O PINTOR DE NUVENS - final

1994 Palavras
No meio da conversa, ela disse estar interessada em conhecer o ateliê do pintor artístico, e ele, por pura malícia, passou-lhe um cartão com seu número, para que ela ligasse e marcasse um horário para ir lá visitá-lo. E assim o fez. Marcaram para uma sexta-feira pela tarde. A mulher disse ao marido que iria ao shopping fazer compras, pegou o carro e foi até a casa do pintor. Ela usava uma saia bege de tecido leve, com uma lasca enorme do lado esquerdo, que dava pra exibir a coxa toda vez que cruzava a perna, calcinha fio-dental da mesma cor da saia, invisível. Assim que chegou, foi recebida pelo mesmo, que como sempre estava sozinho em casa. Entraram e foram até a sala, onde o mesmo ofereceu-lhe um drinque (a casa possuía na sala-de-estar, um barzinho com várias garrafas de uísque, vinho, licores e um frigobar com várias latinhas de cerveja) e ficaram conversando sobre arte. Ele percebeu que a mulher entendia muito do assunto, pois fez referências incríveis de pintores famosos como Picasso, Bosch, Bruegel, Rembrandt, Velázquez, Frei Jesuíno, Almeida Júnior e Salvador Dali. Aquilo deixou Chico Marques em um frenesi tão eletrizante que ela foi a primeira mulher que ele fez questão de levar para conhecer seu ateliê sem insistência. Assim que subiram, tomados pelo desejo do proibido, o pintor e sua convidada se beijaram e agarraram-se ainda no meio da escada. Eles pareciam dois animais na época do acasalamento, e não queriam mais saber de nada a não ser copular. Assim que subiram, ela parou, olhou seriamente para Chico e disse a frase clichê que as adúlteras falam para diminuir a culpa: a de que “nunca traiu o marido”. Ele sorriu e a colocou sentada numa cadeira, abriu-lhe as pernas, desceu a calcinha dela e ele ficou admirado com aquela x**a, pois não parecia a x**a de uma mulher de quarenta e dois anos, pois era bem-feita e depilada na cera. Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, Chico Marques caiu de boca e fez um demorado sexo oral na mesma. A mulher urrava e gemia alto de tanto t***o. Depois a colocou de quatro e para sua surpresa, ela era depilada também na parte traseira. O t***o falou mais alto e ao invés de meter na x**a, ele a enrabou direto e percebeu que ela era virgem atrás, pois era bastante apertado o cuzinho daquela madame. E realmente era virgem, pois apesar dos vários anos de casada, ela nunca havia feito sexo anal com ex-amante nenhum, muito menos com o marido. Aquela experiência para ambos estava sendo algo transcendental, pois ele nunca tinha deflorado uma mulher (a maioria das mulheres que ele levou para o seu ateliê já praticavam sexo anal) e ela nunca tinha dado o cuzinho para ninguém, e estava tendo orgasmos múltiplos com as estocadas. Ela rebolava e empurrava a b***a para trás, tentando devorar o m****o ereto do pintor, e ele metia fundo dentro daquela potranca safada. Passaram-se então quase quarenta minutos naquela posição, quando ambos explodiram em g**o intenso. Ela colocou a calcinha no lugar e ficaram sentados por uns três minutos, recobrando as forças. Despediram-se então com um longo e demorado beijo. Ela passou no shopping e comprou dois pares de sapatos com o cartão do marido. Ele voltou a pintar e ambos continuaram com suas vidas. Três semanas depois, ele recebe uma mensagem pelo celular da esposa do sócio da fábrica. Ela tinha sido enviada de um número desconhecido, e dizia: “Oi Chico, tudo bem? Olha... Adorei ter conhecido o seu ateliê, esse lugar super secreto que você não leva ninguém. Olha, não queria dizer-te isso, mas você foi o primeiro cara que me enrabou nessa vida. Adorei e não consigo mais parar de pensar em você. Não vejo a hora de sentir a sua vara dura nele de novo. Ligue-me a hora que você quiser que irei te visitar voando. Norma”. Depois