Um Alguém

1315 Palavras
Naomi - Sakura? O que faz aqui? - Eu vim em paz. Posso entrar? - Depende do que estiver na sacola. - Olhei para a sacola na sua mão - Vinho. - Pode entrar. Abri espaço e a rosada entrou. Fui para o armário e peguei duas taças. - E então? - Me sentei no banco do balcão - Qual é a da visita? E como me encontrou? - Vim conversar. - Ela se sentou também - Eu vi você entrando aqui no outro dia, então pensei que morasse aqui. Aí só pedi ao porteiro e ele me falou qual era o seu andar. - Ah... - Bebi o vinho - Soube de você. E que saiu do hospital tem pouco tempo. - É. Mas já estou melhorando. - Que bom. Depois que soube disso, pude entender porquê Kakashi me largou. - Olha, Sakura, eu não quero briga, nem... - Não vim buscar briga. Só conversar. - Já que é assim... Pode ser então. Mas não vamos nos empolgar na bebida, não sei se posso. [...] - E tipo assim... - Ela enxugou suas lágrimas - Ele m*l me olhou. - Entendo, amiga. Homem não presta. - Bebi da garrafa - Às vezes, eu gostaria de ser lésbica. - Nem olha pra mim. - Sabe... Ele era tão selvagem comigo. Era tão... - Me poupe dos detalhes, querida. - Mas quando você chegou... Parei de beber e olhei para ela. Sakura estava fitando a janela, pensativa. - Quando você chegou, ficou raro vê-lo ir lá em casa. Antes disso, ele me visitava quase todo dia, transávamos o dia inteiro. Agora, parece que ele se enjoou de mim. - E o que eu tenho a ver com isso? - No outro dia, eu convidei ele para jantar comigo. Sempre pedi, mas ele sempre recusou. Finalmente, ele aceitou e fiquei muito feliz. Fomos em um restaurante, no meu preferido, onde tem as comidas que eu gosto. - Ele me disse que você é vegetariana. - Sim, sou. Então, durante o tempo todo, ele ficou com uma cara de tédio, ficou pensativo. Depois, até tentei levá-lo para cama, mas ele recusou. - E então? - Alguns dias se passaram, aí resolvi passar no trabalho de vocês para vê-lo. Um cara disse que ele tinha ido almoçar e eu fui procurá-lo. Foi quando vi vocês dois. Vocês estavam conversando, rindo juntos... Lembro bem desse dia. - Ele te olhou de um jeito diferente. Um olhar que ele nunca teve sobre mim. Não sabia o que dizer. Fiquei bebendo e prestando atenção no que ela falava. - Ele terminou comigo por sua causa. - Vocês nem namoravam. - Será que pode parar de pisar nos meus sentimentos? - Desculpa. Saiu sem querer. - Ele me dispensou sem sequer me olhar. - Ela deitou no meu colo e chorou - Eu... Eu achei que ele poderia me amar algum dia. Acariciei seus cabelos. Já estávamos bêbadas e aparentemente, amigas. Depois de tanta conversa e choro, chamei um carro pelo aplicativo para Sakura e ela foi embora. - No final, ela só queria alguém para desabafar. [...] Precisava de comida e de mais algumas  coisas para casa. Então, resolvi ir ao mercado. Como estava frio, coloquei uma calça jeans clara, camisa de manga comprida preta e um sobretudo marrom com botinhas pretas. Deixei os cabelos soltos e saí. Entrei no carro que chamei pelo aplicativo e seguimos para o mercado. Paguei e ao sair, me abracei, sentindo frio. Era Outono, todas as árvores que via estavam em tons alaranjados e amarelos. As ruas, cheias de folhas e toda hora ventava. Adentrei no enorme mercado e agradeci mentalmente por estar quente. Tirei meu sobretudo, peguei um carrinho e coloquei a peça de roupa dentro dele. Comecei a caminhar e olhar algumas coisas. Preciso de shampoo também. Um macarrão hoje seria bom. As dores diminuíram, então, acho que será mais fácil de fazer