Naomi
- Sakura? O que faz aqui?
- Eu vim em paz. Posso entrar?
- Depende do que estiver na sacola. - Olhei para a sacola na sua mão
- Vinho.
- Pode entrar.
Abri espaço e a rosada entrou. Fui para o armário e peguei duas taças.
- E então? - Me sentei no banco do balcão - Qual é a da visita? E como me encontrou?
- Vim conversar. - Ela se sentou também - Eu vi você entrando aqui no outro dia, então pensei que morasse aqui. Aí só pedi ao porteiro e ele me falou qual era o seu andar.
- Ah... - Bebi o vinho
- Soube de você. E que saiu do hospital tem pouco tempo.
- É. Mas já estou melhorando.
- Que bom. Depois que soube disso, pude entender porquê Kakashi me largou.
- Olha, Sakura, eu não quero briga, nem...
- Não vim buscar briga. Só conversar.
- Já que é assim... Pode ser então. Mas não vamos nos empolgar na bebida, não sei se posso.
[...]
- E tipo assim... - Ela enxugou suas lágrimas - Ele m*l me olhou.
- Entendo, amiga. Homem não presta. - Bebi da garrafa
- Às vezes, eu gostaria de ser lésbica.
- Nem olha pra mim.
- Sabe... Ele era tão selvagem comigo. Era tão...
- Me poupe dos detalhes, querida.
- Mas quando você chegou...
Parei de beber e olhei para ela. Sakura estava fitando a janela, pensativa.
- Quando você chegou, ficou raro vê-lo ir lá em casa. Antes disso, ele me visitava quase todo dia, transávamos o dia inteiro. Agora, parece que ele se enjoou de mim.
- E o que eu tenho a ver com isso?
- No outro dia, eu convidei ele para jantar comigo. Sempre pedi, mas ele sempre recusou. Finalmente, ele aceitou e fiquei muito feliz. Fomos em um restaurante, no meu preferido, onde tem as comidas que eu gosto.
- Ele me disse que você é vegetariana.
- Sim, sou. Então, durante o tempo todo, ele ficou com uma cara de tédio, ficou pensativo. Depois, até tentei levá-lo para cama, mas ele recusou.
- E então?
- Alguns dias se passaram, aí resolvi passar no trabalho de vocês para vê-lo. Um cara disse que ele tinha ido almoçar e eu fui procurá-lo. Foi quando vi vocês dois. Vocês estavam conversando, rindo juntos...
Lembro bem desse dia.
- Ele te olhou de um jeito diferente. Um olhar que ele nunca teve sobre mim.
Não sabia o que dizer. Fiquei bebendo e prestando atenção no que ela falava.
- Ele terminou comigo por sua causa.
- Vocês nem namoravam.
- Será que pode parar de pisar nos meus sentimentos?
- Desculpa. Saiu sem querer.
- Ele me dispensou sem sequer me olhar. - Ela deitou no meu colo e chorou - Eu... Eu achei que ele poderia me amar algum dia.
Acariciei seus cabelos. Já estávamos bêbadas e aparentemente, amigas.
Depois de tanta conversa e choro, chamei um carro pelo aplicativo para Sakura e ela foi embora. - No final, ela só queria alguém para desabafar.
[...]
Precisava de comida e de mais algumas coisas para casa. Então, resolvi ir ao mercado. Como estava frio, coloquei uma calça jeans clara, camisa de manga comprida preta e um sobretudo marrom com botinhas pretas. Deixei os cabelos soltos e saí.
Entrei no carro que chamei pelo aplicativo e seguimos para o mercado. Paguei e ao sair, me abracei, sentindo frio. Era Outono, todas as árvores que via estavam em tons alaranjados e amarelos. As ruas, cheias de folhas e toda hora ventava.
Adentrei no enorme mercado e agradeci mentalmente por estar quente. Tirei meu sobretudo, peguei um carrinho e coloquei a peça de roupa dentro dele. Comecei a caminhar e olhar algumas coisas.
Preciso de shampoo também. Um macarrão hoje seria bom. As dores diminuíram, então, acho que será mais fácil de fazer minha comida. Também preciso de um iogurte. E que tal sorvete? Melhor não. Vou acabar ganhando peso.
