FELICITY
O grito de desespero que escapou de minha garganta foi o único som escutado no salão naquele momento, meu coração parecia que iria saltar pela minha boca e meus olhos não queriam acreditar no que estava vendo, minha irmã Diana foi atingida pelo tiro disparado no escuro e agora minha caçula estava caída ao chão quase sem vida.
joguei-me em cima de seu corpo imóvel, eu queria sentir sua respiração, minhas lágrimas rolavam sem cerimônia por meu rosto naquele momento, eu não podia perder minha irmãzinha.
- Diana, Cait chorava chamando por nossa irmã.
- Eu já chamei a ambulância, Oliver finalmente se pronunciou, seu semblante estava cansado seu olhar era de preocupação, ele tentou me tirar de cima de minha irmã mais me neguei, não iria me afastar dela nenhum segundo sequer, Ray estava inconsolável ele não falava nada apenas segurava forte a mão de Diana enquanto sua emoção o dominava.
- Cait você é médica me diz que a nossa irmã vai ficar bem por favor, eu estava desesperada precisava de algo que me desse alguma esperança.
- O tiro passou bem perto do coração, mais a queda da sacada pode ser o maior problema, temos que ter fé e esperar a cirurgia acabar Lis, Cait fala enquanto me abraça, assim como eu ela também estava muito preocupada.
Assim que a ambulância chegou viemos direto para hospital, já têm umas quatro horas que eles estão em cirurgia e minha angústia só aumenta por que ninguém vêm dizer nada sobre o estado de minha irmã.
- Por quê você não está ajudando na cirurgia? perguntei a Cait assim que nos afastamos.
- Eu não sou especialista em cardiologia e neurologia, mais eu vou cuidar dela assim que a cirurgia acabar, eu não vou sair de perto dela eu prometo, Cait fala ao mesmo tempo que seca suas lágrimas.
- Onde está o Oliver? pergunta olhando para os lados, tentando encontrá-lo.
- Está na delegacia com o Tommy, eu não quero sair daqui, disse o óbvio e Cait assente em concordância.
- Felicity, ergo os olhos e vejo Moira e Thea correndo em nossa direção, me levantei e corri jogando-me em seus braços, eu precisava de um abraço apertado de mãe agora.
- Oliver ligou avisando o que tinha acontecido, eu sinto muito filha, Moira falava ao mesmo tempo que me abraçava.
- Obrigada por vir Moira, você também Thea, agradeci sincera.
- Como ela está felicity? Thea pergunta preocupada seus olhos marejados não escondia sua aflição, ela e Diana eram amigas, era nítida sua preocupação.
- Ainda está em cirurgia não nos deram nenhuma notícia.
- Vai ficar tudo bem querida, temos que ter fé, Moira fala oferecendo-me um sorriso singelo.
- Oliver pediu para trazer umas roupas limpas para vocês Moira entrega-me uma sacola e outra para Cait, desculpe não ter ido ao jantar, mais Thea e eu já tínhamos feito planos, Moira fala se desculpando.
- Não perdeu nada de bom, foi tudo o que eu consegui dizer, ao lembrar-me de toda a tensão que passei.
Saí para procurar um banheiro pra eu poder me trocar, meu vestido estava coberto com o sangue de minha irmã e isso só me fazia lembrar que minha irmã estava correndo risco de morte.
Encarei o espelho a minha frente e me assustei com meu próprio reflexo, Chase não podia sair vencedor eu não aceitaria isso.
Depois que me vesti com as roupas que Moira trouxe, comecei a andar pelos corredores daquele hospital, não pude deixar de ver que assim como eu, tinha muitas pessoas sofrendo com a perda triste de um "ente querido", contudo eu me negava a aceitar que minha irmã não sobreviveria, eu ainda tinha um fio de esperança iria segurar nela.
Parei em frente a uma porta onde tinha uma placa que dizia "capela", entrei, e senti um sensação boa atingir-me de imediato.
Era um lugar onde as pessoas vinham rezar, sentei em um dos bancos, eu não era muito religiosa mais se tinha um Deus que podia nos ouvir era com ele que eu queria falar nesse momento.
- Deus se o senhor está ai vendo tudo o que acontece aqui, por favor não deixa a minha irmãzinha morrer, supliquei.
Eu não posso perdê-la por favor ajude-me, minhas palavras saíram misturadas com as lágrimas que não parava de rolar por minha face.
- Eu sei que não sou a única pessoa a te pedir isso nesse momento, mais não posso deixar minha irmã partir sem tentar alguma coisa, por favor atende o meu pedido, o m*l não pode vencer, não posso permitir que isso aconteça, clamei mesmo com minha voz embargada pelo choro.