daquele recado, ele tinha encontrado uma mulher que fez dele o seu amante fixo. Ela visitava-o uma vez por semana, ou uma vez a cada quinze dias. Sempre revezando para não levantar suspeita. E o sexo com aquela mulher o inspirava a pintar cada vez mais e mais. Passados dois anos, estava Chico Marques (agora com 32 anos) pintando os últimos quadros da sua nova amostra, que o mesmo intitulava de “As garotas de várias faces”: uma coleção de dezoito pinturas, feitas de óleo sobre tela, de telas de 1,40 x 1,80 de alt. Nesses quadros, o pintor artístico retratou todas as mulheres casadas que ele teve relações ao longo desses sete anos. Só que para manter as identidades delas em segredo e não causar nenhum escândalo na zona sul e demais bairros da capital, ele retratou todas elas com aparência jovial. Todas as musas das telas eram adolescentes que aparentavam ter entre 18 e 19 anos de idade. As telas retratavam os companheiros dessas adolescentes realizando tarefas laborais, enquanto as mesmas se enamoravam de um cavaleiro mascarado, que era um autorretrato do próprio pintor. Aquilo chocou todos que estavam presentes na galeria de Espaço Semear. Eram tempos difíceis para os artistas, pois a sociedade sergipana não suportava ver a sua parte mais podre sendo retratada dessa maneira. Só que para não se alardearem ainda mais e manterem a postura, os jornais só teceram críticas positivas pela coleção. E meses depois, Chico Marques estava viajando pelo Brasil, exibindo sua nova amostra nas principais galerias do país. E sua inspiração “vinda das nuvens”, como ele mesmo dizia, não parava. Um ano após ter pintado “as garotas de várias faces”, Chico Marques apresentou o quadro “O cronista Von Serrano”. Pintado em óleo sobre tela, esse quadro de cerca de 1,80 de altura retrata um cavaleiro medieval sentado numa mesa, escrevendo algo que poderiam ser suas aventuras, pois acima de sua cabeça pairam várias cenas de batalhas e de conquistas medievais. Os detalhes góticos da armadura impressionavam todos os que paravam para observar. No papel que o cavaleiro se encontra escrevendo, pode-se observar que realmente ele está narrando as suas aventuras, pois dá para perceber leves letras no pergaminho. Outra parte da pintura que não deixaram de observar foi o escudo com vários detalhes e símbolos, que o pintor disse que “eram símbolos de proteção, pois o cavaleiro luta contra as forças das trevas”. Nessa exposição, que aconteceu na galeria Álvaro Santos, o pintor encontrou novamente com Norma, a mulher que o transformou em amante fixo. Só que para a surpresa dele, ela estava acompanhada pelo seu marido. Cumprimentaram-se e o marido dela perguntou por quanto ele cobraria para pintar um retrato da família dele. Ele sorriu, agradeceu e disse que nada nesse mundo o faria pintar por encomenda. O marido de Norma insistiu, pois era pra ser colocado na sala-de-estar, perto da baixela de porcelana chinesa. Ela olhou pra ele por cima dos ombros do marido e gesticulou para ele aceitar pintar. Ele então cobra cerca de 10,000 reais para fazer pintar o quadro. O marido dela achou um absurdo. Mas ela logo o convenceu a aceitar e no outro dia, lá estava Norma com a foto que o marido queria que retratasse: uma foto da família sentada na varanda de casa, com uma filha no colo de Norma, e outra filha no colo do marido. Após ter concluído o quadro, que durou cerca de um ano para ficar pronto tamanha era a precisão das pinceladas, os jornais e revistas do país publicaram o fato como se fosse algo do outro mundo, pois ninguém acreditava que Chico Marques o “admirador de nuvens” pintou um quadro por encomenda. Muitos artistas sergipanos, para aparecer na mídia, insinuavam que ele estava passando por uma situação econômica r**m. Mas nem tudo foram flores na vida deste famoso pintor. Aos 40 anos, depois