Darius entrou em seu carro após salvar uma mocinha em apuros, sentou-se no banco do motorista e olhou para aquela moça pela última vez. Pensou que ela estava tão assustada, pois seus olhos verdes estavam estreitos por medo. Aquela cena lhe dava pena de ver. Após vê-la partir, foi que ele teve coragem de ir embora.
Darius pensou por breves momentos em abraçá-la e tentar acalmá-la. Mas, isso não aconteceu, porque Rafaela apareceu, e ele não queria parecer o fraco sentimental na frente da irmã. Ele sempre se mostrou na frente da família, ser um homem sério e desprovido de sentimentos. Mas quando viu aquela mulher tão bela à sua frente, seu corpo pediu para senti-la, pelo menos em um abraço. Mas preferiu enfiar suas mãos no bolso da calça social e controlar sua vontade louca e seus pensamentos que estavam bem aflorados.
— Tá pensando ainda na garota? — Rafaela fez a pergunta ao vê-lo tão pensativo.
— Não!!! Nunca andei pensando em mulher, porque pensaria na garota? — Falou, dando atenção à estrada à sua frente.
— Se eu não fosse sua irmã, eu cairia nesse seu papo. Mas, eu te conheço como a palma de minha mão, senhor Darius Fontenele.
Darius apenas olhou de relance para Rafaela, enquanto deixava transparecer um sorriso calmo.
Rafaela é a irmã caçula dele, e além dela, Darius tem outro irmão chamado Diego, que é irmão gêmeo. Diego é cópia fiel de Darius fisicamente, mas um homem totalmente diferente de Darius. Ele é arrogante, cheio de manias e caprichos, e além de tudo isso, ninguém o suporta.
Darius chegou na mansão da família, e um dos seguranças abriu o imenso portão, liberando passagem para que o carro adentrasse o local. Darius estacionou o carro no pátio à frente da mansão, e saiu do mesmo, observando Rafaela ajeitar seu vestido amarrotado.
— Não gosto desse tipo de tecido, olha só do jeito que ficou meu vestido? — Reclamou ela, fazendo uma careta.
— Pelo menos já estamos em casa, o que tínhamos para cumprir já cumprimos. — Falou, agarrando Rafaela pela cintura, enquanto dava um beijo carinhoso em sua cabeça.
Os dois entraram na mansão, Rafaela subiu diretamente para o quarto, indo trocar de roupa. Darius também estava subindo escadas para o quarto, quando foi chamado por Lúcia, a governanta da mansão.
— Senhor Fontenele, seu pai Cristopher está no escritório à sua espera. Disse que precisa falar com o senhor. — Lucia avisou, baixando a cabeça.
— Ok Lúcia, obrigado. Pode se retirar. — Darius ajeitou seu terno, já que ele havia desabotoado.
— Sim, senhor. — Respondeu Lúcia, saindo dali para a cozinha.
Darius desceu degrau por degrau, e caminhou a passos largos pelo corredor. Chegando na frente da porta de madeira do escritório do pai, levou as mãos abrindo as duas folhas da porta. De imediato, Darius pôde ver seu pai, sentado na cadeira atrás da mesa de carvalho, e o advogado da família também estava ali, tomando um café, enquanto conversava animadamente.
— Boa noite, senhor Cristopher, mandou me chamar? — Perguntou Darius, ainda de pé no meio da sala.
— Mandei sim. Quero falar com você, seja mais educado e cumprimente o senhor Novais. Eu creio que ele não é invisível. — Cristopher repreendeu a forma como Darius entrou no espaço, sem cumprimentar o advogado da família.
— Claro. — Darius travou o maxilar. — Boa noite, senhor Novais. — Disse contra gosto.
— Boa noite, senhor Fontenele. — Respondeu o advogado.
Darius deixava claro, que não vai com a cara do advogado, e Cristopher sabia disso. Afinal, Darius tinha seus motivos.
Darius ajeitou seu terno, e sentou-se na cadeira à sua frente, esperando que Cristopher falasse o que queria falar, e sabia que para o advogado estar ali, naquela hora da noite, não seria coisa boa.
— Bem. Chamei você para conversarmos sobre o testamento de partilha de bens, e isso não poderia esperar. Você sabe, que eu estou muito doente. — Cristopher falou olhando para o filho. Darius apenas decidiu colocar uma face bem séria, e esperar pela bomba que a qualquer momento explodiria. — No testamento deixei claro, que Rafaela por ser mulher, ficará com a casa, e isso não mudará. E no final, você concordou. — Continuou fazendo gesto com o dedo para o advogado, onde o mesmo passa uma pasta com papéis para Darius, que pega a pasta, mas mostra um olhar nada amigável para o advogado.
