Capítulo 6

3072 Palavras
Eu ainda estava meio zonzo por toda aquela informação, tinha anos que eu não via Simon, mas a duas semanas ele me enviou uma mensagem, dizendo que estava vindo para cá em um mês e que iria ficar comigo. E agora descubro que provavelmente iria me m***r! Minha vida é uma m***a! Harry estava comigo dentro do carro e dirigia para a minha casa. — Como você está? — Perguntou. — Na verdade estou apavorado! Não sei como vou dormir sabendo que ele pode entrar e me matar... Eu dei uma cópia da chave para ele... — Olhei para meu chefe que tinha acabado de estacionar e agora me olhava. — Estou com medo Harry... Confessei baixo, senti um carinho em minha bochecha direita. — Você vai ficar comigo... Eu não vou te deixar sozinho aqui! — Disse me fazendo olhar em seus olhos, Harry Laurent podia ser um robô em noventa por cento da sua vida, mas naquele momento ele tinha preocupação em seus olhos, tinha carinho e até medo... Harry Laurent me deixava confuso. Harry Laurent me deixava até mesmo, com medo de perder esse olhar tão difícil de se ver. — Eu não vou te atrapalhar? — Perguntei recebendo ainda o carinho de Harry. — Você nunca me atrapalharia... Sabe disso! — Ficamos naquele silêncio, encarávamos um ao outro e sua mão ainda estava em meu rosto. O lugar que ele tocava estava quente, e parecia que uma carga elétrica percorreu por todo o meu corpo. — Está tudo bem mesmo? — Perguntou preocupado. — Está sim... Estou um pouco chocado e com medo, mas não me sinto triste. — Confessei olhando os olhos negros. Harry ainda me encarava e eu notei o quanto ele estava próximo, muito próximo mesmo. Meus olhos me traíram e foram logo para a boca dele, a boca vermelha e cheinha. Harry era uma tentação, uma verdadeira tentação, e minha sanidade foi evaporando quando ele umedeceu seus lábios e mordeu seu lábio inferior. — Melhor saímos daqui... — Sussurrou. — Por quê? — Perguntei ainda meio perdido em seus olhos e seus lábios. — Melhor irmos, antes que eu faça uma besteira... — Falou encarando de forma descarada meu corpo e minha boca. — Que tipo de besteira? — Eu sou louco, certeza! — Do tipo te beijar, mesmo você me dizendo não... Eu não vou aproveitar desse momento! — Falou suspirando. Concordei com ele e me afastei. Abri a porta do carro e a fechei atrás de mim, eu precisava respirar e precisava colocar minha cabeça em ordem. A notícia do assassino dos meus pais, me abalou, mas eu já tinha aprendido a conviver com a dor de não ter eles, mas nunca imaginei colocar o assassino deles atrás das grades. Depois de uns dois minutos, Harry saiu do carro, andamos em silêncio até o elevador. E o clima ali dentro era quente, a porta se fechou e Harry me encarou pelo espelho, sua presença estava se espalhando no elevador e não demorou dez segundos, para ele virar e me puxar para perto do seu corpo, e me beijou com vontade. Me prendeu entre seu corpo e a parede de metal gélida, a gente se beijava como se nossas vidas dependessem daquilo. Suas mãos percorreram por todo o meu corpo e aquilo me arrepiou cada vez mais. O elevador parou e a porta abriu, olhei para o andar que paramos e vi que era o meu. Saímos dali de mãos dadas e quando abri minha porta, Harry me agarrou novamente. Acabei prendendo seu corpo entre a porta e eu, suas mãos deslizaram para a minha b***a e a apertou com vontade, gemidos eram soltos em meio ao beijo, e isso atiçava nós dois. Ele foi andando de forma cega comigo, senti o sofá atrás de mim, e logo meu corpo foi deitado na superfície macia, seu corpo em cima do meu, se esfregando e até mesmo simulando estocadas. Caralho! Ouvi a porta ser aberta e aquilo me deu um estalo, pareceu ter o mesmo efeito em Harry, já que ele se pôs de pé no mesmo instante, e ao olhar para a direção do barulho vi Ravi e Sasha parados ali, ambos encaravam nos dois e Ravi foi o primeiro a corar de vergonha. Me sentei no sofá e encarei meus amigos, Sasha tentava segurar a risada e Ravi parecia querer fugir, Harry estava corado e eu tentava não rir junto a Sasha. — Hm... O que vocês estão fazendo aqui? — Perguntei. — Kent ligou, ele pediu para a gente vir aqui, para ver se está tudo bem... — Ravi