006

1536 Palavras
01h da manhã… O calor tava infernal. Camisa já tava jogada no ombro, suor descendo pelas costas, e a rua fervendo. Os crias ainda tavam por ali, colados nas motos, no gargalo, falando alto. A parte da pensão já tava fechada, mas o bar seguia bombando enquanto o carro de um dos parceiros tocava Mano t**a no último volume, fazendo o chão vibrar. Navÿlla rebolava colada em mim, sarrando devagar, daquele jeito que ela sabe exatamente que me desarma. E papo reto? Eu tava tendo que fazer milagre pra manter a postura, porque a filha da p**a é gostosa num nível que desafia a p***a da física. Bandido não dança, bandido só balança — e eu tava ali, segurando a cintura dela, acompanhando só no balanço, a mão descendo até o limite, atraindo a atenção da rua toda. Os moleque que me viu crescer ficavam de canto, cochichando, olhando pro ferro na minha cintura. A novinha que tinha jogado charme cedo — aquela p*****a — quando viu a Glock dando sopa no meu corpo, só faltou molhar o chão olhando pra mim. Vergonhoso. — Vou no banheiro rapidinho, marca dez. Não sai daí que quando eu voltar, nós mete o pé. — Por quê amor? — Porque eu quero te comer, p***a. — falei sério, firme, agarrando ela pelo pescoço de leve. A desgraçada sorriu daquele jeito s****o que me deixa ainda mais duro. Dei um beijo nela e fui. Passei pelos cria, todo mundo cumprimentando. Os moradores abriam caminho sem eu pedir, já sabendo a reta. Cheguei no banheiro masculino. Três cabines ocupadas. Tive que esperar. Quando liberou uma, entrei. Tirei a pistola da cintura, botei em cima do negócio da descarga e mirei. Dei aquela balançada na piroca, já rindo sozinho. Eu tava meio doidão, meio leve, meio elétrico. A cabeça não tava boa, mas meu corpo tava 100%. Só que quando abri a porta da cabine… A novinha tava dentro do banheiro. Dentro. Me encarando com aquela cara de p**a que acha que pode tudo. A máscara de Thayan caiu na hora. Quem falou foi o Revoltado. — De qual foi, garota? Tá maluca? Vaza. — Deixa eu saber teu nome primeiro, bebê… depois eu saio. — Revoltado. Agora rala. — Naiara. Aquela lá é tua mulher mesmo… ou é só mais uma que acha que é tua mulher? — Minha mulher. Tá se fazendo nessa p***a? — Que desperdício… — Garota, na moral, rala. Nem era pra tu tá aqui. Imagina se minha mulher te pega? Ela te amassa na p*****a. E como se tivesse sido chamada pelo nome… Navÿlla entrou. Ela olhou pra garota. Olhou pra mim. E já voou pra cima da p*****a sem nem perguntar p***a nenhuma. O primeiro t**a da minha mulher fez a cabeça da novinha virar estilo filme de exorcismo. A garota tentou revidar, mas Navÿlla desceu a mão fechada, com vontade, com ódio, com força. A minha patricinha parecia demônio solto. Fiquei uns segundos parado, chocado, vendo a mulher mais fina que eu conheço se transformar num capeta treinado. Quando finalmente consegui puxar ela de cima da garota, a p*****a levantou toda torta, tropeçando. — Com p*****a a gente resolve assim: dando só no meio da cara. Me solta, p***a! Eu vou m***r ela. — Tu já bateu, amor. Relaxa. — Isso não vai ficar assim! — Vai sim. E sabe por quê? Porque foi tu que procurou isso aí. Minha mulher deixou claro desde cedo que era minha dona, tu viu nós junto, viu minha mãe com nós, viu tudo. E mesmo assim ficou jogando charme na minha cara. E ainda foi atrás de mim no banheiro? Sua sorte é que quem te pegou foi ela. Se fosse eu, tu já tava no chão até agora. A p*****a abriu a boca pra responder. Não deixei. Segurei ela pelo cabelo e arrastei pra fora do banheiro, sem pena. A rua parou. Geral olhando. Navÿlla atrás de mim, prendendo o cabelo igual quem se prepara pra segunda temporada da briga. — Me solta! Tá maluco?! Dei duas balançadas fortes na cabeça dela e ela calou na hora. — De qual foi o caô? — disse um dos cria. — É pro desenrolado essa daí? — Lá pra fora, lá pra fora. Aqui dentro é lazer da tropa. Vambora. Empurrei ela pro chão. Caiu sentada, f**a, humilhada. — Fala tu, Revoltado. Passa tua visão. — Essa daí tá com a b****a piscando atrás de vagabundo desde cedo. Me deu mole na frente da minha mulher, mesmo a Navÿlla deixando claro que era minha dona. Depois me seguiu até o banheiro. Minha