Isabela
Eu não dormi.
Não por medo.
Por clareza.
Sergei tentou me matar porque me viu crescer rápido demais. Porque homens como ele passam a vida inteira esperando poder — e eu o atravessei em semanas.
Isso não é sobre ódio.
É sobre hierarquia.
Na manhã seguinte, convoquei reunião extraordinária no mesmo salão onde Morozov ajoelhou.
Desta vez, não haveria espetáculo prolongado.
Dimitri ficou ao meu lado. Silencioso. Observando. Avaliando cada reação.
Sergei entrou confiante demais.
Erro número um.
— Reunião urgente? — ele perguntou, ajustando o paletó. — Aconteceu algo?
— Sim — respondi, calma. — Aconteceu.
Ele me encarou. Tentou sustentar.
Eu andei devagar até o centro da sala.
— Ontem, um atirador tentou me matar.
Murmúrios.
— Ele falhou — continuei. — Porque subestimou minha sorte… e minha proteção.
Sergei cruzou os braços.
— Já sabemos disso.
— Sabemos mais do que isso — falei.
Dimitri jogou a pasta sobre a mesa.
Transferências. Registros. Assinaturas digitais.
O rosto de Sergei não mudou de imediato.
Homens experientes aprendem a mascarar.
— Isso não prova nada — ele disse.
Eu me aproximei.
— Prova que você pagou um profissional para eliminar uma ameaça.
— Que ameaça? — ele rebateu.
Eu parei a um metro dele.
— Eu.
O silêncio ficou denso.
— Você está ultrapassando seus limites — Sergei rosnou.
Sorri levemente.
— Não. Estou definindo.
Ele olhou para Dimitri.
— Vai permitir isso?
Dimitri não piscou.
— Ela está falando.
Foi nesse momento que Sergei entendeu.
Ele puxou a arma.
Mas eu já esperava.
O tiro dele ecoou alto — e acertou o nada.
Porque Dimitri foi mais rápido.
Dois disparos.
Um no ombro.
Outro na perna.
Sergei caiu, gritando.
Aproximei-me lentamente enquanto os homens ao redor assistiam em silêncio absoluto.
Agachei à frente dele.
— Você confundiu medo com autoridade — falei baixo. — E isso custa caro.
Ele cuspiu sangue.
— Você nunca será aceita.
Inclinei a cabeça.
— Eu não preciso ser aceita. Preciso ser obedecida.
Levantei.
Olhei para Dimitri.
Ele me entregou a arma.
O peso dela na minha mão não me assustou.
Olhei para os homens ao redor.
— Lealdade não é palavra — declarei. — É escolha diária.
Voltei o olhar para Sergei.
— E você escolheu errado.
O disparo foi único.
Seco.
Definitivo.
O corpo dele caiu imóvel.
O silêncio não era mais dúvida.
Era respeito.
Entreguei a arma para Dimitri.
— Limpem — ordenei.
Ninguém hesitou.
Dimitri
Ela não tremeu.
Não vacilou.
Não pediu validação.
Quando ficamos sozinhos, fechei a porta do escritório e a puxei contra mim com força.
— Você atravessou a última linha hoje — murmurei.
— Eu desenhei uma nova.
Minha mão segurou sua nuca.
— Eles têm medo de você.
— Ótimo.
— Eu também deveria?
Ela encostou a testa na minha.
— Só se me trair.
Ri baixo.
— Você gosta de jogar com fogo.
— Eu sou o fogo.
Beijei-a com intensidade crua. Não era apenas desejo. Era reconhecimento. Era poder compartilhado. Era algo mais perigoso do que amor.
Quando nos afastamos, ela falou:
— Morozov não fez o último movimento ainda.
— Eu sei.
— E quando ele fizer — continuou — eu quero estar na linha de frente.
Segurei seu rosto com firmeza.
— Você já está.
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🔥 Cliffhanger:
• Morozov prepara algo que não envolve balas
• Um nome do passado de Isabela começa a surgir
• O conselho agora teme mais ela do que Dimitri