falou. — Mas pelo jeito, você está ótimo! — Sasha falou rindo. Revirei os olhos e me levantei. — Vou pegar algumas coisas, me ajuda Sasha? — Chamei já indo para o quarto, a rosada veio comigo, e quando entramos no quarto nem eu e nem ela, conseguimos segurar a risada. Ela se jogou na minha cama e começou a gargalhar junto comigo que ria usando a porta como apoio. Expliquei para ela toda a situação, e ela concordou em eu ir para a casa do meu chefe. — Vai dá pra ele? — Ela perguntou. — Não sei... Na verdade hoje nem era pra ter acontecido! — disse colocando algumas roupas na mala. — Eu não quero me envolver... Ele é meu chefe e estou com medo. Sasha parecia entender minha situação. — Você acha que ele iria misturar, as situações? — Perguntou. — Não! Ele é muito profissional para isso. Mas já eu... — Disse me sentando ao seu lado. — E você e a Hannah? — Perguntei vendo minha amiga suspirar. — Eu não sei... Eu estou gostando dela, estou me envolvendo e por ela já teríamos assumido, mas eu tenho medo... Ravi é meu irmão, mas ainda sim... tenho medo! Suspiramos juntos e nos jogamos na cama encarando o teto. — Estamos fudidos! — Sasha falou. — Você está mais do que eu! — Brinquei a fazendo rir. — Vai a merda...— riu junto comigo. Terminamos de juntar minhas roupas, e quando voltamos para a sala, Ravi e Harry estavam sentados no sofá, e não se encaravam. Ambos ainda tinham um leve rubor em suas bochechas. — Vamos? — Chamei vendo Harry e Ravi se colocarem de pé e me encararem. — Vamos! — Harry falou saindo dali, como se precisasse fugir. — Foi m*l, Lou... — Ravi falou. — De boa, Ravi... Fomos para o elevador e quando entramos no cubo de metal, Sasha e eu tentávamos não rir, mas estava quase impossível. Acabamos dando pequenas risadas e tentando controlar logo depois. Quando chegamos no estacionamento, Harry e eu fomos no mesmo carro, Ravi ficou com o meu já que o dele estava no conserto. Dentro do carro a voz de Alejandro Sanz se fazia presente, ele cantava uma canção calma e até mesmo doce. Eu não estava triste, sentia raiva, mas eu com muito custo aprendi a lembrar dos meus pais com amor. Harry estava me apoiando da sua maneira, sendo até mesmo bem-humorado. ⚜ Já tinha algumas horas que estávamos na casa de Harry, tomei um banho relaxante, coloquei um dos meus moletons laranjas e fiquei na cozinha fazendo um chá e café para Harry. Ele estava resolvendo algumas coisas ao telefone e quando me aproximei dele na sala, o mesmo pegou sua xícara azul e logo a levou na boca. Eu observava Harry fechar a feição e logo depois suspirar. Quando ele desligou apenas olhou para mim mordendo o lábio inferior. — O que foi? — Perguntei já sabendo ser algo que eu não iria gostar. — Teremos que viajar! — Disse suspirando. — Quando? — viagens pela empresa eram supernormais, mas o problema era sempre quem iria nessas viagens. — Semana que vem... — Disse não me olhando, e ali eu vi que tinha algo de errado. — Você não precisa ir... Estranhei aquele fato. Harry nunca falaria isso comigo, caso não fosse algo sério. — Como assim? — Disse tocando em sua mão, já que eu estava próximo a ele em seu sofá. Ele me encarou finalmente, e eu pude ver que não seria uma viagem qualquer. — Estamos indo para...Nikko... — Ele praticamente sussurrou a última parte. Nikko! É simplesmente a cidade em que meus pais nasceram e se apaixoLaurentm... Eu nasci lá, e boa parte da minha família ainda está lá. Isso não pode acontecer justo comigo! Como eu iria para a cidade que mais tinha memórias dos meus pais? Ou pior, a cidade que meus pais conheceram Simon! Como? Harry me abraçou, ele parecia realmente preocupado e como sempre eu apenas o abracei de volta e fiquei em silêncio. ⚜ Atrasados! Essa é a palavra que define, tanto eu quanto Harry. Ontem à noite ficamos até tarde conversando, ele ficou me distraindo da tal viagem, e eu fiquei ao seu lado o confortando quando Zayn era citado. O pior é que iriamos juntos para a empresa, e provável que mais comentários surjam. Quando saímos do carro, já beirava dez horas e quando entramos na empresa várias pessoas estavam ali e nos olharam estranho, quando pegamos o elevador ele como sempre estava com mais pessoas. E para minha sorte, meu chefe não ficou calado. —A gente deveria ter acordado mais cedo! — Disse como se a culpa fosse minha. — Caso o senhor não tenha reparado, eu acordei com os seus gritos e não com meu despertador...