que Norma faleceu, estava ele terminando de pintar mais uma coleção de quadros, intitulada “Mundo Patético”, quando uma dor repentina começou a aparecer e fazer seu corpo enfraquecer. Suas mãos tremiam e suavam. Rapidamente ele ligou para a ambulância do seu plano de saúde, e só teve tempo de abrir o cadeado da entrada da sua casa, quando desmaiou. Os vizinhos logo chegaram e antes mesmo que a ambulância chegasse, uma multidão amontoou-se na frente da casa do pintor. Assim que a ambulância apareceu, ele foi socorrido e levado para o Hospital Primavera, onde permaneceu lá por cerca de quatro dias. Durante esse tempo, ele foi examinado e descobriram nele um avançado câncer no fígado e um na garganta. Isso sem contar com uma avançada sífilis em seu organismo. Nada podiam fazer por ele, a não ser esperar pela morte, que estava próxima. Desacreditado disso e tendo que ser obrigado a largar os velhos hábitos de beber e t*****r, o pintor voltou para a sua casa, terminou de pintar a sua mais recente coleção de obras “Mundo Patético”, e começou a vender as suas obras, e doar toda a arrecadação e a mobília da casa para instituições de luta contra o câncer que existiam na capital sergipana. Ele terminou ficando apenas com a cama, um armário pequeno para guardar comida, e a geladeira. Com parte do dinheiro da venda dos quadros e da mobília que vendeu, Chico Marques comprou várias latas de tinta e começou a pintar todos os pores-do-sol que presenciou durante toda a vida. Muita gente se admirava com sua memória fotográfica impecável. Assim começou a mais ambiciosa obra de arte do pintor. Todos estavam impressionados com a atitude dele, pois durante seis meses ele ficou dentro da casa, sem colocar o rosto para fora, apenas para ir ao médico fazer a quimioterapia. Quando terminou a parte de dentro, ele saiu de casa e começou a pintar a parte de fora, que durou menos tempo, pois ele não queria que o mau tempo atrapalhasse a sua obra. Então aproveitando o final da primavera de 2007 e todo o verão de 2008, Chico Marques, com pinceladas rápidas e precisas, e utilizando tintas especiais impermeabilizantes, pintou a parte de fora da sua casa com as imagens dos pores-do-sol que marcaram a sua vida. Assim que terminou de pintar a obra mais audaciosa da sua vida, mesmo fraco e sem forças por causa do câncer e da sífilis, ele convocou toda a imprensa e apresentou aquela que seria a sua maior e mais grandiosa obra de arte. Todo o canal tele jornalístico de Aracaju, estava lá, junto com repórteres das principais revistas de arte do País, sem contar os blogueiros. Uma balbúrdia se formava, pois todos queriam conhecer a casa transformada em um enorme pôr-do-sol. Chico Marques estava pálido, magro e sem forças. Mas mesmo assim ele mantinha a sua pose de artista frente às câmeras. Então chegado o momento de abrir a casa, ele foi caminhando até a porta de entrada, quando viu à sua frente uma jovem magricela e pálida, de pele extremamente branca, de olhos e cabelos extremamente negros, trajando um macacão de couro sem mangas, botas de cano longo, touca e luvas. Tirando a cor da sua pele, tudo nela era na cor preta, até mesmo a pintura de suas unhas. A jovem, segurando uma foice em uma das mãos, abriu a porta da casa dele e uma forte luz resplandecente o envolveu, como se um útero estivesse se formando ao seu redor. E foi assim que no auge da sua morte, nasceu aos 40 anos, através da junção de duas famílias, que foi a da mãe, vinda de Porto da Folha, e a do Pai, vinda de Carmópolis, ambas para trabalhar em Aracaju, o pintor Francisco Marques de Jesus Santos. Os jornais anunciaram aos quatro ventos que ele nasceu sorrindo, pois conseguiu realizar um sonho que tinha desde menino: o de um dia se mudar para o seu próprio quadro.
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