minha comida. Também preciso de um iogurte. E que tal sorvete? Melhor não. Vou acabar ganhando peso. - Que saco. - Murmurei Virei o carrinho e bati em outro. - Essa cidade é tão pequena, não? - Tá me seguindo agora, Hatake? - Talvez. - Ele riu - Não. Brincadeira. Vim fazer algumas compras. - Você fazendo compras? Que bizarro. - Por quê é bizarro? Sou uma pessoa normal. Começamos a caminhar juntos. - Ah, sei lá. Só nunca pensei em você fazendo compras. Você parece ser do tipo que pede para que entreguem em casa. - É, tem razão. Mas hoje eu estava sem fazer nada, então resolvi sair. - Para ir ao mercado? Nossa. - Ri. Comecei a usar frio, passei a manga da blusa na testa, secando ela. - Como... Como estão as coisas no trabalho? - Perguntei - Sente falta de mim lá? - Estão tediosas. É meio chato não ter alguém para irritar. - Olha só. Então sou única para o Hatake Kakashi? - Ri me sentindo m*l fisicamente. - Quem sabe? Talvez, seje. - Estou te estranhando, Hatake. Você me parece mais... - Mais? - Feliz. Posso saber o motivo? - Vai ficar na curiosidade... caipira. - Disse sorrindo Não pude deixar de rir, mas sentindo minhas pernas tremerem. - E então, loirinha, o que acha da gente... Caí de joelhos e ele veio me socorrer. Meu corpo voltou a doer; especificamente, minhas feridas. - Naomi. Ei, olhe para mim. Você vai ficar bem, calma. - E-Eu estou bem, Hatake. Não... Não se preocupe. Ele me pegou no colo e correu comigo para fora sob os olhares de todos. Me colocou dentro de seu carro e saiu com ele. - Me leve pra casa. - Falei - Quê? Não! Vou levá-la para o hospital. - Kakashi. - Coloquei minha mão sobre a sua - Por favor, me leve para casa. Eu vou ficar melhor lá. Ele olhou para mim e respirou fundo. - Se você piorar, a levarei mesmo que não queira. - Disse [...] Sentindo dores, Kakashi teve que me levar no colo de novo. Entramos no meu apartamento e ele me colocou no sofá. - Isso me lembra aquela vez que nos infiltramos na festa dos Yamanaka. - Senti dores ao rir Kakashi veio com um pano úmido e o colocou sobre minha testa. - É. Você estava linda nesse dia. Não que não esteja agora. - Obrigada. Mas não pense que vou me esquecer que tenho raiva de você. - Você vive com raiva de mim. - Falou me cobrindo com minha coberta. - Você que provoca. - Gosto de provocar. Kakashi Ela riu e não contive um sorriso. Deixei-a deitada e fui pegar alguns remédios. - Você deve estar com dores por ter feito muito esforço. O que fez hoje? - Só arrumei a casa. - Então evite arrumar muita coisa. - Entreguei um remédio com um copo d'água - Não quero vê-la no hospital outra vez. Ela assentiu, tomou o remédio e voltou a deitar. - Obrigada. Por tudo. - Ela bocejou - Vou dormir um pouquinho. Pode ficar à vontade. Um cachorrinho pulou no sofá e deitou-se ao seu lado. - Essa é minha filha, Bull. - Disse acariciando a cadela - Sua filha? - Acariciei a cadelinha Naomi sorriu e dormiu em seguida. Fiquei sentado no chão, perto dela assistindo um filme. Olhei para a loira que ainda tinha um lugar roxo no rosto. Me aproximei devagar e parei quando nossos narizes quase se tocaram. Acariciei seu rosto levemente com o polegar e observei seu rosto calmo. - Me desculpe. Se eu tivesse chegado mais cedo, talvez você não estivesse assim agora. - Sussurrei - Sei que sou um i****a com você às vezes. Não sei como me atura. - Ri baixo Continuei a observar ela, até me perguntar o que eu estava fazendo. O que eu estava fazendo com ela e comigo mesmo.
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