Mais tarde, um perito analisaria também o metadado dos arquivos. Descobriu que Letícia gravara parte do material com um gravador oculto durante jantares com Caio. Ela sabia. Estava reunindo provas aos poucos, tentando manter as aparências até ter tudo em mãos. Mas foi rápida demais para confiar. E lenta demais para fugir. O julgamento de Caio Ferraz começou em uma manhã nublada e escura de terça-feira, no Fórum Gumercindo Bessa, em Aracaju. O caso já havia ganhado repercussão nacional. A comoção pelo duplo homicídio durante um casamento, somada às denúncias de envolvimento com milícias e corrupção policial, fazia com que a sala do júri estivesse lotada: jornalistas, estudantes de Direito, curiosos, defensores públicos e policiais assistiam cada detalhe. Caio, de terno cinza, semblante ab

