos enquanto jogam roleta no cassino clandestino. Sei que Mamãe Gothel não gosta muito de me ver ali; segundo ela meu talento é para estimular os homens, e não apenas como acompanhante. Mas eu não estava muito afim hoje! Um dos senhores era gay. Ele perguntou se eu possuía alguns brinquedinhos guardados. Eu assenti, e então subimos até o meu quarto. Muitos homens gays não assumidos nos procuram. Muitos deles são casados! É! Não se assuste não... Às vezes eles só tem vergonha de pedir para a esposa fazer um "fio terra". Apresentamos um "consolo" para o senhor executivo e ele gozou feito um adolescente. Ele me contou que é presidente de uma empresa, e que não pode deixar a esposa pois ele administra a empresa da família dela. Que dilema hein? Por isso eu sempre digo, nem tudo o que parece realmente é! Famílias perfeitas não existem! E se você conhece alguma parecida com comercial de margarina... Pode ter certeza que é fachada! No fundo, no fundo sempre necessitam de alguma coisa! Depois de termos usado todos os tipos de apetrechos no orifício do chefinho. Ele me pagou uma boa grana e saiu sorrindo quase saltitante. Sabemos que ele vai ter uma semana bem mais leve, depois do vibrador o ter pegado de jeito! Descartei todos os preservativos na lixeira e tirei o lençol da cama para quando a camareira chegasse. Desci às escadas rumo a saída, lá embaixo um completo silêncio. Às meninas aínda continuavam em atendimento, apenas o barman limpava o bar e guardava as garrafas. - Tenha um bom dia! Falei me despedindo. - Até a noite Cindy! Bom descanso! Ele acenou e eu agradeci. No metrô uma mensagem me deixou intrigada. No anúncio em que postei outra garota também se interessava pelo aluguel de quarto. Não tive coragem de dispensa-la, pois não tinha certeza se Carol realmente ficaria. Então marquei com a outra também no mesmo horário; assim eu saberia entre elas qual das duas seria a minha inquilina
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