- Sabe, de nós três você sempre foi a mais chorona, ouvi sua voz mais não quis acreditar no que meus olhos estavam vendo.
- Diana? sussurrei com a voz trêmula, Como você pode está aqui? você está em cirurgia, falei como se fosse óbvio.
- Você me conhece maninha, eu sempre gostei de quebrar algumas regras, ela responde com um sorriso divertido no rosto, o que me fez sorrir em concordância.
- Eu tentei falar com a Cait e o Ray, mais eles não conseguiam me ouvir, foi quando eu ouvi você chorar e quando dei por mim já estava aqui, seu sorriso é leve e por seus olhos pude identificar muitas emoções.
- Eu preciso te dizer uma coisa Lis, acho que é por isso que estou aqui, Diana têm os olhos marejados, cobertos por um misto de emoções que eu não consegui indentificar.
- Eu não sei se estou sonhando ou alucinando, mas minha irmã está aqui falando comigo e isso me deixa muito feliz, suspirei emocionada.
- Pode falar, eu estou ouvindo, sussurro entre soluços por está emocionada.
- Primeiro se acalme, eu vou ficar bem, Diana toca meu rosto de forma gentil, instantâneamente senti-me mais aliviada.
- Lembra quando eu era pequena, acho que eu tinha ums seis anos, você tinha doze e a Cait tinha onze, vocês duas eram quase da mesma idade estavam sempre juntas, eu fazia pirraça na hora do jantar por que eu não queria comer verduras e a mamãe me deixava de castigo sem sobremesa, faço que sim com a cabeça e no mesmo instante minha memória faz-me recordar da minha irmãzinha birrenta, sorri com essa lembrança.
- Então, você levava a sobremesa para mim no meu quarto escondida da mamãe, nós duas comiámos juntas e você dizia que aquele era o nosso segredo.
- Eu me lembro disso, respondo sorrindo e chorando ao mesmo tempo, tentei segurar as lágrimas mais foi inútil.
- Aquele gesto de cumplicidade me fazia sentir especial, por isso toda noite eu fazia birra de propósito, e quando a mamãe me mandava para o quarto eu ficava anciosa esperando por você, e você sempre ia, toda as vezes sem nunca me decepcionar.
- Eu não sabia disso, fui sincera.
- Eu tenho muito orgulho de ser sua irmã Felicity, assim como eu também tenho da Cait, quero que saiba que eu nunca tive inveja de você, eu queria ser como você por que te admirava muito, eu sei que depois que crescemos e que nossos pais morreram eu fui muito má com você, é por isso que eu estou aqui, preciso que me perdoe por tudo o que eu falei que te magoou, você não merecia, eu fui injusta com você, Diana fala emocionada.
- Não precisa pedir perdão, eu nunca levei em consideração o que você dizia, você estava triste, eu entendia, cada um enfrenta o luto de um jeito diferente.
Toquei seu rosto fazendo um carinho.
- Por que você está aqui falando comigo DI? perguntei temerosa, algo dizia-me que isso era um Adeus e eu não queria pensar nisso.
- Acho que eu não vou sobreviver Lis, os médicos estão tentando mais meu corpo não está respondendo.
- Não, falei me debruçando em seu colo meu choro agora era mais alto e desesperado.
- Está tudo bem mana, eu não estou sentindo dor, eu vou ficar bem, Diana tenta me acalmar mais não me sinto calma.
- Eu quero que você e a Cait sejam muito felizes, não fiquem triste com a minha partida, Oliver é o seu grande e verdadeiro amor não desista dele por causa daquele infeliz, não pode deixar o m*l vencer Felicity, você tem que detê-lo, Diana fala sorrindo ao mesmo tempo que segura em minhas mãos mas não consigo sentir seu toque, sua imagem a minha frente começa a desaparecer lentamente deixando-me com o coração apertado.
- Acho que chegou a minha hora maninha, eu amo você, diz para Cait e para o Ray que eu os amo também, dar um beijo no Oliver e na Thea por mim, eu também os amo assim como o Tommy e a Moira, não vou poder me despedir deles mais diga que eu os amo de igual forma.
- Não irmã, por favor não vá! gritei assim que sua imagem sumiu por completo da minha vista.
- Não deixe o m*l vencer Lis, ouvi sua voz pela última vez e o medo e o desespero tomou conta de mim, sai correndo pelos corredores do hospital sem me importar se estava aos prantos, precisava ver minha irmã, eu não poderia deixá-la partir, pode me chamar de egoísta mais só quem já perdeu alguém importante na vida vai entender o que eu estou sentindo.
