Terror Narrando Hoje é dia de visita, mano. Já acordo com o coração batendo a mil, tá ligado? O sol nem nasceu direito, mas eu já tô com o olho arregalado no beliche, pensando na minha coroa, na minha mulher, no cheiro de casa. Aqui dentro, dia de visita é tipo um respiro no meio do sufoco. Eu conto as horas na semana inteira só pra ver o rostão delas. Levantei devagar, porque o Carcereiro já tinha passado gritando pra acordar a galera. — Bora, bora, bora. Todo mundo de pé — o cara berrou do corredor. O chão gelado no pé descalço me fez arrepiar, mas Föda-se, o pensamento tava só lá fora. Botei o chinelo velho, ajeitei a camiseta branca que já tá amarelada de tanto usar e dei aquela passada de mão no rosto pra tentar acordar de vez. No pavilhão, o clima já era outro. Todo mundo meio