- Que saco. - Murmurei
Virei o carrinho e bati em outro.
- Essa cidade é tão pequena, não?
- Tá me seguindo agora, Hatake?
- Talvez. - Ele riu - Não. Brincadeira. Vim fazer algumas compras.
- Você fazendo compras? Que bizarro.
- Por quê é bizarro? Sou uma pessoa normal.
Começamos a caminhar juntos.
- Ah, sei lá. Só nunca pensei em você fazendo compras. Você parece ser do tipo que pede para que entreguem em casa.
- É, tem razão. Mas hoje eu estava sem fazer nada, então resolvi sair.
- Para ir ao mercado? Nossa. - Ri.
Comecei a usar frio, passei a manga da blusa na testa, secando ela.
- Como... Como estão as coisas no trabalho? - Perguntei - Sente falta de mim lá?
- Estão tediosas. É meio chato não ter alguém para irritar.
- Olha só. Então sou única para o Hatake Kakashi? - Ri me sentindo m*l fisicamente.
- Quem sabe? Talvez, seje.
- Estou te estranhando, Hatake. Você me parece mais...
- Mais?
- Feliz. Posso saber o motivo?
- Vai ficar na curiosidade... caipira. - Disse sorrindo
Não pude deixar de rir, mas sentindo minhas pernas tremerem.
- E então, loirinha, o que acha da gente...
Caí de joelhos e ele veio me socorrer. Meu corpo voltou a doer; especificamente, minhas feridas.
- Naomi. Ei, olhe para mim. Você vai ficar bem, calma.
- E-Eu estou bem, Hatake. Não... Não se preocupe.
Ele me pegou no colo e correu comigo para fora sob os olhares de todos. Me colocou dentro de seu carro e saiu com ele.
- Me leve pra casa. - Falei
- Quê? Não! Vou levá-la para o hospital.
- Kakashi. - Coloquei minha mão sobre a sua - Por favor, me leve para casa. Eu vou ficar melhor lá.
Ele olhou para mim e respirou fundo.
- Se você piorar, a levarei mesmo que não queira. - Disse
[...]
Sentindo dores, Kakashi teve que me levar no colo de novo. Entramos no meu apartamento e ele me colocou no sofá.
- Isso me lembra aquela vez que nos infiltramos na festa dos Yamanaka. - Senti dores ao rir
Kakashi veio com um pano úmido e o colocou sobre minha testa.
- É. Você estava linda nesse dia. Não que não esteja agora.
- Obrigada. Mas não pense que vou me esquecer que tenho raiva de você.
- Você vive com raiva de mim. - Falou me cobrindo com minha coberta.
- Você que provoca.
- Gosto de provocar.
Kakashi
Ela riu e não contive um sorriso. Deixei-a deitada e fui pegar alguns remédios.
- Você deve estar com dores por ter feito muito esforço. O que fez hoje?
- Só arrumei a casa.
- Então evite arrumar muita coisa. - Entreguei um remédio com um copo d'água - Não quero vê-la no hospital outra vez.
Ela assentiu, tomou o remédio e voltou a deitar.
- Obrigada. Por tudo. - Ela bocejou - Vou dormir um pouquinho. Pode ficar à vontade.
Um cachorrinho pulou no sofá e deitou-se ao seu lado.
- Essa é minha filha, Bull. - Disse acariciando a cadela
- Sua filha? - Acariciei a cadelinha
Naomi sorriu e dormiu em seguida. Fiquei sentado no chão, perto dela assistindo um filme. Olhei para a loira que ainda tinha um lugar roxo no rosto. Me aproximei devagar e parei quando nossos narizes quase se tocaram. Acariciei seu rosto levemente com o polegar e observei seu rosto calmo.
- Me desculpe. Se eu tivesse chegado mais cedo, talvez você não estivesse assim agora. - Sussurrei - Sei que sou um i****a com você às vezes. Não sei como me atura. - Ri baixo
Continuei a observar ela, até me perguntar o que eu estava fazendo. O que eu estava fazendo com ela e comigo mesmo.