Passei por todos igual a um furacão e sem me importar com nada, entrei na sala de cirurgia no exato momento em que a enfermeira falava com o médico.
- Hora da morte 4:45 da manhã.
Um lençol branco foi pôsto sobre o corpo de minha irmãzinha e eu gritei tão alto que sentir meus pulmões sendo rasgado e minha garganta arder com a pressão que eu coloquei na hora do grito.
- Sinto muito senhorita, mais não pode ficar aqui, o médico falava tentando me tirar do quarto.
- Ela é a minha irmãzinha, é aqui que eu tenho que está, falei ignorando todos os médicos e indo em direção onde Diana estava deitada e sem vida, tirei o lençol que cobria seu corpo e dei um beijo em seu rosto enquanto acariciava seus cabelos.
- Por favor volta! ainda não é a sua hora, Chase não pode tirar você de mim, o m*l não pode vencer lembra?
- Você sempre quebra as regras, então onde quer que esteja quebre mais essa regra e volte por favor, por mim, supliquei chorando em cima do seu corpo imóvel.
O som do monitor cardíaco me trouxe de volta a realidade e tudo o que vi a seguir foram os médicos tirando-me de cima da minha irmã.
- Isso é um milagre o médico falava ao mesmo tempo que minha irmã dava sinal de vida.
15 dias depois.
Depois que os médicos milagrosamente trouxeram Diana de volta a vida, ela ainda ficou em recuperação no hospital por quase quinze dias, perguntei se ela se lembrava de alguma coisa enquanto estava em cirurgia, e ela disse que lembrava de tudo o que conversamos e que só voltou por que não aguentava mais me ver chorar, É, minha marrentinha estava de volta e eu estava feliz com isso.
Ray chamou Diana para morar com ele em Los Angeles, ele ia abrir uma filial da Palmer tech lá mas não queria se separar de minha irmã, eu não fui contra, só queria que ela fosse feliz. depois de tudo o que aconteceu era mais do que justo.
- Meu Deus! não precisa de tudo isso, Diana fala revirando os olhos ao ver Cait e eu chorando descontroladamente em sua despedida, estávamos no aeroporto onde Ray e Diana iriam embarcar para suas novas vidas, é claro que estávamos chorando, apesar de tudo, nunca tínhamos nos separado antes.
- Não se preocupem ela vai está segura, vou protegê-la com minha vida de for preciso, Ray fala com segurança sorrir em resposta sentindo-me mais tranquila.
- Me ligue todos os dias tá bom, de manhã, de tarde e de noite, falei seria e olhando em seus lindos olhos verdes.
- Sim mamãe, sua resposta rebelde me fez sorrir.
Oliver aproximou-se de mim abraçando-me por trás ao mesmo tempo que depositava um beijo em meu rosto.
- Ela vai ficar bem amor, tudo vai ficar bem, não se preocupe, sua confiança me fez suspirar aliviada. Oliver sabia o quanto tinha medo por minhas irmãs, e por todos que eu amava.
Nos despedimos entre lágrimas e sorrisos, Thea parecia ser a que mais sentiria falta das loucuras de minha irmã, por que ela estava agarrada a mãe que também estava emocionada com tudo o que aconteceu nos últimos quinze dias.
- Você sabe que eu vou te ligar todos os dias não sabe? Thea falava tentando não chorar mais foi inútil, suas lágrimas rolaram por sua face sem cerimônia.
Ela e Diana desenvolveram uma amizade muito linda em tão pouco tempo, foi impossível não me emocionar ao ver as duas se abraçarem com tanto carinho.
- Eu espero que além de me ligar, possa nos visitar também, quando vocês quiserem , nós vamos adorar recebê-los em nossa nova casa.
Diana exibiu um sorriso sincero, ela falava com uma felicidade tão verdadeira que deixou-me mais tranquila.
Foi então que eu entendi que não precisava me despedir, minha irmãzinha ganhou uma nova chance de ser feliz, eu só tinha que está feliz por ela.
O m*l não venceu, minha irmã estava viva e feliz ao lado do homem que a amava, eu sei que isso só foi possível por que eu acreditei que o poder do amor é a arma mais poderosa contra qualquer m*l, meu amor por minha irmã e seu amor por nós foi a única arma para vencer essa batalha, esse seria meu pensamento de agora em diante, Chase não pode me vencer, por que o amor sempre vence o ódio, e o bem sempre supera o m*l.