— Disse já respirando fundo. — Mas você deveria ter acordado! — E você também! — Disse irritado. — Olha aqui Elliot, você está muito petulante! — disse me olhando. — Anata wa kirainahito, baka! Darekaga anata o jigoku kara okurimashita, anata wa akumadesu! (Seu i*****l, i****a! Alguém te mandou do inferno, seu demônio!) — Xinguei atraindo olhares para mim. —Watashi mo nihongo o hanashimasu, baka! (Eu também sei falar japonês, i****a!) — Respondeu revirando os olhos. — Então já sabe o quanto eu quero te xingar! — Falei descendo do elevador assim que ele parou. Descemos e caminhamos rápido para a sua sala, nem mesmo falei com Dylan. Quando entramos Karol arrumava alguma coisa na minha mesa que tinha ali. — Olha aqui Levi, você tem a obrigação de estar aqui no horário! — Disse não se importando com a ruiva, e ainda rosnando irritado. — Sério isso? Você que procurou conversar até de madrugada! Eu disse que a gente teria que ir dormir! E de novo, NÃO rosna para mim! — Respondi caminhando até minha mesa e pegando a agenda daquele demônio. Karol apenas observava sem saber o que fazer. — Eu estava preocupado! Não precisa ser tão ingrato! — Disse me encarando sério, olhei para ele e suspirei. — Desculpa, tomar! Mas, você também testa! — Okay Harry! Me desculpe... Amanhã a gente chega no horário! Okay? — Okay! — Harry falou suspirando. — Arrume as coisas para a viagem, converse com Kent, ficaremos no hotel dele! — Apenas concordei. — Hoje tem a última prova dos ternos. — Falei de costas para meu chefe e de frente para Karol. — Karol arrume toda a agenda para semana que vem, e peça a Archie e Pietro para subirem até aqui depois do almoço. — Sim senhor! — Falou apenas pegando sua própria agenda. — Levi, não se esqueça de almoçar. Você não precisa trabalhar hoje... — Harry falou com cuidado. — Mas vou trabalhar, ou então sua vida fica uma bagunça e a minha também! — Ouvi a risada de Harry que como sempre soou debochada. — Já comprou o presente para os meus pais? — Sim senhor! Será um iate que eles deixaram claro que queriam. — Disse pegando um dos documentos que Harry teria que assinar, levei até ele e o mesmo assinou. — Amanhã será a peça do Zayn, você não pode esquecer e depois tem a pizzaria. — Okay Levi! Não precisa me lembrar disso o tempo inteiro... — Disse virando a cadeira em direção a grande parede de vidro que tinha ali. — É do Zayn que estamos falando, Harry! — Disse sério e ele me olhou. —Okay... ⚜ Dizer que o tempo se arrastava era pouco! Eu tinha feito tantas coisas e as horas não passavam, e para alegrar meu dia a cobram loira e as cobras ruivas estavam comigo. Harry tinha ido para uma reunião, e Dylan o acompanhou, já que eu fiquei para cuidar dos seus documentos. As três cochichavam entre si, e eu fazia de tudo para não me irritar, mas já estava me estressando. —Trabalham mais e fofoquem menos! — disse sem ao menos levantar os olhos para elas, eu estava sentado na minha mesa e elas estavam sentadas na minha frente. Elas apenas me olharam e pensaram em dizer algo, pensaram mesmo mais Harry abriu a porta de forma violenta e a primeira coisa que fez foi jogar no chão os papéis que estavam em sua mão. — CANCELE QUALQUER NEGÓCIO COM ELES! — Gritou para Dylan que apenas me procurou com os olhos como se me pedisse socorro, mas Harry também se virou para mim. — Ouviu Levi? Eu quero isso para ontem! Apenas concordei já pensando no tanto de papelada que isso iria render a Yasmin já que ela era a advogada principal dos Laurents, mas tirou licença para ter seu filho Yuri. Coitada! Harry foi fazendo o que faz quando está com muita raiva. Primeiro tirou o blazer, depois a gravata, depois abriu três botões da camisa escura, parando apenas no colete. E o pior foi que eu nem consegui disfarçar a bela olhada que eu dei em seu corpo, não disfarcei mesmo. Tanto que logo as três mulheres e Dylan me olharam estranho, Harry já estava jogado