mulher viu. Então deu-lhe umas porradas. Aí a p*****a veio querer ameaçar. Ameaçar a MINHA mulher. Aqui não. Aqui é minha área. Minha mulher ninguém desrespeita. Nunca. Os parceiros se olharam entre si. — Cê tá certo. Essa daí fez a mesma coisa comigo outro dia, eu tava com a Aline. — Essa não é santa nenhuma. Até nas baca ela atua. — Então deixa careca e mete a madeira. p*****a nós trata assim. Tu não tá errado não, fiel. Se fosse minha mulher eu fazia pior. Aliás… qual é teu vulgo mesmo? c*****o, tu é a cara do DiGuerra, mané. — Meu vulgo é Revoltado. DiGuerra era meu irmão de sangue. Por isso a semelhança. Valeu aí parceiro… desculpa qualquer caô. — Paulista. Me chama de Paulista. A p*****a levantou cambaleando, segurando o rosto, tentando manter a pose, mas já era tarde. A rua inteira tinha visto. A vergonha já tava colada nela igual segunda pele. Navÿlla ainda tava ofegante, com a respiração rápida, a mão tremendo de adrenalina. Eu segurei a cintura dela antes que ela resolvesse ir pra segunda rodada. — Bora, amor. Já deu. Tu venceu essa p***a. Ela me olhou com aqueles olhos arregalados de raiva, mas foi acalmando devagar. Sempre foi assim: estoura rápido, mas volta pro eixo quando ouve minha voz. Paulista deu dois tapas no peito da própria camisa, como quem aprova a atitude. — É isso aí, Revoltado. Aqui é assim mesmo. Respeitou, tá respeitado. Desrespeitou… tomou. Naiara cuspiu no chão, cheia de ódio, mas ninguém deu moral. Ali, ela não era nada. A rua já tinha perdido o interesse. Quem vive no morro sabe: barraco é entretenimento, mas acaba rápido. Eu passei o braço por cima do ombro da Navÿlla, que ainda ajeitava o cabelo todo bagunçado pela briga. — Vambora, mô. Tu tá toda descabelada, parece que saiu de um ringue. — Se for pra bater em p*****a, eu vou até careca. — ela respondeu, ainda bufando. Os cria riram. Voltamos pro bar, e assim que sentamos, senti o corpo dela tremer. Não era medo — era excitação misturada com adrenalina. Minha mulher sempre foi fogo puro. Brigar deixava ela ainda mais acesa. Ela encostou a testa na minha, respirando fundo. — Tu não tem noção… do ódio que eu senti quando vi aquela v*******a atrás de você. — Eu percebi, amor. Tu queria arrancar a alma dela pela boca. Ela riu, finalmente relaxando. — Só não arranquei porque tu me segurou. — Eu te segurei porque, se eu deixo, tu mata. E aí ia f***r tudo. Ela deu um sorriso torto. — Se matasse ia ser autodefesa… ela entrou no banheiro atrás de você. Eu gargalhei, puxando ela pra sentar no meu colo, de frente pra mim. As luzes do bar deixavam o suor dela brilhar no peito, no pescoço. Ela ainda tava ofegante, quente, com a mão firme na minha nuca. — Sabe o que eu pensei? — ela perguntou baixinho. — O quê? — Que se eu não imponho respeito agora, amanhã tem outra v*******a achando que pode tentar também. — Ninguém tenta nada comigo — falei sério. — Tu sabe disso. — Eu sei… — ela suspirou — mas é que tu é bonito, p***a. Eu fico surtando mesmo. Eu passei a mão no rosto dela devagar. — Eu sou teu, p***a. Ela me beijou forte, mordendo meu lábio. Eu senti a rua inteira sumir. Até que Paulista passou de novo pela mesa, rindo. — Aí, Revoltado, segura tua mulher que hoje ela tá pique gremlin molhado. Daqui a pouco ela sobe na mesa e dá na cara de outro. — Vou dar é na tua, Paulista. — ela falou sem nem olhar pra ele. Geral caiu na risada. Paulista levantou as mãos. — Foi m*l, primeira-dama. Tá tranquila. — e seguiu. Navÿlla voltou o olhar pra mim, com aquele brilho que só aparece quando ela tá no limite entre a fúria e o t***o. — Quero ir embora — ela murmurou contra minha boca. — Também quero. — Então vamos. Antes que eu bata em mais alguém. Eu segurei o queixo dela, olhando bem fundo. — Se tu bater mais alguém hoje… eu fodo contigo no meio da rua. Ela mordeu o lábio. — Me leva pra casa então. Levantei da cadeira, passei o braço pela cintura dela e fomos andando. A rua inteira observava. Não por respeito a mim. Mas por respeito a ela. Porra… minha mulher saiu de princesa pra uma p***a de uma leoa em questão de cinco minutos. E eu? Eu tava ficando ainda mais apaixonado.
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