CAPÍTULO 4_REGRAS DE UM HOMEM PERIGOSO

1171 Palavras
Isabela Acordei com a sensação incômoda de estar sendo observada. O quarto ainda estava escuro, cortinas pesadas bloqueando a luz cinzenta de Moscou, mas eu sentia olhos em mim — mesmo que fossem só os meus próprios pensamentos me julgando. O beijo da noite anterior voltou como um choque elétrico, fazendo meu estômago revirar. Dimitri. A boca dele invadindo a minha, o jeito como me puxou contra o corpo como se eu fosse dele há anos, e depois se afastou bruscamente, como se eu fosse um limite que ele não podia ou não queria cruzar. Covarde, pensei, apertando os lençóis. Ou inteligente demais para saber o estrago que causaria se continuasse. Levantei devagar, o corpo ainda carregando o eco daquele toque. Fui até o banheiro luxuoso — mármore branco, espelhos enormes, chuveiro que parecia saído de hotel cinco estrelas — e lavei o rosto com água gelada, tentando lavar também a confusão dentro da cabeça. Eu não podia me permitir pensar nele daquele jeito. Não podia esquecer que estava ali por causa de uma dívida. Que nada daquilo era escolha minha. Que ele era o homem que me tirou do Brasil como se eu fosse um pacote a ser entregue. Quando saí do quarto, dois seguranças estavam no corredor, postados como estátuas. Armados, uniformes pretos impecáveis. — O senhor Volkov pediu que a senhora descesse para o café — disse um deles, educado demais para alguém com coldre visível na cintura. “Pediu.” Ri por dentro. Pedido de mafioso nunca é pedido — é ordem disfarçada. Desci as escadas sentindo o peso da mansão em cada degrau. A sala de jantar parecia saída de um filme antigo de poder: mesa longa de madeira escura, lustre de cristal que refletia luz fria, paredes com quadros que pareciam custar mais que minha vida inteira. Dimitri estava à cabeceira, lendo algo no tablet, calmo demais. Usava camisa preta, mangas dobradas até os antebraços, tatuagens aparecendo como avisos silenciosos — linhas pretas grossas, símbolos que contavam histórias de sangue e lealdade. Ele ergueu o olhar quando me aproximei. Olhos azuis que pareciam ver através de mim. — Dormiu bem? — perguntou, como se não tivesse quase me beijado até perder o controle horas antes. — Considerando que fui sequestrada, poderia ter sido pior — respondi, sentando sem ser convidada na cadeira ao lado dele. Ele suspirou, largando o tablet com um gesto controlado. — Precisamos estabelecer regras. — Ótimo — retruquei, cruzando os braços. — Eu também tenho algumas. O canto da boca dele se moveu quase imperceptivelmente — quase um sorriso. — Aqui estão as minhas — disse, firme, voz baixa e inegociável. — Você pode circular pela mansão. Pode estudar, usar a biblioteca, a academia. Terá tudo o que precisar. Mas não sai sozinha. Não fala com estranhos. E não provoca situações que não pode controlar. — Como você? — provoquei, inclinando-me levemente para frente. Os olhos dele escureceram por um segundo, um brilho perigoso passando neles. — Especialmente comigo. Cruzei os braços mais forte. — E em troca? — Em troca, você estará segura. — Segurança comprada não é liberdade — respondi, sustentando o olhar. Ele se inclinou levemente para frente, diminuindo a distância entre nós. — Liberdade se conquista. Nos encaramos por longos segundos. Nenhum dos dois cedeu. O ar parecia carregado, como antes do beijo na cozinha — tensão pura, esperando para explodir. Dimitri Ela era um erro estratégico. Desde o momento em que entrou naquela mansão, Isabela bagunçou um equilíbrio que eu levei anos para construir na Bratva. Meus homens notaram os olhares discretos, as conversas sussurradas nos corredores. Uma mulher que chama atenção demais em Moscou vira alvo rápido. E ela chamava atenção sem nem tentar. — Hoje à noite haverá um jantar informei, voz neutra. — Alguns parceiros. Você estará presente. Ela arqueou a sobrancelha, surpresa misturada com desafio. — Como decoração? — Como prova de que você está sob minha proteção. — E se eu disser não? — Você não dirá. Ela abriu a boca para responder, mas foi interrompida por uma voz feminina atrás de nós. — Dimitri, você não avisou que teria companhia. Virei-me. Irina. Alta, elegante, perigosa à sua maneira. Cabelos loiros perfeitos, vestido preto justo, sorriso que escondia facas. Uma aliada antiga — e às vezes mais que isso. Os olhos dela passaram por Isabela de cima a baixo com curiosidade afiada, avaliadora. — Esta é Isabela — apresentei, voz firme. — Ela ficará conosco por um tempo. Isabela se levantou devagar, mantendo o queixo erguido. — Prazer — disse, seca, sem estender a mão. Irina sorriu. Um sorriso que não chegou aos olhos. — Imagino. Observei Isabela. A tensão em seus ombros. O olhar atento, como se estivesse medindo a outra mulher. O incômodo era visível — e, contra toda lógica, isso despertou algo possessivo em mim. Um instinto que eu não esperava sentir tão cedo. — Não é comum você trazer alguém para a mesa, Dimitri — comentou Irina, voz melíflua. — Nada nela é comum — respondi, antes de pensar. Isabela me encarou, surpresa. E então, sorriu. Um sorriso perigoso, quase provocador. Isabela Irina saiu pouco depois, alegando uma ligação urgente, mas o clima ficou pesado como chumbo. O perfume dela ainda pairava no ar — floral caro, invasivo. — Ela é sua… o quê? — perguntei, fingindo indiferença enquanto tomava um gole de café que não queria. — Uma aliada — ele respondeu rápido demais. — Só isso? Ele se levantou, aproximando-se devagar. Sempre assim. Invadindo meu espaço sem tocar. — Ciúmes não combinam com sua situação. — Eu não sinto ciúmes — rebati, erguendo o olhar. — Só não gosto de jogos que não entendo. Ele ficou a centímetros de mim novamente. O cheiro dele — couro, tabaco, perigo — me envolveu. Meu corpo reagiu, traiçoeiro, mesmo que minha mente gritasse para não ceder. — Então aprenda as regras, Isabela. — E você aprenda que eu não sou uma peça no seu tabuleiro. Por um segundo, achei que ele fosse me tocar — talvez repetir o beijo da noite anterior. Não tocou. Apenas disse, baixo, quase um sussurro: — O jantar de hoje vai testar isso. E saiu, deixando-me sozinha na sala enorme. Fiquei ali, o coração acelerado, o café esfriando na xícara. Aquele homem não era só perigoso. Ele gostava de jogos. E eu estava começando a aprender a jogar também. 🔥🔥🔥🔥🔥🔥🔥🔥🔥🔥 🔥 Cliffhanger O jantar vai expor Isabela ao mundo de Dimitri — e aos inimigos dele. E alguém naquela mesa não vai aceitar a presença dela. 🌹🌹🌹🌹🌹🌹🌹🌹🌹🌹🌹🌹 Oi, minhas lindas leitoras! ❤️ Se vocês estão amando essa tensão entre Isabela e Dimitri, por favor deem aquele likezinho maroto, comentem o que acharam tipo: meu Deus, esse ciúme! ou quero mais beijo! e indiquem o livro pras amigas que curtem dark romance mafioso! Cada curtida e comentário ajuda muito a história crescer aqui na Dreame. Vocês são incríveis e fazem tudo valer a pena. Beijos quentes e até o próximo capítulo! 🔥 Leiliane
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