em sua cadeira e aquela pose exalava todo o seu poder, já que ele pousou sua cabeça em três dos seus dedos. Fechei os olhos na tentativa de voltar para a minha realidade e quando abri novamente, ainda era observado e eu apenas revirei os olhos. Caminhei até Harry e nem me importei se tinha alguém ali ou não, iniciei a massagem em seus ombros e aos poucos ele foi deixando a tensão muscular ir se esvaindo. — Só dá um jeito! — Pediu apoiando a cabeça em sua confortável cadeira e me olhando de baixo para cima, seus olhos eram tão lindos! — Pode deixar! — Respondi sorrindo, coisa que milagrosamente foi retribuída por ele. Me afastei dali e me retirei da sala chamando os outros quatro presentes ali é deixando a sala de Harry fechada. — Aonde vamos? — Sarah perguntou quando eu rumei para o elevador. — Resolver a vida de Harry Laurent! — disse já entrando no cubo metálico e apertando o andar de advocacia. Quando chegamos no andar que ficava três andares abaixo do de Harry, fui direto até Saori que estava com algumas pastas em sua mesa. Quando ele me olhou já fez cara de derrotado. — O que foi Levi? Toda vez que eu te vejo, esse escritório fica uma bagunça! — Isso me fez rir. — Então... sabe as empresas Perrie's? — perguntei vendo-o assentir. — Vamos ter que cancelar o contrato! — Mas vá a m***a! — Saori falou irritado, aquilo daria muito trabalho. Logo Nick e Akira se aproximaram e quando ficaram sabendo da notícia, ficaram irritados, James logo se juntou apenas para rir dos amigos que o mandavam a m***a. Expliquei mais algumas coisas e já estava voltando, quando Saori me chamou mais uma vez, me virei para o ruivo. — Quando você vai me dar uma chance, em loirinho? — Disse me fazendo rir. — Esquece cara! Fica com ele e Harry te manda embora amanhã! — James falou brincando. — Ei! Isso é mentira, você ainda está aqui... — Todos olharam para James que logo riu alto e os outros se juntaram a ele. Mas as risadas se cessaram de forma imediata e eu nem precisei olhar para saber que Harry estava ali. Me virei para o meu chefe que parecia estar prestes a m***r alguém. — Vocês são pagos para trabalhar! — Disse irritado. — Sim senhor! — Responderam em coro. — Vamos Levi! Temos que almoçar! — Disse pegando minha mão de forma possessiva. E assim fomos caminhando até o elevador, aquilo era muito divertido para mim. Harry não falou nada até o andar restaurante, que foi aonde ele finalmente soltou minha mão, mas deixou claro que eu deveria almoçar com ele. Ele estava inquieto e isso me incomodava. — O que foi? —Perguntei. — Kenji ligou... — Falou baixo, aquilo não era um bom sinal. — Perguntou de Zayn, e eu disse a ele toda a situação e o porquê dele estar na minha mãe... — Mas? — Mas, Zayn disse a ele que não quer ir para a minha casa! — contou com a cabeça baixa. Aquilo me pegou de surpresa. — Kenji não brigou nem nada, só disse que Zayn não se sente à vontade comigo, ele tentou dizer de um jeito doce, mas a verdade é que fui um pai tão r**m que meu filho não quer ficar comigo! Aquilo realmente abalou Harry, ele brincava com o risoto de abóbora, e não me olhava. — Harry... talvez vocês precisem se reconectar... — Disse atraindo seu olhar. — Quando meu pai era vivo, a gente ia muito aos circos, eu amava aquilo... E você e o Zayn tem os gostos muito parecidos, vocês gostam de futebol, filmes de heróis, carros e coisas do tipo... — Disse vendo ele concordar. — Mas, também tem a parte do Kenji, Zayn também gosta de livros e feira de leituras, gosta de artes e gosta muito de teatro. Harry suspirou. — As coisas mais opostas que há! — Disse escondendo o rosto em suas mãos. — Sim! Mas, você pode fazer isso se misturar. — Como? — Perguntou me encarando e tirando as mãos do rosto. — Leia para ele antes de dormir, o leve a cada quinze dias em uma feira de leituras ou biblioteca, de a ele livros de colorir e cadernos para ele desenhar..., mas, o leve para ver corridas e jogos de futebol, e ao cinema quando tiver algum filme ou desenho interessante. — Disse fazendo Harry sorrir. — Isso com certeza é a melhor ideia do mundo! — Disse sorrindo. — Eu sei!
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