— O que é isso? — Pergunta, passando a vista rapidamente em cada palavra.
— Em cada cláusula desse documento, está falando claramente, que se você não casar-se dentro de um mês, você não terá direito aos meus bens. A empresa e meu dinheiro, serão passados para o seu irmão Diego. — Cristopher falou calmamente, como se estivesse tratando de qualquer assunto de negócios.
— O senhor ficou louco? Eu não quero me casar com ninguém. Não pode me obrigar a isso. — Darius levanta-se de sobre salto da cadeira, e reclama, apertando os papéis em suas mãos. Estava bravo por tocar no assunto.
— Eu estou cansado de todos os dias pedir a você, que arrume alguém, e que você tome as rédeas dessa família. E além de tudo isso, é importante pra mim, que me dê um neto. E assim, você será herdeiro da minha fortuna. Caso contrário, já sabe o que lhe espera. — Falou seu veredito.
— Mas louco que o senhor, é esse seu advogado que se presta a esse tipo de loucura. Qual pessoa em sã consciência, obrigaria um filho a casar-se contra a vontade? E ter um filho? Virei um banana mesmo. — Darius joga os documentos sobre a mesa, e sai dali pisando em brasas de ódio.
— Darius... — Cristopher chama. Darius parou mas não se deu o trabalho de olhar para trás. — Você tem um mês para estar fazendo o que eu pedi. Um mês apenas. — Acrescentou.
Darius abriu a porta, e saiu batendo a mesma. Passou por todos que estavam sentados no sofá da sala, e subiu para o quarto, ignorando o chamado de sua irmã, Rafaela.
Rafaela por ser mulher, é a única da família que se importava com o bem estar do irmão, e a única que ele contava seus segredos. E ela, o apoiava em tudo, bem diferente de Diego, que por ser parecido com ele, não são tão próximos assim.
Já em seu quarto, Darius tranca a porta, e se joga sobre a cama. Passa as mãos em seus cabelos, enquanto fitava o teto do quarto, pensando no que faria para resolver esse grande dilema.
Sua mente cansada, o leva até alguns anos atrás, quando ele vivia em uma chácara no interior. A casa na qual morava, era pequena. Mas, tinha um conforto que sem dúvidas, ele não trocaria por esse conforto de hoje. Com toda certeza.
Talvez quem visse sua família hoje, não imaginaria que foram tão pobres e miseráveis algum dia, e quem visse seus pais, imaginaria que foram um casal muito feliz. Mas, não foi bem assim.
Darius cresceu em um lar infeliz, onde seu pai Cristopher sempre chegava em casa bêbado, e fedendo a rapariga, e sempre aproveitava de sua bebedeira para abusar da esposa sexualmente, contra a vontade dela.
Na época, Darius tinha apenas 10 anos, um garoto assustado e medroso, não poderia fazer nada para ajudar a própria mãe, só ficava em seu canto chorando, enquanto tapava seus ouvidos com as mãos, para que não escutasse os gritos desesperados de sua mãe. E desse abuso, foi que nasceu Rafaela. E após ela dar à luz a sua irmã, faleceu em seguida, pois Liz passou por várias situações complicadas na gravidez, e tudo isso acarretou seus problemas de saúde, e fez com que ela não resistisse ao processo.
Darius saiu de seus devaneios, e mais uma vez sabia que teria que frear o pai, e não deixar tudo que pertencia à sua falecida mãe, nas mãos erradas como as de Diego. A primeira coisa na qual pensou que Diego poderia fazer com a herança, era jogar em um dos cassinos da família. Diego é doente por jogos, e isso Darius não permitiria que acontecesse.
Se ele teria que casar-se para salvar a herança da família, se casaria. Faria um contrato de um mês e pronto. Tudo seria resolvido facilmente. Enquanto ao bebê, ele compraria uma barriga falsa e obrigaria a sua esposa a usar, e quando chegasse os nove meses, daria um jeito de comprar um bebê e assim Cristopher acreditaria que o pequeno é seu neto. E quando seu pai chegar a falecer, se divorcia da mulher e a criança ela poderia levar junto, ou ele daria para a adoção.
Seus pensamentos de solução enfadonhos, o fizeram adormecer. Darius esperaria que tudo desse certo, como ele havia planejado, e ainda pensaria que a mulher na qual casar com ele, terá sorte, pois ele se considera atraente, bonito e um verdadeiro galã de novelas. Porém Darius deixou claro para si mesmo, que nunca dará legalidade para que ela tenha um filho seu, para assim evitar que não tenham direitos naquilo que é seu por herança.